Depois de um breve período onde parecia não revelar mais ninguém, a Racing Bulls voltou a ser um ativo importante para a Red Bull na Fórmula 1. Mesmo com a subida de Isack Hadjar para o time principal, a equipe de Faenza terminou a primeira metade da temporada 2026 com uma forte dupla formada por Liam Lawson e Arvid Lindblad, que mesmo com entreveiros aqui e ali, já tomam conta do pelotão intermediário e em um quinto lugar que pode ser o melhor resultado da história da esquadra na história.
Lawson, por sinal, é quem mais merece elogios. O neozelandês teve um 2025 muito atribulado após a passagem relâmpago pela Red Bull e demorou para se encontrar após o rebaixamento, sendo constantemente batido por Isack Hadjar e só se recuperando após a primeira metade da temporada, encontrando bons resultados que o deram fôlego para mais um ano de Fórmula 1.
Em 2026, a situação do Kiwi é diferente. De 11 corridas até aqui, pontuou em 8 delas e ocupa o nono lugar no Mundial de Pilotos, sendo o “melhor do resto” se tirarmos da conta quem está nas equipes grandes. Tudo isso é fruto de constantes participações no Q3 e raras necessidades de escalar pelotão.
Pelo lado de Lindblad, o britânico apresenta um desempenho impressionante para um piloto novato. É muito difícil ver alguém que consiga se adaptar tão rápido a um carro de Fórmula 1, especialmente nas condições desafiadoras que o novo regulamento apresenta. Arvid tira isso de letra. São 7 de 11 corridas no top-10, à frente de nomes cascudos e mais experientes.
Ao mesmo tempo, não é difícil notar que dois pilotos tão gananciosos começam a faiscar uma espécie de rivalidade interna em Faenza. Na Hungria, por exemplo, Lawson largou melhor e ficou à frente do companheiro de equipe. Com o neozelandês perdendo tempo valioso no meio da disputa entre Lewis Hamilton, a equipe reagiu ao parar Arvid primeiro, na tentativa de impedir que Nico Hülkenberg superasse o ‘Kiwi’. O inglês, evidentemente, não gostou.
No Red Bull Ring, ambos os carros sofriam de superaquecimento nos freios e foram aconselhados a fazer o popular ‘lift and coast’. Lindblad ignorou, ultrapassando o companheiro de equipe também pelo desejo de caçar Oliver Bearman, que vinha à frente. Algo que o neozelandês desaprovou completamente, já que o britânico desrespeitou ordens de equipe e inclusive o repassou, mesmo com uma nova recomendação.

Já na Bélgica, ambos tiveram uma dura batalha lado a lado, com Lawson até sendo empurrado para fora, mas com a direção de prova sem tomar nenhuma ação a respeito de ambos.
As batalhas entre as duas partes devem se reforçar na segunda metade de 2026. Com Nikola Tsolov acenando muito com a possibilidade de entrar no grid no ano que vem, Lawson passa a ser a figura mais ameaçada. Afinal, tem mais tempo de casa e todos já sabem que ele não tem chances com a Red Bull de novo — já que nem Pierre Gasly teve.
Liam terá um período de 12 provas para convencer outro time de seus serviços. Para ser muito honesto, ele merece. Mas é justamente a probabilidade de não seguir em 2027 que pode fazer com que a Racing Bulls tome mais decisões em prol do Lindblad, que tem enorme chances de ter uma trajetória mais longa e de mais futuro dentro do conglomerado.
Em toda a trajetória do time ‘B’ da Red Bull na Fórmula 1, a quinta colocação nunca se concretizou. Em 2026, eles tem a oportunidade de ouro com um carro que entrega desempenho e uma dupla que está no nível desejado. Ao mesmo tempo, os ânimos precisam ficar mais calmos para não dar sopa ao azar e permitir recuperações de times que parecem já ter jogado a toalha para a temporada, como Alpine e Haas.
A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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