Rafael Câmara voltou a vencer na temporada 2026 da Fórmula 2 durante a corrida 3 do Azerbaijão, realizada no sábado (26) e mostrou que, quando faz uma prova limpa, tem o que é necessário para vencer corridas. É bem verdade que o brasileiro se beneficiou da punição de Alex Dunne para herdar o primeiro lugar, mas isso não tira o fato de que fez tudo certo e superou a Rodin em um fim de semana em que tinha um equipamento ligeiramente inferior.
Câmara é, indiscutivelmente, o maior talento da grid da F2 e, por isso, é quem tem maiores chances de chegar à F1 já no ano que vem. Porém, ainda que disputa contra Nikola Tsolov e Dunne esteja bem apertada, a sensação é de que o brasileiro poderia estar em uma posição ainda mais confortável na classificação, não fossem os erros que ele mesmo cometeu.

Os mais chamativos aconteceram ainda no começo da temporada, nas rodadas de Miami, Canadá e Azerbaijão. Nas ocasiões, o segundo lugar nas corridas 2 era plenamente possível, mas decisões equivocadas tomadas no calor da disputa o fizeram jogar fora cerca de 39 pontos. Isso sem contar os deslizes aqui e ali com as dificuldades em largadas.
Portanto, a temporada da F2 mostrou que Câmara é um talento que ainda precisa de lapidação, e essa sensação ficou ainda mais clara durante o fim de semana no Azerbaijão. Na sprint, voltou a jogar bons pontos fora depois de ser punido por causar um acidente com Mari Boya ainda na primeira volta. Na segunda prova, escolheu linhas um tanto estranhas para se defender dos rivais nas relargadas e com isso perdeu algumas posições. Porém, o bom ritmo sempre esteve presente.
Assim, ficou claro que velocidade nunca foi o problema, a questão era que alguns ajustes eram necessários para voltar a vencer. E isso foi comprovado durante a corrida 3. Largando de terceiro, o brasileiro teve um bom início e manteve a posição, mas seguiu muito de perto os carros da Rodin de Martinius Stenshorne e Alex Dunne, que apresentaram o melhor ritmo entre todas as equipes em Baku.
Rafael ainda cuidou bem dos pneus, alongou o stint em relação aos rivais e, após a rodada de parada nos boxes, assumiu a liderança virtual da corrida. Dunne só o superou na sequência porque estava com pneus aquecidos e Câmara não podia fazer muito para se defender. Porém, seguiu na cola do irlandês.

Ao entrar nos boxes, Dunne cruzou a linha branca e foi punido com o acréscimo de 5s ao tempo de corrida. Assim, Câmara apenas comboiou o carro da Rodin nas voltas finais para cruzar a linha de chegada em segundo, mas vencer por ser beneficiado pela punição numa postura extremamente estratégica.
Ainda que tivesse ritmo para ultrapassar na pista, a decisão de Câmara de se manter atrás até que fez sentido, principalmente pensando na briga pelo título. Considerando o histórico de Dunne, que não é nada cauteloso nas disputas, uma tentativa de ataque poderia resultar em um abandono, visto que o traçado em Baku também dá muita margem para acidentes. Além disso, manter-se atrás de Alex também era uma forma de conter o avanço de Tsolov.
Depois de fazer uma corrida de recuperação e deixar Stenshorne para trás para ser terceiro, Tsolov apresentou um ritmo muito forte na reta final da corrida 3 e colou nos líderes. Ao se manter atrás de Alex, que tinha pneus mais gastos, Rafael podia ativar o DRS na longa reta e, consequentemente, segurar qualquer tentativa de ataque de Nikola.
É bem verdade que o búlgaro não chegou a tentar a ultrapassagem porque não teve tempo para tal. Mas a decisão de Câmara não foi inútil: caso um novo safety-car fosse acionado e juntasse o pelotão, Dunne seria uma presa fácil de Tsolov e o brasileiro seria a próxima vítima que, necesse cenário, não teria o DRS para se defender.

Portanto, na corrida 3 em Baku Câmara teve ritmo, soube cuidar dos pneus e foi frio ao negociar posições em pista para voltar a vencer. Todos esses elementos são essenciais para quem quer se tornar campeão.
E caso a F2 retome as atividades de 2026 com as provas no Catar e em Abu Dhabi, Câmara tem as próprias fraquezas como o principal adversário. Afinal, já mostrou que tem mais talento que Dunne e Tsolov, além de um equipamento competitivo para brigar para o topo. Para que tudo dê certo na reta final, o brasileiro depende apenas de si para ficar longe de problemas e capitalizar os pontos para selar o título.
A Fórmula 2 planeja voltar às pistas entre 27 e 29 de novembro, com a etapa no Catar. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa da temporada.