Diogo Moreira conquistou a segunda colocação na corrida sprint de Motegi neste sábado (3) e adicionou mais um argumento à discussão sobre a formação da Honda para 2027. O resultado, inesperado para a LCR, foi construído em uma atuação competitiva do brasileiro desde a largada, com ultrapassagens e ritmo suficiente para permanecer na disputa pelo pódio até a bandeirada. Depois, as punições aplicadas a Jorge Martín e Enea Bastianini confirmaram oficialmente o segundo lugar.
Moreira vem construindo sua primeira temporada na MotoGP com uma sequência de atuações que colocou o brasileiro no radar da estrutura oficial da Honda. Contratado pela LCR para a estreia na categoria, o piloto possui vínculo de longo prazo com a fabricante japonesa, que ainda precisa definir a composição da equipe de fábrica para 2027.
A decisão sobre o futuro de Moreira ainda não havia sido oficialmente divulgada até a Sprint de Motegi. O pódio, portanto, não determina o caminho que será seguido pela Honda, mas acrescenta um resultado de peso ao currículo de um piloto que já vinha sendo considerado para uma possível promoção.
O momento também dá ainda mais relevância ao desempenho do brasileiro. Moreira alcançou o melhor resultado da carreira na MotoGP justamente em Motegi, circuito que recebe o GP do Japão e diante da estrutura japonesa da Honda. A fabricante, por sua vez, atravessa um período importante de preparação para 2027, quando a categoria passará a utilizar motores de 850cc e terá mudanças significativas no regulamento técnico.
A maneira como Moreira construiu o resultado também merece atenção. O brasileiro ganhou posições após o incidente das primeiras voltas que envolveu Pedro Acosta, Álex Márquez e Fabio Di Giannantonio, mas não se limitou a aproveitar a confusão. Ao longo da Sprint, manteve ritmo competitivo, resistiu à pressão de Ai Ogura e conseguiu ultrapassar Marco Bezzecchi para avançar no pelotão.

Moreira também se aproximou de Enea Bastianini na reta final. O italiano perdeu rendimento e permitiu que o brasileiro reduzisse consideravelmente a diferença nas últimas voltas. Moreira chegou a ficar a apenas 0s3 do piloto da Tech3, indicando que a disputa pela posição poderia ter sido ainda mais apertada caso a Sprint tivesse mais uma volta.
As punições posteriores mudaram definitivamente a classificação. Jorge Martín e Brad Binder foram penalizados por excederem os limites da pista, enquanto Bastianini também recebeu uma punição que alterou a ordem final. Com isso, Moreira subiu para o segundo lugar e garantiu o primeiro pódio da carreira na MotoGP.
O resultado também ganha importância diante da chegada de David Alonso à estrutura da Honda. O colombiano foi anunciado pela fabricante para o projeto de 2027, mas ainda precisará fazer a transição para a classe principal e conhecer a RC213V em um ambiente completamente diferente do Mundial de Moto3.

Moreira, por outro lado, já possui uma temporada inteira de experiência com a Honda na MotoGP. O brasileiro conhece a RC213V, acumulou quilometragem ao longo de 2026 e agora adicionou um pódio em uma corrida sprint ao currículo. São fatores diferentes, mas que fazem parte da avaliação esportiva que a Honda terá de realizar para definir sua formação.
Não há, porém, qualquer confirmação de que o resultado de Motegi tenha alterado uma eventual decisão já tomada pela Honda ou garantido a Moreira uma vaga na equipe oficial em 2027. O que a Sprint fez foi acrescentar um argumento concreto à candidatura do brasileiro.
Enquanto a Honda mantém silêncio sobre os próximos passos, Moreira continua fazendo a parte que está sob seu controle: entregar resultados na pista. Em Motegi, o brasileiro transformou uma oportunidade inesperada em seu primeiro pódio na MotoGP e aumentou o peso de sua temporada justamente no momento em que a Honda se prepara para definir o futuro do projeto.
GP do Japão de MotoGP: veja os horários no Brasil e em Portugal
Horários no Brasil*
- Corrida (4/10): 2h
Horários em Portugal
- Corrida (4/10): 6h
*Horários de Brasília.