Finalmente, saiu! Max Verstappen já ensaiava a primeira vitória da temporada 2026 há algum tempo, mas o trabalho foi concluído na manhã deste domingo (4), em Sepang, no GP do Bahrein na Malásia. É, de alguma maneira, ao mesmo tempo a segunda vitória dele na Malásia e a terceiro do GP do Bahrein. O tetracampeão mundial precisou remar do terceiro lugar após perder posições na largada, mas conseguiu até rapidamente e disparou. Conquistou, com as sobras que tantas vezes se viu, a 72ª vitória na carreira na Fórmula 1.
A corrida, porém, foi marcada por uma zorra absoluta antes que engrenasse de vez. Cerca de 40 minutos antes da hora marcada para a largada, a chuva esperada por todo o fim de semana caiu em forma de tormenta sobre Sepang. A largada acabou atrasada inicialmente em 40 minutos, mas a volta de apresentação mostrou elemento mais bizarro do dia: as falhas de software. Ainda sem explicação, uma série de pilotos, liderados por Lewis Hamilton, foram parando na pista com perda de potência, forçando bandeira vermelha antes mesmo de largar. O começo de fato da corrida só foi acontecer 1h33 minutos após a hora planejada e terminou alguns minutos antes do crepúsculo de Kuala Lumpur.
E a confusão foi total. Na ida para pista, vários pilotos com pneus intermediários e outros tantos de slicks, macios e médios. Os intermediários ainda eram mais rápidos, como se notou rapidamente, mas as escolhas estavam feitas, A dupla da Mercedes voou na largada. Andrea Kimi Antonelli pulou para a ponta, com George Russell em segundo. Verstappen, contudo, foi limpando caminho e não custou a chegar e passar Russell. Chegou a Antonelli, mas teve de esperar por conta de um safety-car causado por Valtteri Bottas. Foi quando todos tiraram os pneus intermediários. Depois, foi rápido. Na relargada já deu o bote, tomou a ponta e sumiu para sacramentar a vitória.
Com as estratégias iniciais transformando a corrida num verdadeiro elevador de torre, as posições se alteravam completamente. E a loucura não tinha terminado, porque uma segunda intervenção do safety-car perto do fim, causada por problema de Alexander Albon, fez mais gente sofrer. George Russell também precisou parar, Lando Norris saiu da pista e perdeu posições. Zorra mesmo.
Atrás de Verstappen, Antonelli e Hamilton, em recuperação notável, foram ao pódio. Leclerc foi o quarto, seguido de Isack Hadjar, Oscar Piastri, Liam Lawson, um improvável Fernando Alonso, Norris e Arvid Lindblad no top-10. Gabriel Bortoleto foi punido por tocar Carlos Sainz e viveu dia para esquecer.
A Fórmula 1 retorna já no próximo fim de semana, entre os dias 9 e 11 de outubro, com o GP de Singapura, no circuito de Marina Bay. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP do Bahrein, em Sepang, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Confira como foi o GP do Bahrein na Malásia
Após fugir durante todo o fim de semana, a chuva apareceu de maneira violenta e rapidamente virou tormenta cerca de 40 minutos antes do horário marcado para largada, as 4h (de Brasília, GMT -3) — 15h locais. Embora os carros tenham se encaminhado para o grid sem intercorrências, a força d’água que despencava em Sepang deixava a sensação de que a largada estava ameaçada.
Foi exatamente o que aconteceu. 30 minutos de chuva firme e constante fizeram a direção de prova anunciar um atraso, mas sem definir novo horário para largada, e colocar o carro médico para dar voltas incessantes no traçado. O objetivo é sempre avaliar a situação da pista e evitar que a linha de corrida fique tomada por poças. Mas estava difícil, e o carro médico sacudia para um lado e para o outro.
O caso da chuva mudou boa parte daquilo que se esperava de estratégias. A pista já não era tão quente, estava distante dos quase 60°C de temperatura da classificação e estacionava nos 35°C, com 25°C de temperatura ambiente. A borracha na pista também foi às favas com toda a água, mas o asfalto abrasivo ao máximo seguia ali, não tinha o que fazer. Antes da tormenta, a Pirelli soltou um documento com as quatro estratégias que imaginava serem as mais efetivas: e tinha para tudo, duas e três paradas, uso dos três tipos de pneus em momentos distintos e caminho para ousar.
Depois de longa espera, a direção de prova definiu 4h40 (de Brasília) para o horário da volta de apresentação. Com 40 minutos de atraso, os pilotos saíram para ao menos duas voltas destas. Todos tinham pneus intermediários.
Max Verstappen puxava a fila, seguido por Lewis Hamilton, Andrea Kimi Antonelli, Charles Leclerc, Lando Norris, Oscar Piastri, George Russell, Isack Hadjar, Pierre Gasly e Gabriel Bortoleto no top-10. Na segunda parte do pelotão, Liam Lawson, Fernando Alonso, Carlos Sainz, Lance Stroll, Nico Hülkenberg, Oliver Bearman, Esteban Ocon, Alexander Albon, Valtteri Bottas, Sergio Pérez e os punidos Franco Colapinto e Arvid Lindblad.
Logo no começo da volta de apresentação, Hadjar errou a frenagem na curva três e escorregou para fora da pista. Por sorte, não ficou preso na brita. Era só o início de uma fila gigante de problemas nos minutos seguintes. Hamilton ficou extremamente lento e avisou que estava sem potência. Foi ultrapassado por vários carros, mas não todos: um grupo, que contava com as duas Haas, Hülkenberg, Pérez e mais alguns continuou atrás porque estava tão lento quanto ele. Norris foi outro que saiu do traçado após errar a frenagem. A situação foi tão esquisita que Verstappen deu uma volta em todo mundo!
Hamilton parou na reta, mas logo voltou a andar normalmente: a Ferrari avisou que a questão era com um software que estava sendo reiniciado. À essa altura, a bandeira vermelha já havia entrado em cena. Hora de todos no pit-lane realmente. A notícia boa foi dada por Antonelli, que avisou que a pista estava “secando loucamente rápido”. A chuva parou.
O problema coletivo na parte eletrônica, tenha sido o que for, representa uma preocupação gigantesca para a F1 na primeira oportunidade de desfilar os novos carros numa pista molhada. Mesmo que a chuva não aparecesse mais no domingo de Sepang, era algo que tinha de ser urgentemente resolvido.
Mesmo sem chuva, pista secando rápido e até raios de sol forçando a passagem entre as nuvens, a demora para definir a retomada da prova foi interminável e sem explicações. Apesar disso, a informação que corria pelo paddock era de que se tratava dum cuidado extra com os softwares. A relargada foi definida apenas para as 5h33, mais de 1h30 depois do horário original.
O que se definiu foi uma largada parada — apesar de Gasly escapar logo no princípio da volta de apresentação. As estratégias eram diversas. Verstappen escolheu pneus intermediários, bem como Antonelli, Lawson, Sainz, Ocon, Albon, Lindblad e Pérez. Piastri, Stroll, Norris, Alonso optaram pelos médios, enquanto todos os outros foram de macios. Mas a volta de apresentação fez muita gente se arrepender. Antes mesmo da largada, no fim da inspeção, Piastri, Bortoleto, Stroll e Hülkenberg pararam para colocar pneus intermediários.
A largada das Mercedes foi fuzilante. Antonelli facilmente ultrapassou Verstappen, enquanto Russell arrancou para o segundo posto sem dificuldade alguma. Os primeiros metros já mostraram que os pneus intermediários estavam muito mais rápidos que os slicks. Mesmo os pilotos que pararam na volta de apresentação rapidamente apareceram na frente dos que estavam de slicks. Foi o caso de Bortoleto, que demorou menos de duas voltas para superar Hamilton e Leclerc.

Leclerc, inclusive, foi chamado algumas voltas depois, até por ter se envolvido num toque com Hülkenberg na largada. Norris e Alonso de médios, Hamilton, Gasly, Bearman, Colapinto e Bottas de macios foram os que permaneceram com os pneus com que largaram. Em poucas voltas, estavam 1min atrás do líder, mas já não valia mais a pena parar em condições normais.
Verstappen colocou pressão para cima de Russell para retomar o segundo lugar e, pouco a pouco, voltava a ser o piloto mais veloz na pista. As brigas estavam em todo lugar. Lawson passou Hadjar, Ocon e Sainz não se soltavam, enquanto Lindblad, que largou em última, era o sétimo colocado. Havia um espaçamento enorme pelotão afora.
E não demorou até Verstappen chegar para atacar Antonelli. Alinhou por fora, mostrou o carro e tentou passar, mas não rolou. Na nona volta das 55, Bottas errou, escapou da pista e ficou parado na brita. Entrada do safety-car e oportunidade para todo mundo parar e aproximar o pelotão.
Russell tinha acabado a dizer no rádio que era uma situação “estranha”, porque a pista não estava secando tanto quanto esperado, mas o safety-car fez com que todo mundo que estivesse de intermediários, inclusive George, entrasse para colocar slicks.

O tráfego no pit-lane era intenso. Piastri e Albon quase se acertaram na entrada. Mas Antonelli liderava com pneus médios e era seguido por Verstappen, de macios. Russell (médios), Hadjar (macios), Lawson (duros), Ocon (macios), Lindblad (duros), Sainz, Bortoleto e Piastri (macios) formavam o top-10. Mais atrás, a Ferrari apostou em macios para a dupla, enquanto Norris estava de duros.
A relargada veio na 13ª volta. Verstappen partiu com fogo nas ventas. Dançou nas duas primeiras curvas, entendeu qual o espaço para atacar e efetuou o passão na curva três. Russell veio junto e passou Antonelli duas curvas depois. Ainda no top-10, Sainz foi fora da pista após toque com Bortoleto e perdeu dez posições, caindo para o 18º lugar. O incidente foi colocado sob investigação e, algumas voltas depois, foi punido com 10s adicionados ao resultado final.
Ao passo que Piastri passava Bortoleto, Norris e Hamilton limpavam caminho e já grudavam na dupla da Audi — e na zona de pontos. Quando Hamilton chegou para atacar Hülkenberg, no fim da volta 15, Bortoleto foi aos boxes. Num instante, o heptacampeão aparecia na nona colocação. Conforme Verstappen e Hamilton mostravam, os pneus macios se pagavam bastante neste momento, mas a questão era saber até quanto durariam. E Bortoleto, com a parada, colocou pneus duros em estratégia da Audi para tentar ir até o final da corrida, mas voltou em último entre aqueles que continuavam.
Se Verstappen abria 3s na dianteira, Antonelli voltava a recuperar espaço com relação a Russell e já dizia no rádio que tinha mais ritmo. Um pedido velado, mas bem conhecido, por ordem de inversão de posições. Mas George garantia que os pneus estavam bem, e a Mercedes pediu a Kimi que apenas cuidasse dos pneus. Os dois, enfim, tinham o mesmo pneu médio contra macio do oponente.
Já Hamilton demorou um pouco mais a chegar a Piastri, que dosava ritmo com os pneus duros, mas quando encostou logo passou. E, aí, tirou Lindblad do caminho sem problemas. Ocon estava grudado e virou presa também. Na volta 23, tirou Lawson e chegou ao quinto lugar. Daí para frente, a distância era grande e Lewis provavelmente precisaria de um golpe de sorte.
Antonelli, mesmo com a Mercedes pedindo para cuidar dos pneus, chegou de vez em Russell, atacou e passou para recuperar o segundo lugar. Restava ver se tinha condições de subverter a realidade da corrida até aquele momento e tirar a vantagem que Verstappen só fazia aumentar.
Leclerc e Norris chegaram juntos a Hülkenberg. O piloto da Ferrari, que tinha pneus macios, passou o da McLaren, de duros, pouco antes. Deixou Hülkenberg para trás sem problemas. Norris demorou alguns momentos mais, mas em segundos fez a ultrapassagem. Com a Ferrari se aproximando, Piastri apertou um pouco o passo e superou Lindblad pelo oitavo lugar. O novato até tentou o xis, mas nada feito. O que aconteceu foi Leclerc embarcar e passá-lo também.
Enquanto a Mercedes antevia chuva chegando ao trecho da curva dez, Antonelli passou aberto demais na tomada da última curva, quase precisou entrar nos boxes e perdeu muito tempo. Ainda pediu para a equipe ver se a asa dianteira ficara danificada.

O pessoal que ficou com os pneus slicks desde a largada começava a parar. Primeiro foi Gasly, depois Leclerc, no fim da volta 28, e recolocando pneus macios. Norris colava no trenzinho de dentro do top-10. Na mesma volta, passou Ocon e Lawson. O rival da Racing Bulls, é verdade, recuperou a posição porque o campeão do mundo espalhou muito na freada em que atacou, mas logo em seguida consolidou a tomada da posição e ficou com o oitavo lugar. Lawson iria aos boxes na volta seguinte; Hadjar e Hamilton, na seguinte. E saíram juntos.
Leclerc voava com os novos pneus macios. Era o mais rápido na pista por mais de 1s e não perdeu tempo para voltar ao top-10. Russell entrou no fim da volta 32 e colocou também pneus macios para testar a situação. Outra briga que esquentava era entre a última posição que valia pontos, com Ocon atacando Lindblad, que defendia com competência.
Verstappen e Antonelli foram aos boxes na 33 e puseram pneus macios. Após a janela de paradas, Verstappen liderava com Antonelli 10s atrás. Russell, Hadjar, Hamilton, Leclerc, Lawson, Piastri, Norris e Lindblad no top-10. A queda de Lando ficou na conta de ser o último a parar, abrindo mão dos pneus duros para também colocar macios. Hamilton não estava tão feliz quanto antes com os pneus, que dizia estarem “horríveis”. Mas chegava em Hadjar.
A corrida de Bortoleto piorou ainda mais quando foi novamente aos boxes. A estratégia de ficar em uma só parada não funcionou e ainda teve de cumprir a punição…

Com a parte final da corrida se aproximando, quem dançava finalmente era Alonso, ultrapassando Ocon para tomar o 11º posto. Hülkenberg, que estava sob investigação por liberação insegura no pit-lane, deixou dois para trás de uma vez: Ocon e Stroll. Mirava Alonso, na sequência, mas o bicampeão perseguia Lindblad. A zona de pontos ainda estava com portas abertas.
De maneira competentíssima e com ótimo ritmo de pneus duros, Alonso ultrapassou Lindblad e entrou na zona de pontos. Os movimentos continuavam pelo grid quando Albon teve problemas no câmbio e precisou parar na pista. A reação da direção de prova foi o uso do safety-car virtual (VSC), abrindo nova janela de paradas nos boxes. Até mesmo Verstappen entrou e, num primeiro momento, a Mercedes manteve Antonelli na pista e tomou a dianteira. Por uma volta, porque também parou Kimi na sequência. Ainda bem para ele, porque o safety-car de verdade foi chamado em seguida.
Quando, a cinco voltas do fim, a direção de prova apontou o retorno do safety-car, foi Russell quem parou. Com problemas mais uma vez em 2026, abandonou. E Norris errou sozinho, perdendo posições sem explicação nenhuma. Mais um atraso para retomar a corrida, pois.
Relargou, ao fim e a cabo, com Verstappen partindo sem ser ameaçado e Hamilton ultrapassando Hadjar. Leclerc também tirou o francês do caminho, posicionando a Ferrari na terceira e quarta posições, o que terminou sendo impressionante após ficarem mais de 45s atrás do líder na primeira parte da corrida. Max partiu para vencer e ainda abriu 2s3 nas três voltas finais. Antonelli foi o segundo, na frente da dupla ferrarista, enquanto Hadjar terminou em quinto. Piastri, Lawson, Alonso, Norris e Lindblad fecharam a zona de pontos.
F1 2026: resultado do GP do Bahrein na Malásia em Sepang
| 1 | M VERSTAPPEN | Red Bull RBPT Ford | 55 voltas |
| 2 | A ANTONELLI | Mercedes | +2.307 |
| 3 | L HAMILTON | Ferrari | +4.919 |
| 4 | C LECLERC | Ferrari | +7.258 |
| 5 | I HADJAR | Red Bull RBPT Ford | +8.571 |
| 6 | O PIASTRI | McLaren Mercedes | +9.454 |
| 7 | L LAWSON | Racing Bulls RBPT Ford | +12.753 |
| 8 | F ALONSO | Aston Martin Mercedes | +13.372 |
| 9 | L NORRIS | McLaren Mercedes | +13.993 |
| 10 | A LINDBLAD | Racing Bulls RBPT Ford | +15.928 |
| 11 | N HULKENBERG | Audi | +17.404 |
| 12 | L STROLL | Aston Martin Mercedes | +18.052 |
| 13 | F COLAPINTO | Alpine Mercedes | +18.997 |
| 14 | O BEARMAN | Haas Ferrari | +22.305 |
| 15 | E OCON | Haas Ferrari | +22.532 |
| 16 | P GASLY | Alpine Mercedes | +23.315 |
| 17 | C SAINZ | Williams Mercedes | +25.431 |
| 18 | G BORTOLETO | Audi | +28.233 |
| 19 | S PEREZ | Cadillac Ferrari | +29.310 |
| 20 | G RUSSELL | Mercedes | + 6 voltas |
| 21 | A ALBON | Williams Mercedes | + 14 voltas |
| 22 | V BOTTAS | Cadillac Ferrari | + 48 voltas |