A Fórmula 1 se aproxima da data limite estabelecida — meados de outubro — para definir o destino da temporada 2026, só que enquanto Stefano Domenicali jura que as etapas do Catar e de Abu Dhabi serão mantidas, os conflitos no Oriente Médio se intensificaram no último fim de semana após o aeroporto internacional de Riad, na Arábia Saudita, ser atacado pelos houthis, grupo armado do Iêmen alinhado ao Irã. O atentado provocou mortes, deixou feridos e causou interrupções no transporte aéreo, incluindo de duas das maiores companhias da região: a Qatar Airways e a emiradense Etihad, que suspenderam voos envolvendo Riad e outras cidades, como Dammam e Jedá, segundo a agência de notícias Reuters.
Não há, portanto, como ignorar que a situação ainda inspira muitos cuidados, se a segurança for realmente nortear a decisão final da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Assim que a autoria dos ataques em Riad foi confirmada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump classificou o episódio como “inaceitável”, e a possibilidade de uma intervenção americana contra os houthis potencializa a tensão no local.
Decisão final da F1 ainda é esperada
No dia 3 de outubro, durante a passagem da F1 pela Malásia, Domenicali afirmou à Sky Sports Itália que os GPs do Catar e de Abu Dhabi permaneciam confirmados como as duas últimas etapas do campeonato. A fala, no entanto, não continha propriamente uma informação nova, além de não ter sido encarada como uma declaração oficial. Stefano disse apenas que “esta é a direção que tomamos com base nas informações e nas garantias que temos — e que precisamos absolutamente ter”.
O local da declaração de Domenicali ainda carregava outro significado. A clássica pista de Sepang foi a escolha da categoria para amenizar o rombo que a guerra no Oriente Médio deixara na parte inicial do calendário, quando Bahrein e Arábia Saudita tiveram de ser suspensas perante a impossibilidade de ser ir aos países. Na época, em resposta ao ataque inicial dos Estados Unidos em fevereiro, o Irã passou a bombardear bases militares norte-americanas nos países vizinhos. Um deles chegou a acontecer a alguns quilômetros de Sakhir.
Do lado das equipes, um posicionamento mais concreto da categoria ainda era aguardado. Mattia Binotto, chefe da Audi, e Ayao Komatsu, líder da Haas, enfatizaram outubro como o prazo final para que a logística não fosse comprometida. Depois, em Singapura, Toto Wolff também declarou que a Mercedes trabalhava com seis corridas pela frente, ou seja, contando com Catar e Abu Dhabi diante da falta de respostas da F1.

Arábia Saudita sob ataques
Enquanto a F1 realizava as atividades do GP de Singapura, um ataque com míssil atingiu um terminal de passageiros do aeroporto internacional Rei Khalid, em Riad, em 10 de outubro. O primeiro deixou pelo menos 13 mortos e mais de 300 feridos. No dia seguinte, um novo ataque matou uma pessoa e feriu outras 11.
Na última segunda-feira (12), a Arábia Saudita voltou a relatar ameaças de drones e mísseis, enquanto o aeroporto da capital permanecia fechado. A sequência de ofensivas afetou o espaço aéreo saudita e levou companhias aéreas a suspenderem ou cancelarem voos. Os houthis reivindicaram os ataques, que ocorrem em meio à intensificação do conflito no Iêmen e à guerra regional envolvendo Washington e Teerã.
O aeroporto de Riad é uma importante porta de entrada para o país e um ponto relevante para viagens de negócios, turismo e operações governamentais. Para a Fórmula 1 em si, o impacto não é necessariamente uma ameaça direta aos circuitos do Catar ou de Abu Dhabi, já que os atentados foram no território saudita. Ainda assim, a situação mostra que a instabilidade pode afetar rotas aéreas, conexões internacionais e o planejamento logístico de uma competição que mobiliza milhares de pessoas e toneladas de equipamentos.

Catar e Emirados Árabes Unidos pedem resposta regional coordenada
Agora, o que pode mudar o cenário internacional é a posição desses países em relação aos recentes ataques a Riad. Em comunicado de 10 de outubro, o Ministério das Relações Exteriores do Catar classificou os ataques como “uma violação da soberania saudita e uma ameaça à segurança regional, à infraestrutura civil e à navegação aérea” em nota oficial.
Nos Emirados Árabes Unidos (que engloba Abu Dhabi), Anwar Gargash, assessor diplomático do presidente, defendeu a retomada de uma atuação conjunta dos países do Golfo em segurança e defesa. Ele afirmou que os ataques contra a Arábia Saudita comprometem a segurança de todos os países da região e acrescentou que a falta de coordenação coletiva teria encorajado novas ameaças.
Enquanto isso, nos EUA, Trump afirmou que Washington avaliava a possibilidade de ajudar os sauditas contra os houthis no Iêmen. Questionado por jornalistas se já havia decidido intervir, respondeu: “Podemos. Vamos analisar. Acabamos de saber do ataque mais recente. Tomaremos uma decisão. Agimos muito rapidamente”, disse, segundo a agência Anadolu.

Teerã (capital do Irã), por sua vez, pediu que a Arábia Saudita busque uma solução diplomática. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou em conversa com o chanceler saudita que insistir em uma abordagem militar e ignorar uma solução política tornaria a situação mais complexa. O governo iraniano também ofereceu ajuda para facilitar o diálogo entre Riad e os houthis.
F1 depende de evolução da crise
Os próximos dias, portanto, serão importantes para observar a escalada desse atual conflito e se as possíveis restrições de espaço aéreo ou de operações aeroportuárias no Golfo vão impactar outras áreas do Oriente Médio.
E não é apenas a F1 que se vê numa encruzilhada com as corridas ainda marcadas para a região. MotoGP também vai passar pelo Catar entre os dias 6 e 8 de novembro, enquanto a Fórmula E abre a temporada 2026/27 em Jedá, na Arábia Saudita, nos dias 18 e 19 de dezembro. Isso sem contar a Fórmula 2, que vai acompanhar a F1 caso as etapas do Oriente Médio sejam confirmadas, porém não pretende encerrar o campeonato em Ímola — o plano B da classe principal.
Tudo, porém, está de pé até o momento, mas já se torna urgente um posicionamento ao menos da F1, já que a mudança na reta final interfere na conta de Andrea Kimi Antonelli para ser campeão.
Com as atividades do GP de Singapura concluídas, a Fórmula 1 tira uma folga neste fim de semana e retorna entre os dias 23 e 25 de outubro, para a disputa do GP dos Estados Unidos. A etapa de Austin será a 18ª da temporada 2026.