O Conselho Mundial de Automobilismo da FIA aprovou nesta segunda-feira (19) uma série de mudanças no regulamento esportivo do WRC, com início previsto já para 2027. Entre elas, estão a reformulação da classe Rally1, além da transformação do Mundial de Fabricantes em Mundial de Construtores, aberto também a times independentes, e a criação de um Mundial de Equipes disputado em sete etapas.

A reunião também confirmou como vai funcionar a nova classe principal. A partir de 2027, a Rally1 terá dois tipos de carro: os WRC Cars, construídos sob o novo regulamento técnico WRC27; e os WRC Kit Cars, que são carros Rally2 já existentes com um pacote aerodinâmico aprovado pela FIA.

Os ajustes incluem ainda mais potência para os dois tipos de carro, uma cláusula de equilíbrio de desempenho para os dois primeiros anos do novo ciclo e uma nova porta de entrada, a Rally6, pensada para baratear o esporte de base.

Rally1 terá dois tipos de carro em 2027

A classe principal do WRC vai reunir dois tipos de carro na mesma disputa:

O regulamento WRC27 começa a valer no ano que vem e terá duração de dez anos. Conforme anunciado na confirmação do calendário, o novo carro tem custo limitado a € 345 mil e usa motor 1.6 turbo a combustão, com combustível sustentável, tração integral, câmbio de cinco marchas e chassi tubular.

O Kit Car, por outro lado, atua como uma solução de transição já prevista pelas equipes. A M-Sport, por exemplo, vai usar um Fiesta Rally2 atualizado enquanto a Ford prepara o retorno oficial ao WRC em 2028, com um carro inteiramente novo previsto para 2029.

Mudanças no motor elevam potência

Além da parte esportiva, o regulamento técnico também receberá ajustes para 2027. O diâmetro máximo do restritor do turbo vai subir de 32 mm para 33 mm, tanto nos WRC Cars quanto nos WRC Kit Cars.

O restritor é a peça que limita a entrada de ar no turbo; portanto, com uma abertura maior, o motor recebe mais ar e consegue gerar mais potência. Segundo a FIA, o objetivo é simples: aumentar o desempenho dos motores nas duas especificações.

Com dois tipos de carro na mesma classe, a FIA também terá liberdade para adotar medidas técnicas ou esportivas que mantenham “uma diferenciação de desempenho apropriada entre as classes de veículos”, conforme descrito pela entidade. Essa flexibilidade vale para as temporadas de 2027 e 2028, durante a transição para o novo regulamento.

Elfyn Evans, da Toyota, venceu Oliver Solberg em final dramática no WRC 2026 (Foto: Red Bull Content Pool)

Mundial de Fabricantes toma versão diferente

A partir de 2027, o Mundial de Construtores substitui o Mundial de Fabricantes e fica aberto tanto a montadoras tradicionais quanto a times independentes. Para disputar o título, contudo, será necessário participar de todas as etapas da temporada.

Por outro lado, o Mundial de Equipes surge como uma disputa nova. Cada time vai pontuar em sete etapas selecionadas, com obrigatoriamente dois continentes, pelo menos, e a etapa final da temporada. O encerramento está previsto para acontecer no Rali da Arábia Saudita, de 25 a 28 de novembro de 2027.

Os dois campeonatos ficam restritos aos carros Rally1, ou seja, aos WRC Cars e aos WRC Kit Cars. O WRC2, o WRC3 e a WRC Masters Cup continuam em 2027, mas não entram na conta.

FIA abre nova porta de entrada com Rally6

Com o objetivo de tornar a entrada na pirâmide do WRC mais acessível, a Rally6 estreia em 2027 como uma nova classe de entrada, com homologação da FIA e base forte no regulamento FR6 da Federação Francesa de Automobilismo.

O custo estimado de cada carro vai de € 35 mil a € 47 mil (de R$ 197 mil a R$ 265 mil na cotação atual). Confira as especificações divulgadas pela FIA:

ItemRegulamento da Rally6
BaseCarros de produção de quatro lugares
TraçãoDianteira ou traseira (duas rodas)
Motor1.6 turbo ou 2.0 aspirado
Relação peso/potência7,5 kg/cv (exemplo da FIA: 140 cv para 1.050 kg)
ComponentesFreios e pneus derivados de produção em série
CâmbioManual convencional em H
AmortecedoresDe competição, sem regulagem
SegurançaEquivalente aos carros Rally5-Kit
Dominado pela Toyota, Mundial de Construtores entra em cena com formato diferente em 2027 (Foto: WRC)

Mudanças incluem Rali Cross-Country

O Conselho também aprovou uma mudança estrutural importante no Rali Cross-Country, com um novo regulamento da classe principal: a Ultimate 2030. O carro terá uma nova célula de segurança projetada pela FIA, com mais proteção para a tripulação e abertura para propulsores alternativos.

A tração integral e o motor dianteiro continuam, em um cronograma que prevê desenvolvimento e validação em 2027, regras finalizadas em 2028, experimentos em 2029 e uso obrigatório pelos pilotos de fábrica a partir de 2030. O ciclo de vida previsto para os carros é de dez anos.

O segundo escalão, chamado de Challenger 2029, também passa por alterações. Outra com foco em segurança, redução de custos e formação de plataforma para a Ultimate, a classe trará carros com estruturas de segurança reforçadas, carroceria fechada e motores turbo de até 1.620 cm³.

O regulamento técnico da classe secundária será concluído em 2027, com estreia no Grupo Experimental em 2028 e pontuação no campeonato a partir de 2029