A Fórmula 1 pode ganhar um novo time em 2027 — com um nome conhecido do passado. O empresário kuwaitiano Saad Kassis-Mohamed, de 24 anos, anunciou planos para reviver a marca Caterham na categoria, agora sob gestão da empresa de investimentos SKM Capital. O projeto, batizado de SKM Racing, terá estrutura dividida entre um centro técnico em Silverstone e uma base operacional em Munique. Segundo a diretora-executiva Elena Richter, o time está em “negociações avançadas” com duas fornecedoras atuais de motores para um contrato de longo prazo.

Kassis-Mohamed foi incluído neste ano pela revista Forbes na lista 30 Under 30 — que destaca os jovens mais influentes do mundo em diferentes áreas — na categoria Influência Social na África. Para o projeto na F1, a SKM prevê investimentos de cerca de € 280 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão) nos três primeiros anos.

Em entrevista à revista indiana Sportstar, Kassis-Mohamed destacou a “plataforma global” que a F1 representa e defendeu o uso da marca Caterham como ativo de marketing, mas sem vínculo direto com a antiga equipe que disputou a F1 entre 2012 e 2014.

“A F1 agora opera com claras diretrizes financeiras e técnicas que tornam a categoria um bom investimento. Gostamos da interseção entre engenharia de elite, plataforma global e modelo de governança financeira”, afirmou.

Vitaly Petrov conquistou o melhor resultado da Caterham na F1: 11º no GP do Brasil de 2012 (Foto: Reprodução/Caterham)

Caterham ainda é um nome lembrado, mas não está na Fórmula 1. Uma licença de marca facilita a entrada no mercado, sem carregar as dívidas do passado”, explicou.

Apesar de manifestar interesse em entrar no grid, o empresário reconhece a complexidade do processo e demonstrou flexibilidade quanto aos meios que pode explorar para participar da categoria.

“Respeitamos os limites impostos por Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e F1. Nosso plano tem duas opções: assumir controle de uma operação já existente ou fazer uma candidatura no próximo processo de admissão como uma equipe cliente, com um acordo de fornecimento de motores de longo prazo”, disse.

Em um comunicado divulgado à imprensa, Elena Richter explicou que a SKM Capital já negocia com fornecedores de motores e componentes, além de planejar o crescimento escalonado do corpo de funcionários. O projeto prevê inicialmente entre 210 e 230 funcionários, com expansão para até 320 no terceiro ano.

“Estamos em negociações avançadas com dois fabricantes atuais de motores da F1. Buscamos fornecimento plurianual e cooperação tecnológica. Queremos ganhar tempo tomando decisões inteligentes sobre o que faremos e o que iremos terceirizar. Não vamos contratar mais pessoas do que precisamos até que nossa base esteja pronta”, explanou.

O plano da SKM Capital é entregar as credenciais completas à FIA até o início de 2026 e colocar o primeiro chassi em testes ainda no mesmo ano.

A antiga Caterham disputou três temporadas na F1, mas não marcou pontos e teve como melhor resultado o 11º lugar de Vitaly Petrov no GP do Brasil de 2012. A equipe entrou em recuperação judicial em outubro de 2014 e precisou de uma arrecadação via crowdfunding para disputar a última prova do campeonato, em Abu Dhabi. Com o fracasso na busca por novos investidores, o time fechou as portas no final do ano, com seus ativos restantes leiloados em 2015.

Fórmula 1 volta às pistas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.

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