Apesar dos esforços, os pilotos não conseguiram unanimidade para fazer oposição à realização do GP do Catar em meio ao temor de uma escalada nos conflitos no Oriente Médio. Ao menos três competidores se recusaram a assinar uma carta enviada à organização do Mundial de Motovelocidade.

Tradicionalmente desunidos, os pilotos ensaiaram uma associação desde o GP da Austrália, quando passaram a se reunir para falar da prova em Lusail. Os encontros se seguiram na Malásia, quando, inclusive, a Yamaha cedeu um escritório para que os competidores pudessem conversar sem a presença de dirigentes.

De acordo com o site espanhol Motorsport, a organização do campeonato recusou o pedido dos pilotos por um espaço no qual eles pudessem se reunir. Assim, a alternativa foi usar uma área cedida pela parte de comunicação da montadora dos três diapasões.

Dos 22 pilotos do grid, 19 assinaram o texto onde os pilotos fazem oposição à realização do GP do Catar. As únicas exceções foram Ai Ogura e Marco Bezzecchi, que falaram abertamente sobre a disponibilidade de correr, e, de acordo com o site britânico VisorDown, Johann Zarco.

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Marco Bezzecchi não fez oposição ao GP do Catar (Foto: Divulgação/ MotoGP)

Em entrevista à emissora inglesa TNT Sports, que assim como Sky Italia e Ziggo Sports não mandará equipe a Lusail, Ogura minimizou a situação e se mostrou disposto a correr.

“Para ser sincero, eu realmente não me importo”, disse Ogura. “Eu sou um piloto, se tem corrida, meu trabalho é correr. Para mim, é bem simples”, acrescentou.

Bezzecchi também se mostrou favorável à realização da prova, mas disse entender se algum integrante da equipe não quiser viajar.

“Do meu lado, realmente confio na organização, acho que eles estão tocando esse campeonato há muitos anos e sempre colocaram a nossa segurança em primeiro lugar. Temos um exemplo claro disso em Phillip Island na semana passada”, comentou. “Eu não julgo ninguém pela decisão que toma. É bom que todo mundo tome a própria decisão. Então, por exemplo, se alguém da equipe não quiser ir, não é um problema para mim. Concordo. Mas, para mim, tudo bem”, completou.

Zarco, por sua vez, falou com a emissora francesa Canal + e se mostrou satisfeito com as garantias oferecidas pelo governo local.

“Para cancelar o GP, precisaríamos esperar um motivo de força maior, o que ainda não aconteceu. Muitos pilotos estão pensando no que pode acontecer com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos”, confirmou Zarco. “As coisas talvez possam mudar depois disso, mas o Catar nos assegura o contrário”, continuou.

“A atual situação é normal no Catar. Pelo menos, é isso que nos dizem. É duro não acreditar no governo local, que nos garante que está tudo bem”, ressaltou. “As embaixadas orientam contra viagens a turismo, mas, por razões imperativas, é possível viajar. Não estou preocupado com a minha integridade física, mas estou com medo de ficar preso na hora de voltar caso o espaço aéreo feche”, completou.

Líder da MotoGP e com o primeiro match-point do título disponível no Catar, Marc Márquez segue evitando dar opiniões em público, mas deixou claro que a decisão “não está nas nossas mãos”.

O irmão mais novo, porém, foi claro. Ao ser informado que os integrantes da emissora inglesa TNT Sports não iriam a Lusail, Álex respondeu: “Vocês fizeram uma escolha inteligente”.

Jack Miller falou abertamente sobre a oposição dos pilotos (Foto: AFP)

“Carlos Ezpeleta esteve lá esta semana, eles disseram que é seguro, então é assim”, comentou.

Quem falou publicamente com mais veemência sobre o descontentamento com a viagem ao Catar foi Jack Miller. O australiano destacou que os pilotos estão sendo pressionados a participar da prova.

“Não quero ir. Assim como todo mundo. 19 de nós não querem ir para lá”, disse Miller após o GP da Malásia. “Não acho que deveríamos correr assim. Deixamos a nossa opinião muito clara a respeito disso. Vamos ver qual será a decisão. Como pilotos, nos unimos e fizemos o melhor que podíamos, e ameaçamos da melhor forma possível com a munição que temos a mão. Não apenas por nós, pilotos, mas também pelas pessoas do campeonato. Você fala com 50% do paddock, ninguém quer ir. Não entendo o motivo de termos de ir. Não entendo”, frisou.

“Estão seguros no momento. Eu amo o Catar. Mas as áreas ao redor são o problema que nós temos. Infelizmente, os vizinhos estão com problemas. Têm muita incerteza lá para irmos fazer um evento global”, lamentou. “Não estamos fazendo segredo do fato de que vamos correr 10h55. Não estamos escondendo a nossa localização ou a hora em que estaremos lá. Se alguém quiser dar um exemplo, fazer aquilo que eles fazem… Como eu disse, não quero ir. Na minha mente, eu não vou. Fizemos nosso plano. Nosso plano é muito claro. Vamos esperar para ver”, acrescentou.

Jack, de fato, não vai ao Catar. A Yamaha tomou a decisão de não correr em Lusail por causa dos conflitos geopolíticos e, assim, não apenas a equipe de fábrica está fora da prova, mas também a satélite Pramac. O time de Paolo Campinoti só vai alinhar no grid da Moto2, onde Izan Guevara luta pelo título contra Manuel González.

Apesar da pressão dos pilotos, a MotoGP tem ameaçado represália, com sanções não apenas financeiras, mas também esportivas.

“Eles podem nos atacar de todos os lados. Tanto financeira quanto esportivamente, com as nossas licenças e tudo mais”, comentou. “E também a equipe. Paolo é um grande amigo. Quero prejudicar a ele ou a equipe dele? De forma alguma. Mas, ao mesmo tempo, não estou a fim de forçar a barra. Todo mundo fica me perguntando que merda nós estamos fazendo. Não cabe a nós. De novo. Infelizmente, somos um número neste jogo. Somos uns 19 ou 20 que estamos bem decididos. Não queremos ir”, concluiu.

A MotoGP, aliás, reagiu à decisão da Yamaha de não correr. E, assim como tem feito com os pilotos, cogitou aplicar sanções pela ausência em Lusail

“Embora reconheçamos que a equipe está sujeita a uma política corporativa mais ampla que restringe viagens ao Oriente Médio, não acreditamos que essa decisão reflita as extensas garantias fornecidas a todas as partes interessadas do campeonato”, disse a MotoGP. “Após consulta com o Estado do Catar, o Circuito Internacional de Lusail, consultores de segurança independentes e o próprio processo contínuo de avaliação de riscos da MotoGP, não recebemos nenhuma informação que justificasse uma mudança nos planos atuais para o evento”, seguiu.

“Comunicamos essa posição, juntamente com as informações mais recentes disponíveis, a todos os fabricantes e equipes e acolhemos a confirmação do restante do grid de que competirão no Catar, e agradecemos a eles por esse compromisso”, falou. “Além das implicações contratuais da decisão para seus acordos com a MotoGP e a IRTA, a não participação da Yamaha também acarreta implicações esportivas, com quaisquer consequências esportivas a serem gerenciadas pela FIM de acordo com os regulamentos do Campeonato”, encerrou.

A preocupação dos pilotos não é sem fundamento. A população do Oriente Médio teme que o conflito entre Irã e Estados Unidos volte a eclodir.

Recentemente, Donald Trump afirmou nas redes sociais que os Estados Unidos “não atacarão o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato”. O presidente, porém, não descartou ataques após o pleito.

A guerra começou há cerca oito meses, quando EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã que mataram o líder supremo Ali Khamenei. Desde então, não houve solução diplomática para o conflito.

A MotoGP volta a acelerar de 6 e 8 de novembro, em Lusail, para o GP do Catar, 20ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.

GP do Catar de MotoGP: veja os horários no Brasil

DataAtividadeHorário
Sexta, 6/11TL18h45
Sexta, 6/11Treino13h
Sábado, 7/11Classificação08h40
Sábado, 7/11Sprint13h
Domingo, 8/11Warm-up08h40
Domingo, 8/11GP13h

Horários de Brasília

GP do Catar de MotoGP: veja os horários em Portugal

DataAtividadePortugal continental e Madeira
Sexta, 6/11TL111h45
Sexta, 6/11Treino16h
Sábado, 7/11Classificação11h40
Sábado, 7/11Sprint16h
Domingo, 1/11Warm-up11h40
Domingo, 1/11GP16h

Horários de Portugal continental e Madeira