O GP da Malásia de MotoGP deixou encaminhadas algumas das principais histórias da reta final da temporada 2026. Marc Márquez deu mais um passo importante rumo ao octacampeonato mundial, enquanto a Aprilia viu suas chances de manter Jorge Martín na disputa ficarem ainda mais distantes após a ausência do espanhol, que voltou a sofrer com as consequências da lesão no braço.

A etapa também reforçou a impressão de que Pedro Acosta tem potencial para brigar por resultados muito maiores do que aqueles que a KTM atual permite. Do lado brasileiro, Diogo Moreira mostrou competitividade, mas voltou a esbarrar nas limitações da Honda.

E, enquanto a temporada se aproxima do fim, a crise política e esportiva envolvendo o GP do Catar ganhou um novo capítulo com a decisão da Yamaha de não participar da prova.

O GRANDE PRÊMIO separou cinco pontos que ajudam a entender o que ficou do GP da Malásia.

Marc Márquez (Foto: AFP)

Marc Márquez coloca uma mão na taça e começa a fazer contas

Marc Márquez fez em Sepang o que precisava para transformar a reta final da temporada em uma contagem regressiva para o título. Com a vitória no GP da Malásia, o espanhol chegou aos 399 pontos e abriu 44 de vantagem para Jorge Martín, que não participou da etapa por causa das dores no punho fraturado no GP da Austrália.

O octacampeonato da classe rainha está cada vez mais próximo. Marc pode até encaminhar a conquista matemática no Catar, dependendo dos resultados do próximo fim de semana.

Marc Márquez (Foto: AFP)

Depois de tantos anos perseguindo o retorno ao topo e a conquista já histórica de 2025, o espanhol está muito perto de transformar uma das maiores recuperações da história recente do motociclismo em mais um capítulo de sua trajetória.

Aprilia agoniza e vê campeonato escorrer pelas mãos após ausência de Jorge Martín

A Aprilia chegou à reta final de 2026 com a possibilidade de conquistar um título que parecia improvável no início da temporada. Mas a lesão de Jorge Martín mudou completamente o cenário. Depois de fraturar o punho no acidente em Phillip Island, o espanhol voltou a sentir dores e precisou abandonar também o GP da Malásia, deixando Marc Márquez ainda mais confortável na liderança do Mundial de Pilotos.

A situação também não foi favorável para Marco Bezzecchi. Principal representante da Aprilia em Sepang, o italiano terminou apenas na sexta posição, depois de perder rendimento na disputa pelo pódio e ainda se envolver em uma batalha com Ai Ogura. Com isso, ficou 67 pontos atrás de Marc, enquanto Martín aparece 44 pontos distante do espanhol da Ducati.

Jorge Martín (Foto: AFP)

A Aprilia ainda tem três etapas para tentar reagir e mantém uma situação confortável no Mundial de Equipes. Porém, na disputa individual, o cenário ficou bastante complicado. A marca de Noale apostou em Martín para desafiar a hegemonia da Ducati e chegou a colocar o espanhol em condições de brigar pelo título. Agora, vê a campanha perder força justamente quando a temporada entra na fase decisiva.

Acosta mostra que só precisa de uma moto melhor para fazer estrago

Pedro Acosta voltou a dar uma demonstração de que tem capacidade para brigar regularmente pelas primeiras posições da MotoGP. O espanhol venceu a sprint de sábado e terminou o GP da Malásia em segundo lugar, completando um fim de semana de protagonismo em Sepang.

O problema é que, mesmo com uma atuação de alto nível, a KTM não conseguiu oferecer condições para que ele desafiasse Marc Márquez pela vitória.

Pedro Acosta terminou na 2ª colocação na Malásia (Foto: Divulgação/MotoGP)

O resultado reforça uma discussão que acompanha Acosta há algum tempo: o quanto o talento do espanhol pode render com um equipamento mais competitivo? Aos 22 anos, Pedro já mostrou capacidade de atacar, ultrapassar e sustentar disputas contra nomes estabelecidos da classe rainha.

Em Sepang, venceu a sprint e foi o único capaz de acompanhar o ritmo de Marc durante boa parte da corrida. A partir do ano que vem, com uma Ducati nas mãos, Acosta será capaz de muito mais. E com certeza o #93 terá bem mais trabalho na garagem de Borgo Panigale.

Moreira vai bem, mas sofre com moto da Honda em Sepang

Diogo Moreira teve mais um fim de semana de evolução na MotoGP, mas terminou o GP da Malásia com a sensação de que poderia ter conquistado um resultado melhor. Após pontuar na sprint com o oitavo lugar, o brasileiro largou em 14º, ganhou três posições logo na primeira volta e conseguiu avançar no pelotão até entrar na zona de top-10. A boa recuperação, porém, não se transformou em resultado.

A dificuldade para encontrar confiança na dianteira da Honda voltou a comprometer o trabalho do brasileiro. Na segunda metade da prova, Moreira perdeu o controle da moto, saiu da pista e foi parar na brita. Conseguiu retornar ao traçado, mas já na última posição, e abandonou na volta seguinte.

Diogo Moreira (Foto: LCR)

O episódio resume parte do desafio que Moreira enfrenta neste início de trajetória na classe rainha. Diogo tem mostrado potencial suficiente para assegurar a vaga na equipe de fábrica em 2027, mas a Honda ainda oferece uma moto com teto de performance limitado na comparação com Ducati e Aprilia.

O desafio para a próxima era da MotoGP é diminuir essa distância. Em 2026, porém, há pouco a fazer, sobretudo na reta final da temporada e diante da inevitável aposentadoria dos protótipos de 1000cc. De agora até o fim do ano, o que vier é lucro para o #11.

Yamaha boicota GP do Catar e aumenta crise ao redor da próxima etapa da MotoGP

A crise envolvendo o GP do Catar ganhou uma dimensão ainda maior após a Yamaha anunciar que não participará da etapa de Lusail, marcada para o próximo fim de semana. A fabricante japonesa justificou a decisão com as restrições corporativas de viagem que mantém diante do cenário de segurança no Oriente Médio.

Na prática, Fabio Quartararo, Álex Rins, Jack Miller e Augusto Fernández ficarão fora da prova. O anúncio representa uma escalada importante em um impasse que já vinha provocando desconforto no paddock.

Fabio Quartararo (Foto: Yamaha)

Os pilotos manifestaram preocupação com a realização da corrida em meio à tensão envolvendo Irã e Estados Unidos, e Jack Miller afirmou que 19 dos 22 competidores não queriam viajar ao Catar. A categoria, por outro lado, mantém o planejamento e afirma ter recebido garantias de segurança das autoridades locais, do circuito de Lusail e de consultores independentes.

A resposta da MotoGP à decisão da Yamaha também deixou claro que a situação está longe de ser resolvida. A organização lamentou a ausência da fabricante, afirmou que o restante do grid confirmou participação e ainda mencionou possíveis consequências contratuais e esportivas para a equipe japonesa.

Com isso, a etapa que poderia marcar a primeira oportunidade matemática de Marc Márquez conquistar o título passou a carregar uma crise institucional que ameaça ofuscar a própria disputa esportiva.

A MotoGP volta a acelerar de 6 e 8 de novembro, em Lusail, para o GP do Catar, 20ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.