Só o ditado popular dá conta de explicar a péssima fase da Ferrari: “nada é tão ruim que não possa piorar”. Na corrida de número 999 da sua gloriosa história, em um tão caótico quanto divertido GP da Itália neste domingo (6), a escuderia italiana deu não um, mas dois vexames e, como se não bastasse, viu outras duas equipes brilharem logo em Monza. A AlphaTauri garantiu a vitória inédita de Pierre Gasly e, mesmo a Alfa Romeo, teve seu momento de brilho e chegou a ocupar a segunda e a terceira posição, que acabou com Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Lance Stroll (Racing Point).
O futuro também não é lá muito promissor para a Ferrari, já que a próxima corrida, na semana que vem, acontece naquela que pode ser entendida como verdadeiramente a sua casa. O GP da Toscana, introduzido ao novo calendário por conta das dificuldades impostas pela pandemia do coronavírus, será disputado em Mugello, no circuito de propriedade da equipe italiana.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=5ARkKlvJRes&w=560&h=315]Problemas mecânicos acontecem no automobilismo, mas uma falha nos freios é um tanto demais justamente por que é perigoso. Em um circuito veloz como o Templo da Velocidade então, as consequências podem ser terríveis. Felizmente, nada aconteceu com o tetracampeão Sebastian Vettel, na volta 8, quando passou reto na curva 1. Mas ainda naquele tema de nada é tão ruim, Charles Leclerc, em uma luta com o carro muito aquém do aceitável, perdeu o controle na entrada da Parabólica e estampou a barreira de pneus no 24º giro.
Por conta desse acidente, a corrida ficou parada por 23 minutos para que a barreira de pneus fosse reconstituída. Logo após esse período, Lewis Hamilton caiu para o fim do grid por ter de cumprir a punição de dez segundos depois realizar seu pitstop com os boxes fechados, quando Kevin Magnussen havia provocado a entrada do safety-car. O inglês ainda que se recuperou e chegou em sétimo, mas a corrida antes inimaginável já estava armada. Outros candidatos como Valtteri Bottas, também da Mercedes, em quinto; e Max Verstappen, da Red Bull, ficaram pelo caminho.
“Foi um pesadelo pior do que esperava. Não sei o que aconteceu, mas é um pesadelo para toda a equipe. Estamos nessa posição e devemos dar nosso melhor para ter um fim digno de temporada. Temos muito trabalho a fazer e temos de nos concentrar nisso”, disse Vettel.

Foi então que no mesmo palco da primeira vitória de Vettel, em 2008, então com uma Toro Rosso, que começou como Minardi e hoje é AlphaTauri, que Gasly venceu pela primeira vez. De toda forma, o hino italiano foi tocado.
“Eu não tenho palavras”, disse o piloto francês na entrevista após a corrida, a qual ainda chegou a ser pressionado por Sainz, futuro piloto da Ferrari, que também buscava sua primeira vitória. “O destino faz muito por mim. A AlphaTauri me deu a chance de entrar na F1 então sou muito grato a eles e também à Honda.”
O calvário da Ferrari é tanto, um aparente caso perdido para a atual temporada, que Kimi Räikkönen e Antonio Giovinazzi chegaram a ocupar a segunda e a terceira posição. Os dois não sustentaram a posição, dentro dos padrões para uma equipe ainda sem resultados expressivos, e terminaram respectivamente em 13º e em 16º — assim como Hamilton, Giovinazzi, italiano, foi outro que foi punido por entrar nos boxes em momento errado.

A Ferrari foi punida (sem ser) por irregularidades no motor na temporada passada e que, claro, seria replicado nesta. Em um ‘acordo secreto’ com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo), nada foi bem esclarecido. Fato é que Vettel e Leclerc têm carros praticamente impossíveis de guiar em alto nível. A adequação às regras atrasou a escuderia em dois anos, já que para 2021, último ano do atual regulamento técnico, o carro não deva ter grandes investimentos.
O único alento da Ferrari neste momento pode ser a ausência de tifosi nas arquibancadas. A vergonha certamente seria ainda maior diante de seus apaixonados torcedores. Ah… Também não será em Mugello que Hamilton, hoje com 89 vitórias, irá igualar o recorde de 91 triunfos de Michael Schumacher.