Nem mesmo o grande resultado conquistado e a satisfação de competir mais uma vez ao lado de Max Verstappen foram capazes de fazer com que Lewis Hamilton evitasse criticar o novo regulamento da Fórmula 1. Após o fim do GP do Canadá, realizado no domingo (24), o heptacampeão mundial falou que ainda existe uma “sensação estranha” ao pilotar os novos carros.

Com a parte elétrica agora tendo uma participação de aproximadamente 50% na unidade de potência, muitos competidores passaram a se queixar da necessidade de realizar manobras contraintuitivas para recuperar energia — como o lift and coast, por exemplo — e também da queda de velocidade no meio das retas, o que forçou a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) a fazer alguns ajustes a partir do GP de Miami.

No entanto, diferentemente da pista localizada nos arredores do Hard Rock Stadium, o Circuito Gilles Villeneuve é um dos mais difíceis do calendário para gerenciar energia, o que mais uma vez colocou em evidência algumas falhas do regulamento, principalmente com o super clipping reaparecendo de forma mais acentuada. Por isso, em entrevista coletiva em Montreal, Hamilton negou que as alterações feitas pela F1 tenham tornado a disputa mais natural.

“Definitivamente não é algo natural, disso tenho certeza. Ainda continua sendo uma sensação estranha. Você pisa no acelerador, abre o Modo Reta, e então a potência simplesmente some no meio da reta e o giro começa a cair. Não parece como o automobilismo deveria ser”, explicou.

“O motor deveria estar berrando até o fim da reta, sempre no limite. Era assim na época dos V8 ou dos V10 — eles simplesmente tinham potência até o fim. É um elemento das corridas que nunca existiu antes”, apontou o titular da Ferrari, que, por outro lado, reconheceu que o layout dos carros é melhor.

“No fim das contas, o carro é fundamentalmente um projeto melhor, então conseguimos correr mais próximos e nos seguir de perto, e essa é a melhor parte. A questão da potência, acho que é menos empolgante”, encerrou.

Lewis Hamilton destacou que os carros continuam estranhos de pilotar (Foto: Ferrari)

Para amenizar a situação, FIA, F1, fabricantes e equipes chegaram a um acordo para ampliar a potência do motor térmico em aproximadamente 50 kW — pouco menos de 70 cv — por meio do aumento do fluxo de combustível. Contudo, como a proposta vai exigir um investimento de aproximadamente US$ 10 milhões (R$ 50,1 milhões, na cotação mais recente), algumas fabricantes estão resistentes a fazer essa mudança já para 2027, desejando postergá-la por mais uma temporada.

A Fórmula 1 retorna entre os dias 5 e 7 de junho, com a realização do GP de Mônaco, sexta etapa da temporada 2026.

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