Publicado em 24/07/2026 às 16:21
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SÃO PAULO(tudo esgotado) – O primeiro dia de treinos em Budapeste que não é Budapeste (é Mogyoród) foi menos quente do que se esperava e teve um resultado razoavelmente normal. Os termômetros não bateram nos 30 graus, como de hábito em GPs da Hungria. Estacionaram na casa dos 24, um alívio para todos. E a Ferrari ficou em primeiro nas duas sessões — primeiro com Charles Leclerc, depois com Lewis Hamilton.
Normal, o resultado, porque já se imaginava que a Ferrari iria andar bem. A pista é travada, lenta e não exige muita potência. Carros equilibrados acabam se adaptando melhor a esse tipo de circuito. Os italianos têm um bom chassi.
Hamilton na frente: Ferrari favorita
O asfalto recapeado de Hungaroring não agradou muito. Todos os pilotos se queixaram da falta de aderência e de ondulações indesejáveis. Mas é igual para todo mundo. Os tempos de hoje ficaram muito longe dos registrados no ano passado, mas vão cair bastante na medida em que o piso for ficando mais emborrachado e limpo — a pista é pouco usada durante o ano. Hamilton fez 1min18s729 na melhor volta do dia. A pole de 2025, de Leclerc, foi quase 3s5 mais rápida: 1min15s372.
Na primeira sessão, cinco pilotos novatos foram escalados por McLaren, Haas, Mercedes, Alpine e Cadillac. Por isso, o resultado não é dos mais significativos. Mas um piloto em particular ficou feliz: Fernando Alonso.
Alonso: carro quase todo refeito
A Aston Martin levou nada menos do que 16 atualizações para seu carro, um dos piores de todos os tempos. O espanhol, então, conseguiu um 13º lugar que não seria motivo de festa para ninguém, mas para ele foi. Neste ano, a equipe vinha andando de 19º para trás, com tempos de Fórmula 2. O outro carro do time, no entanto, teve uma quebra de suspensão esquisita. Lance Stroll nem participou do segundo treino por conta disso.
De qualquer forma, é um progresso. Na próxima etapa, a Honda entrega um novo motor. E pode ser que a Aston Martin saia da lama. O desempenho de hoje já preocupou pelo menos um piloto, Alexander Albon, da igualmente famélica Williams. “Eles melhoraram muito e vamos ter de brigar, agora, para passar do Q1”, falou o tailandês, desanimado.
A quebra de Stroll: imprevisto do dia para a Aston Martin
No segundo treino, Alonso voltou a andar lá atrás, mas aprovou as mudanças promovidas pelo projetista Adrian Newey. “Não tem milagre, mas agora sabemos que temos um caminho a percorrer, pelo menos”, falou o veterano. Ontem, Fernandinho disse que continua na Aston Martin no ano que vem, mas não garantiu que segue na F-1. Há quem acredite que ele pode estar migrando para o WEC. A ver. Creio que tudo depende da intensidade da luz que vai se acender no fim do túnel quando o carro estiver totalmente revisado e com motor novo.
Os tempos do segundo treino: Ferrari bem distante da concorrência
Como vê acima, a diferença da Ferrari para o terceiro lugar, Lando Norris, foi exagerada: quase meio segundo. Não é comum para uma pista tão curta quando a da Hungria, com seus meros 4.381 m de extensão. A Mercedes, então… Ficou a quase 1s de distância com George Russell e a 1s964 com Kimi Antonelli. O italiano cedeu seu carro a Frederik Vesti no primeiro treino e, no segundo, teve uma volta rápida com pneus macios interrompida por uma bandeira vermelha — batida de Franco Colapinto — e outra, pelo tráfego. Deve melhorar bem amanhã. Mas os dois perceberam que a Ferrari parece estar mesmo um passo à frente.
A equipe alemã fez todas as pole-positions deste ano, mas pode ser que neste fim de semana a série seja quebrada.
Bortoleto: sexto no ano passado
Por fim, Gabriel Bortoleto. O brasileiro vem de duas corridas nos pontos e, no ano passado, foi na Hungria que obteve seu melhor resultado, um sexto lugar. O carro da Audi também tende a andar bem no circuito magiar, porque é bem construído e combina com a pistas sinuosas e travadas. Se conseguir uma posição de largada entre os dez primeiros, Bortoleto tem boas chances de pontuar de novo. O mesmo vale, claro, para seu companheiro Nico Hülkenberg — que, no entanto, está zerado nesta temporada.
A definição do grid para o GP da Hungria, 11ª etapa do Mundial, acontece amanhã às 11h da Papuda. Largar na frente nessa pista, todos sabem, é fundamental. Depois dessa corrida, a F-1 entra em férias de verão. Aí será a hora de especular sobre o futuro de muita gente. Mas, antes, temos um GP pela frente.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.