SÃO PAULO (tudo esgotado) – O primeiro dia de treinos em Budapeste que não é Budapeste (é Mogyoród) foi menos quente do que se esperava e teve um resultado razoavelmente normal. Os termômetros não bateram nos 30 graus, como de hábito em GPs da Hungria. Estacionaram na casa dos 24, um alívio para todos. E a Ferrari ficou em primeiro nas duas sessões — primeiro com Charles Leclerc, depois com Lewis Hamilton.

Normal, o resultado, porque já se imaginava que a Ferrari iria andar bem. A pista é travada, lenta e não exige muita potência. Carros equilibrados acabam se adaptando melhor a esse tipo de circuito. Os italianos têm um bom chassi.

F1 2026, HUNGRIA, TREINO LIVRE, FERRARI, LEWIS HAMILTON
Hamilton na frente: Ferrari favorita

O asfalto recapeado de Hungaroring não agradou muito. Todos os pilotos se queixaram da falta de aderência e de ondulações indesejáveis. Mas é igual para todo mundo. Os tempos de hoje ficaram muito longe dos registrados no ano passado, mas vão cair bastante na medida em que o piso for ficando mais emborrachado e limpo — a pista é pouco usada durante o ano. Hamilton fez 1min18s729 na melhor volta do dia. A pole de 2025, de Leclerc, foi quase 3s5 mais rápida: 1min15s372.

Na primeira sessão, cinco pilotos novatos foram escalados por McLaren, Haas, Mercedes, Alpine e Cadillac. Por isso, o resultado não é dos mais significativos. Mas um piloto em particular ficou feliz: Fernando Alonso.

Alonso: carro quase todo refeito

A Aston Martin levou nada menos do que 16 atualizações para seu carro, um dos piores de todos os tempos. O espanhol, então, conseguiu um 13º lugar que não seria motivo de festa para ninguém, mas para ele foi. Neste ano, a equipe vinha andando de 19º para trás, com tempos de Fórmula 2. O outro carro do time, no entanto, teve uma quebra de suspensão esquisita. Lance Stroll nem participou do segundo treino por conta disso.

De qualquer forma, é um progresso. Na próxima etapa, a Honda entrega um novo motor. E pode ser que a Aston Martin saia da lama. O desempenho de hoje já preocupou pelo menos um piloto, Alexander Albon, da igualmente famélica Williams. “Eles melhoraram muito e vamos ter de brigar, agora, para passar do Q1”, falou o tailandês, desanimado.

A quebra de Stroll: imprevisto do dia para a Aston Martin

No segundo treino, Alonso voltou a andar lá atrás, mas aprovou as mudanças promovidas pelo projetista Adrian Newey. “Não tem milagre, mas agora sabemos que temos um caminho a percorrer, pelo menos”, falou o veterano. Ontem, Fernandinho disse que continua na Aston Martin no ano que vem, mas não garantiu que segue na F-1. Há quem acredite que ele pode estar migrando para o WEC. A ver. Creio que tudo depende da intensidade da luz que vai se acender no fim do túnel quando o carro estiver totalmente revisado e com motor novo.

Os tempos do segundo treino: Ferrari bem distante da concorrência

Como vê acima, a diferença da Ferrari para o terceiro lugar, Lando Norris, foi exagerada: quase meio segundo. Não é comum para uma pista tão curta quando a da Hungria, com seus meros 4.381 m de extensão. A Mercedes, então… Ficou a quase 1s de distância com George Russell e a 1s964 com Kimi Antonelli. O italiano cedeu seu carro a Frederik Vesti no primeiro treino e, no segundo, teve uma volta rápida com pneus macios interrompida por uma bandeira vermelha — batida de Franco Colapinto — e outra, pelo tráfego. Deve melhorar bem amanhã. Mas os dois perceberam que a Ferrari parece estar mesmo um passo à frente.

A equipe alemã fez todas as pole-positions deste ano, mas pode ser que neste fim de semana a série seja quebrada.

Bortoleto: sexto no ano passado

Por fim, Gabriel Bortoleto. O brasileiro vem de duas corridas nos pontos e, no ano passado, foi na Hungria que obteve seu melhor resultado, um sexto lugar. O carro da Audi também tende a andar bem no circuito magiar, porque é bem construído e combina com a pistas sinuosas e travadas. Se conseguir uma posição de largada entre os dez primeiros, Bortoleto tem boas chances de pontuar de novo. O mesmo vale, claro, para seu companheiro Nico Hülkenberg — que, no entanto, está zerado nesta temporada.

A definição do grid para o GP da Hungria, 11ª etapa do Mundial, acontece amanhã às 11h da Papuda. Largar na frente nessa pista, todos sabem, é fundamental. Depois dessa corrida, a F-1 entra em férias de verão. Aí será a hora de especular sobre o futuro de muita gente. Mas, antes, temos um GP pela frente.