SÃO PAULO (zzz) – A boa notícia é que amanhã vai chover. Tempestade braba, ventania, trovoadas, alagamentos, lamaçal para entrar no autódromo, caos total. Tem gente até falando que se as previsões se confirmarem, podem ter até de adiar a classificação para domingo de manhã. É medida extrema que raramente se concretiza, mas acontece. Corrida? […]
Publicado em 29/07/2022 às 15:34
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Leclerc na frente: no seco, Ferrari “imbatível”, diz a Red Bull
SÃO PAULO (zzz) – A boa notícia é que amanhã vai chover. Tempestade braba, ventania, trovoadas, alagamentos, lamaçal para entrar no autódromo, caos total. Tem gente até falando que se as previsões se confirmarem, podem ter até de adiar a classificação para domingo de manhã. É medida extrema que raramente se concretiza, mas acontece. Corrida? Temperaturas mais baixas e pista seca. É com esse cenário que trabalham as equipes na Hungria.
Hoje, nos treinos livres, a Ferrari se manteve na frente sem grandes problemas e confirmou seu favoritismo no circuito magiar — travado, sinuoso, bom para os carros vermelhos que tracionam bem e são muito eficientes em curvas de baixa velocidade. “No seco não vai dar para ganhar deles”, vaticinou Max Verstappen, quarto colocado no segundo treino livre, quase 0s3 atrás de Chaleclé, o mais rápido do dia com 1min18s445.
Tempos do segundo treino: surpresa foi Norris em segundo
Houve algumas surpresas na folha de tempos, como Norris em segundo, Ricciardo em quinto e Vettel em sétimo. A Mercedes sofreu, como se esperava. A pista não agrada os complicados carros prateados e Hamilton disse que é “uma loucura” a mudança de comportamento do W13 de um circuito para o outro. “Sou o mesmo piloto da semana passada”, brincou, comparando o segundo lugar no GP da França com o 11º de hoje na classificação.
É só treino livre, a gente sabe, e as coisas mudam da abertura dos trabalhos até a bandeira quadriculada. De qualquer maneira, todos, menos os ferraristas, torcem muito para que o aguaceiro venha mesmo, porque é uma das poucas possibilidades de um grid embaralhado para a prova de domingo. Como se sabe, posição de largada é essencial em Hungaroring e ninguém quer sair muito atrás, perto daquele cara que passa com a bandeira verde no fundo do pelotão — amicíssimo de Latifi.
Podemos apelar para as caixinhas?
Previsão do tempo……bolo dos 41 anos de Alonso……e Hamilton com as meninas
HOMEM DO TEMPO – À esquerda, na galeria, a previsão os próximos dois dias em Mogyoród, cidade a 20 km de Budapeste onde fica o circuito. Hoje fez calor, como se esperava, acima dos 32°C. Mas a onda tenebrosa de temperaturas altíssimas no verão europeu até que não castigou muito a F-1. Semana passada, em Paul Ricard, os termômetros mal passaram dos 30°C. E no fim de semana húngaro o dia quente foi hoje. As coisas se acalmam amanhã e depois.
HOMEM NO TEMPO – No centro, o bolinho de aniversário para Fernando Alonso, que hoje completou 41 primaveras. É o piloto mais velho em atividade e segue negociando sua permanência na Alpine. O espanhol se sente competitivo. E tem sido. Fez pontos nas últimas sete corridas. E foi na Hungria que venceu pela primeira vez, 19 anos atrás, pela Renault.
MULHERES NO TEMPO – E na foto à direita (cliquem na dita cuja que a imagem abre grandona e dá para ver tudo), Lewis Hamilton foi até o paddock da W Series, o campeonato das meninas, para visitar as estrelas da competição. Não tenho falado da categoria aqui, mas o Grande Prêmio acompanha de perto. Se quiserem seguir pelo site oficial, é só entrar aqui. A inglesa Jamie Chadwick lidera a classificação com folga depois de quatro etapas disputadas. Tem 125 pontos, contra 55 de Abbi Pulling, também britânica. A catarinense Bruna Tomaselli é a única brasileira na competição.
Magnussen: “Ferrari branca”
Para fechar o noticiário chinfrim do dia, registre-se que a Haas levou atualizações para a Hungria que foram instaladas por enquanto apenas no carro de Kevin Magnussen. Na TV vocês verão como as laterais estão parecidíssimas com as da Ferrari. Tipo copy-paste.
Até agora, ninguém reclamou. Nem vai.
Às 19h, como de hábito, estaremos ao vivo no YouTube para falar da sexta-feira húngara. Até lá!
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.