SÃO PAULO (a Euro é demais) – Desculpem a hora. Sexta de reuniões, Alemanha roubada, Portugal x França e cachorro no veterinário! E treino durante meu programa na Placar TV, o que significa que só vi depois. Então seremos breves no textão, que hoje será textinho. Porque daqui a pouco tem live, às 20h. O […]
Publicado em 05/07/2024 às 18:34
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Norris: favorito, sim
SÃO PAULO (a Euro é demais) – Desculpem a hora. Sexta de reuniões, Alemanha roubada, Portugal x França e cachorro no veterinário! E treino durante meu programa na Placar TV, o que significa que só vi depois.
Então seremos breves no textão, que hoje será textinho. Porque daqui a pouco tem live, às 20h.
O lance é o seguinte: pela primeira vez no ano — e podemos incluir 2022 e 2023 na conta — a Red Bull não é favorita à vitória num GP. Eu achava que ia andar muito bem em Silverstone. Mas o carro do fim de semana parece ser o da McLaren. E se é para apontar um candidato com maior chances de ganhar o GP da Inglaterra, fiquemos com Lando Norris.
Não só pelos resultados dos treinos livres de hoje — estão aí embaixo, com dobradinha papaia. Mas pelos depoimentos dos pilotos. Sainz, da Ferrari, colocou a McLaren “em outra liga”. Verstappen, da Red Bull, sabe que tem como melhorar amanhã, mas não muito. Helmut Marko, guru do time, admitiu que hoje a equipe não economizou ao despejar potência nos motores de seus carros, como costuma fazer às sextas-feiras. Admitiu ou mentiu — saberemos amanhã.
Segundo treino: McLaren voando
Um dia que tem Pérez como o melhor Red Bull, claro, é de estranhar. Mas os quase 0s7 que Verstappen levou de Norris preocupam o time dos energéticos. Considerando a diferença média que Max coloca em Checo, dá para imaginar que o holandês estaria mais perto de seu mais novo rival e ainda amigo do peito. Mas não seria capaz de superá-lo.
Foi interessante ver Hülkenberg em quarto, com um carro da Haas que, puxa vida!, tem atualizações em Silverstone. Stroll e Alonso, da Aston Martin, também andaram com consistência ao longo dos dois treinos e são candidatos ao top-10 na classificação. Mercedes e Ferrari não se encontraram. A dupla do time italiano já descartou qualquer chance de brigar pela ponta. Hamilton e Russell apelaram para o clássico “temos muito trabalho pela frente”.
Stroll, Pérez e Alonso: ânimo na Aston Martin e no sorriso do mexicano
A segunda sessão de treinos livres aconteceu com temperatura baixa e chuva fraca nos últimos cinco minutos, o que impediu aqueles que tinham deixado para fazer tempo no fim de melhorarem suas marcas.
A previsão para amanhã na Inglaterra, além de um novo governo, finalmente, é de tempo instável. O que não é novidade, tratando-se da ilha.
Chuva, Pérez, Piastri, Lando: imagens de Silverstone
E agora vamos a algumas caixinhas para não deixar arestas.
DE VOLTA? – Falamos da possibilidade de Ricciardo na Williams, ontem. Mas hoje o nome que surgiu com mais força para 2025 foi o de Bottas. Ele defendeu a equipe por quatro anos, de 2013 a 2016. Então foi para a Mercedes, para o lugar de Rosberguinho. O time inglês desistiu de Sainz.
VOLTOU – E a Argentina voltou a ter um piloto num fim de semana de GP. Franco Colapinto andou com a Williams e ficou em 18º, 0s4 atrás de Albon. Depois foi cuidar de suas coisas na F-2. Nunca é demais lembrar: o último argentino a disputar um GP foi Gastón Mazzacane, em 2001. Não deixou muitas saudades, coitado. Mas era bom sujeito.
NAS TELAS – Decidido: o filme produzido e estrelado por Brad Pitt estreia no verão do ano que vem — verão europeu, meio do ano. O nome foi escolhido: “F1”. Muito criativo.
Bottas: Williams?Colapinto: hermanoNas telas: em 2025
NO YOUTUBE – Confirmando: nossa live hoje começa um pouquinho mais tarde, às 20h. Até!
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.