RIO (tudo igual?) – Três carros da Mercedes pontearam a folha de tempos na volta da F-1 hoje na Áustria. Dois carros deste ano e um do ano passado. Foi meio assustadora a diferença de Hamilton para Bottas, quase 0s2 numa pista curtinha onde normalmente os tempos ficam muito próximos. E apavorante para o resto, […]
Publicado em 03/07/2020 às 16:17
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RIO (tudo igual?) – Três carros da Mercedes pontearam a folha de tempos na volta da F-1 hoje na Áustria. Dois carros deste ano e um do ano passado. Foi meio assustadora a diferença de Hamilton para Bottas, quase 0s2 numa pista curtinha onde normalmente os tempos ficam muito próximos. E apavorante para o resto, especialmente Red Bull (Max a 0s911) e Ferrari (Vettel a 0s647 e Charlinho a 0s994). Acho que Leclerc tinha razão. O carro vermelho é bem ruizinho.
Claro que é só uma sexta-feira, mas esses treinos sempre dão pistas, ainda mais numa temporada em que todos têm pressa para andar bem logo — ninguém sabe nem quantas corridas teremos. Pérez em terceiro só surpreendeu aqueles que se esqueceram da pré-temporada. A Racing Point copiou o carro da Mercedes de 2019 na cara dura para garantir um ano de bons pontinhos e uma verba robusta para 2021, já como Aston Martin. Ninguém reclamou, vamos em frente.
2020 Austrian Grand Prix, Friday – Steve Etherington
Reclamação veio da Red Bull, que protestou oficialmente contra o uso do DAS (dual-axis steering), o dispositivo instalado nos carros de Hamilton e Bottas que, puxando o volante para trás, altera a convergência das rodas e atua diretamente na gestão da temperatura dos pneus. Toto Wolff disse que não está muito preocupado. “Eles só vão usar isso quando os engenheiros pedirem, e funciona bem em voltas de aquecimento, ou atrás do safety-car”, minimizou. “Se precisar tirar tudo bem, até porque é um negócio pesado e colocado numa posição chata de mexer.”
Ou seja: o DAS não é propriamente um pulo do gato da equipe ex-prateada e agora lindamente negra, pelo menos nas declarações oficiais. E a julgar pelo que disseram os cronômetros hoje, talvez não seja tão necessário assim, mesmo.
A foto acima é de Stroll, e seu parceiro Checo Pérez gostou muito do comportamento da Mercedes rosa. Deu a impressão de que a equipe pode liderar a “Fórmula 1 B” neste ano. Disse, porém, que ninguém deve se animar tanto assim. Ponderado, o mexicano lembrou que é só uma primeira sexta-feira, e que tem gente trabalhando duro para brigar com os clones da Mercedes. A McLaren, por exemplo, que também não foi mal hoje.
Já a Ferrari…
Leclerc falou que a falta de performance não tem nada a ver com algo específico que porventura seu carro tenha de errado. Meio que falta tudo. Mesma opinião de Vettel — que mencionou aderência baixa, pressão aerodinâmica manca e velocidade baixa nas retas. A SF1000, pelo jeito, nasceu torta. Por isso que o time promete “uma nova Ferrari” na Hungria. Um vexame.
Na Red Bull, pelo menos segundo Verstappen, não há motivo para desespero. “Os tempos não são tão reais assim. Tive um problema na asa dianteira. Amanhã vamos ver exatamente onde estamos, tem muita coisa para vir desse carro”, prometeu. OK. Tomara, mesmo, para que a Mercedes tenha adversários neste ano curto e estranho.
O grande carro da temporada parece ser, de novo, esse aí. A nova pintura da Mercedes, na pista, ficou lindona. E ainda passa uma mensagem anti-racista importantíssima, que não será ignorada. Hamilton já arrancou na frente e os outros que lutem.
No mais, saltou aos olhos a falta de competitividade de três equipes em especial: Alfa Romeo, Haas e Williams. Esta parece que vai segurar a lanterna mais uma vez. Pelo menos mandou uma foto bonita para fechar os trabalhos deste blog por hoje. A cobertura completa do dia #1 da F-1 em 2020 está no Grande Prêmio. Que, agora, está operando em parceria com o “Lance!”, para minha alegria — fui um dos primeiros contratados do querido diário, lá em 1997, e é bom estarmos juntos de novo.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.