SÃO PAULO (de zero a dez?) – Bem, terminou a primeira parte da pré-temporada oficial hoje no Bahrein. Aquela semana no começo de fevereiro nem pode ser considerada, já que, de fato, foi usada mais para saber se os carros andavam para a frente ou para trás. Depois de três dias, a Mercedes fechou a […]
SÃO PAULO(de zero a dez?) – Bem, terminou a primeira parte da pré-temporada oficial hoje no Bahrein. Aquela semana no começo de fevereiro nem pode ser considerada, já que, de fato, foi usada mais para saber se os carros andavam para a frente ou para trás.
Depois de três dias, a Mercedes fechou a semana na frente com Kimi Antonelli, hoje, fazendo 1min33s669 em sua melhor volta. Os tempos vão cair bastante na semana que vem na mesma pista desértica, já que serão usados pneus mais macios e as equipes já cumpriram, pelo menos a maior parte delas, o primeiro objetivo da pré: buscar confiabilidade, andar bastante e não quebrar nada.
Na Espanha, a Mercedes tinha dado mais de 500 voltas, mas no Bahrein teve dois dias de problemas chatos que a fizeram perder muito tempo nos boxes. Antonelli foi a vítima nos dois, suspensão anteontem e motor ontem. Hoje, conseguiu andar mais. E o desempenho foi ao encontro de declaração de Andrea Stella, da McLaren, que disse serem Mercedes e Ferrari as melhores até agora. “Estão mais competitivos do que nós”, falou.
Fala-se muito nesses testes, mas quase ninguém diz a verdade. Porque se disser, ou admite que o carro está uma merda, ou fica com fama de arrogante. O melhor entrevistado é sempre o cronômetro, que não mente. Mas, em compensação, pode ser manipulado.
O que o cronômetro diz até agora, de relevante, é que encontrar o equilíbrio do ano passado, com 1s5 separando primeiro do último colocado, vai demorar um pouco. Os carros mais lentos têm sido muito mais lentos que os mais rápidos. Coisa de 3, 4, 5s.
Na semana que vem, é bem possível que a maior parte dos times leve atualizações para a pista e que vejamos carros bem diferentes dos que vimos nesta semana. Acho, também, que as diferenças não serão tão abissais da ponta para a rabeira.
O que se percebeu, até aqui, é que o novo regulamento não agradou os mais bocudos. Hoje foi a vez de Fernando Alonso detonar:
“Nesses carros, até um chefe de cozinha consegue fazer curvas.”
Me senti representado, embora só cozinhe em casa, mesmo. Semana que vem tem mais três dias de testes. Por enquanto, bom Carnaval para todos!
CHIQUÉRRIMA – A Audi tem feito um ótimo trabalho de imprensa nestes seus primeiros passos na F-1. Distrubui bons textos e fotos inspiradas, vídeos sem palhaçada e informações acuradas. Não me surpreende, porque é assim há anos com carros de rua, clássicos e competições em outras categorias. Ver as quatro argolas num carro de F-1, para quem gosta de automobilismo e conhece história, é muito bacana. O desempenho ainda não veio. Mas no quesito elegância, o pessoal de ingolstadt tem se saído muito bem.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.