SÃO PAULO (só verdades) – Esta é, provavelmente, a última cobertura de F-1 no Brasil deste blog. Tenho avisado, há meses, que minha ideia é congelar a página no dia 5 de dezembro, quando se completam 20 anos de sua estreia. Mas terei de mudar os planos de cara por causa da final do Mundial, […]
Publicado em 03/11/2025 às 16:26
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SÃO PAULO (só verdades) – Esta é, provavelmente, a última cobertura de F-1 no Brasil deste blog. Tenho avisado, há meses, que minha ideia é congelar a página no dia 5 de dezembro, quando se completam 20 anos de sua estreia. Mas terei de mudar os planos de cara por causa da final do Mundial, que acontece no dia 7. Sendo assim, depois disso vou decidir o que fazer. O projeto é passar tudo para cá:
Vejam só, tem até contos eróticos… Na verdade, essa é a minha página no Substack, plataforma global de newsletters. Que, na real, nada mais são do que… blogs! Com a diferença de que as pessoas assinam essas newsletters e recebem em seus e-mails avisos cada vez que o autor posta alguma coisa. Há modalidades de assinaturas. Quem paga recebe tudo, lê tudo, tem acesso a arquivos, pode comentar como aqui. Quem não paga recebe apenas extratos dos textos, com liberação da íntegra a partir de uma assinatura paga.
Jornalistas do mundo inteiro estão migrando para o Substack, visto que as redes sociais praticamente extinguiram os veículos de comunicação, e nós jornalistas que vivemos de escrever precisamos ser remunerados de alguma forma.
Assim, voltando aos planos, o que vai acontecer é que minha produção ESCRITA mudará de endereço. Vai migrar desta plataforma, o WordPress, para o Substack. O blog não será apagado da internet. Tudo que foi escrito e publicado aqui, por mim e por vocês, permanecerá no ar. Mas congelado, que é a palavra que escolhi para substituir “desativado”. Sendo assim, já corram no link do Substack e ASSINEM A PÁGINA COM UM PLANO PAGO. Minha cobertura de F-1 com meus textos fantásticos, os melhores do mundo, passarão a ser publicados lá. A não ser que eu mude de ideia, mas não acho que mudarei.
A cobertura do GP de São Paulo, ex-Brasil, começa hoje. Vou retomar as notas curtas, como fiz durante anos na corrida de Interlagos. Com muitas cores e alegria. À primeira delas, então.
Cadeirinhas para todos
SENTA – Olha, pode ser que eu esteja enganado, mas acho que é a primeira vez que o Setor G terá cadeirinhas. Não me parece que os lugares serão marcados, porque as fotos que recebi não mostram numeração nenhuma. Me contem depois. Vocês que frequentam essa pocilga (desculpem o termo, mas desde 1990 o Setor G nunca passou de uma pocilga horrorosa e perigosa, e quem se sentir ofendido, bem, paciência…) já tiveram o direito a cadeirinhas antes? Fiquem felizes, porque não vão sentar em qualquer cadeira. Essas foram compradas do espólio da Olimpíada de Paris. Vieram 41 mil assentos, e 29 mil deles foram montados no Setor G.
MUDOU? – Essa arquibancada, em passado não muito distante, sempre foi refúgio para ogros mal-educados, incivilizados, agressivos, misóginos, hostis, violentos e homofóbicos — meu público, como costumo dizer, o tal público do automobilismo, e se alguém se sentir ofendido de novo, foda-se. Já me disseram que de uns anos para cá, uns três ou quatro, as coisas melhoraram um poucos — mulheres, por exemplo, já podem assistir ao GP sem correr o risco iminente de estupro. Tomara. Espero vossos depoimentos. Ainda sobre as cadeiras, elas vieram em 220 contêineres e começaram a ser montadas em agosto. Uma empresa que faz eventos que trouxe. Não sei para onde vão depois da prova.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.