SÃO PAULO(vai dar) – De 25 para 50 em, sei lá, 40 segundos. Essa era a diferença de pontos de George Russell para Kimi Antonelli na largada para o GP da Bélgica. Menos de um minuto depois, o inglês estava na brita. O italiano, preparando mais uma vitória, a sexta na temporada. E a vantagem para o companheiro de Mercedes dobrou.
Russell tem todos os motivos do mundo para reclamar. É verdade, sim, que não tem pilotado muito bem. É verdade que Kimi é fenomenal. É verdade que a maré de azar é braba.
Mas é verdade, também, que ele ficou sem bateria na Eau Rouge, quase levou uma bordoada por trás, se enroscou com um monte de gente na freada para a Les Combes e não teve culpa nenhuma no incidente com Lewis Hamilton.
“Tudo que quero é um carro igual ao dele”, choramingou o piloto. A Mercedes assumiu a responsabilidade. “Temos coisas pra melhorar e revisar. Um carro nosso não pode ficar sem energia como ficou”, admitiu Toto Wolff.
Por isso, a imagem do GP da Bélgica será do perdedor e não do vencedor. A vitória de Antonelli era esperada, não foi novidade. A tragédia de Russell, coitado, diz muito mais sobre o que foi essa prova.
Equipes: Audi chega na WilliamsPilotos: Hamilton volta à vice-liderança
A décima etapa do Mundial recolocou Hamilton na vice-liderança do campeonato, 45 pontos atrás de Antonelli. Entre as equipes, o oitavo lugar de Gabriel Bortoleto levou a Audi a dez pontos, encostando nos 11 da decadente Williams, que está numa draga desgraçada. E a VISA Não Gosta de Pix empatou com a Alpine em 61 pontos, mas segue atrás pelos critérios de desempate. Vai passar, porque está em ascensão. Arvid Lindblad completou cinco provas seguidas nos pontos. Seu time deve virar as férias na frente dos franceses.
A Ferrari, com 30 pontos, foi que mais somou em Spa-Francorchamps. A Mercedes marcou 25 e a Red Bull, 23. Sete times pontuaram. Ficaram fora da festa Haas, Williams, Cadillac e Aston Martin.
O NÚMERO DA BÉLGICA
…pódios alcançou a Red Bull com o terceiro lugar de Max Verstappen. A equipe é a quinta no ranking, perdendo para Ferrari (845), McLaren (562), Mercedes (323) e Williams (315).
Notícia mais importante deste início de semana: os GPs do Catar e de Abu Dhabi, dois últimos da temporada, estão na iminência de não acontecer. As outras duas corridas do Oriente Médio, Bahrein e Arábia Saudita, programados para abril, já foram cancelados. O motivo é mais do que conhecido e óbvio: a insanidade do maior idiota vivo da atualidade, Donald Trump, que declarou guerra ao Irã no fim de fevereiro.
Catar e Abu Dhabi são aliados dos EUA e alvos das retaliações iranianas. Não há condições mínimas de segurança para qualquer evento nesses países. Não se sabe se a guerra terá terminado no fim de novembro e início de dezembro, quando essas corridas deveriam ser realizadas. Mas, mesmo se terminar, pode voltar porque Trump é um imbecil imprevisível. A pergunta, agora, é: a FIA vai repor essas provas ou reduzirá a temporada, inicialmente prevista para ter 24 etapas, a 20?
Transferir essas corridas para a Europa é complicado por causa da época do ano — faz muito frio no Velho Continente. Mas não impossível. Alguns países, como Portugal e Espanha, não sofrem tanto com as temperaturas baixas. Dá para correr.
Alguma decisão deverá ser tomada nas próximas semanas. É o mínimo.
A FRASE DE SPA-FRANCORCHAMPS
“Fiquei sem a porra da bateria no meio da reta! É inaceitável! Tudo que aconteceu neste fim de semana é inaceitável!”George Russell
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… do oitavo lugar de Gabriel Bortoleto, uma surpresa até para a Audi numa pista em que ninguém apostaria muita coisa nas quatro argolas. A classificação entre os dez primeiros foi importante, a largada desta vez foi OK e o time acertou na hora do safety-car vritual, jogando o brasileiro para a frente. Daí em diante, ele adminstrou muito bem a posição. Foi o “primeiro dos outros”, como se diz. E pontuou pela segunda vez consecutiva.
Bortoleto, oitavo: surpresa até para a Audi
NÃO GOSTAMOS… da Haas, que não faz pontos há quatro corridas e ainda convive com as trapalhadas de seus dois pilotos. Esteban Ocon e Oliver Bearman se tocaram, ambos furaram seus pneus e ambos tiveram de ir aos boxes. E isso aconteceu na primeira volta! Ocon, como se sabe, está na marca do pênalti. Boatos sobre sua substituição por Rafael Câmara no ano que vem são cada vez mais intensos.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.