F1 2014: o acidente de Jules Bianchi com um guindaste no GP do Japão SÃO PAULO (putz) – Uma hora ia aparecer. Um torcedor filmava o resgate do carro de Sutil quando Bianchi aparece como um foguete e atinge o trator. As cenas são fortes. Parece evidente que os tratores para resgate de carros são […]
Publicado em 06/10/2014 às 12:11
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SÃO PAULO(putz) – Uma hora ia aparecer. Um torcedor filmava o resgate do carro de Sutil quando Bianchi aparece como um foguete e atinge o trator. As cenas são fortes.
Parece evidente que os tratores para resgate de carros são uma aberração. Daquelas que daqui a alguns anos vamos dizer: lembra quando colocavam uns tratores? Da mesma forma que dizemos hoje: lembra quando os carros de F-1 não tinham nem cinto de segurança?
A FIA deveria banir esses tratores e estabelecer algumas condições e procedimentos muito simples. Gruas, apenas. Como em Mônaco. Se em Mônaco, que é apertado pacas, eles conseguem espalhar gruas pelos pontos mais críticos da pista, por que isso não pode ser feito em autódromos bem mais amplos, com muito mais espaço? Assim, nenhum corpo estranho sobre rodas entra na pista em casos de resgate de carros.
Outra coisa. Qualquer corpo estranho (sobre rodas ou não) que tiver de entrar na pista deve ser acompanhado do safety-car. Qualquer um. Na Alemanha, foi ridículo tirarem o carro de Sutil no braço com a corrida em andamento. Se for preciso qualquer um sair de trás do guard-rail para qualquer coisa, safety-car e foda-se.
Mais uma. Bandeiras. O que era aquele japinha com bandeira verde enquanto Bianchi se estatelava debaixo de um trator? E mesmo depois da batida o pequeno samurai continuava lá com sua bandeira verde. Cadê o diretor de prova nessa hora?
Aliás, ele pode ser responsabilizado pelo que aconteceu. O trator ficou um tempão removendo o carro de Sutil e era preciso um safety-car naquela hora. Porque se um bateu num local, é porque outro pode bater também. E onde há potencial de batida não se mantém um trator sem que os pilotos reduzam drasticamente a velocidade. E bandeira amarela é pouco. Era para safety-car.
Tinha também o problema da visibilidade. Estava escuro demais.
Resumindo, vai pra casa, Charlie Whiting. Essa aí está na sua conta. E na conta da prepotência dessa gente da FIA, que é cheia de punir piloto, mas não entende um cazzo do que se passa dentro de um carro de corrida.
Seguindo…
– Há uma simulação de vídeo que mostra a dinâmica do acidente. Está aí embaixo.
– Neste outro vídeo aqui, de telemetria, há todas as indicações eletrônicas de bandeiras amarelas no trecho, os pilotos passando por ali, e Bianchi chegando e parando depois de atingir 203 km/h. É bem impressionante.
– Bianchi, segundo o boletim médico divulgado pela FIA, está em estado crítico, mas estável. Ele foi operado ontem. Teve seriíssimas lesões na cabeça.
– No mais, semana que pode ter anúncios impactantes, como Vettel na Ferrari e Alonso na McLaren. Mas diante da situação dramática de Bianchi, acredito que tudo isso vai ficar para depois do GP da Rússia.
– E quanto ao campeonato, Hamilton virou o jogo. Será o campeão.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.