SÃO PAULO (coices gratuitos) – Vale uma breve observação antes do rescaldo do GP da Espanha. Meu post pós-corrida de ontem foi para a home do UOL. Isso atrai uma fauna inacreditável. Gente que se não concorda e/ou gosta de uma opinião emitida por quem quer que seja, se acha no direito de, nos comentários, […]
Publicado em 16/05/2016 às 18:24
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SÃO PAULO (coices gratuitos) – Vale uma breve observação antes do rescaldo do GP da Espanha. Meu post pós-corrida de ontem foi para a home do UOL. Isso atrai uma fauna inacreditável. Gente que se não concorda e/ou gosta de uma opinião emitida por quem quer que seja, se acha no direito de, nos comentários, sair xingando todo mundo.
[bannergoogle]Eu, normalmente, apago muita coisa. Vocês nem têm ideia de quantos comentários e/ou usuários vão para a caixa de spam.
Mas, às vezes, respondo. Com alguma virulência.
Por conta disso, gostaria de pedir desculpas. Desculpas por ser tão educadinho nas respostas. Porque, na realidade, essa gente — que não conheço, não quero conhecer e prefiro que fique longe daqui — merece uma surra de vara de marmelo, em primeiro lugar. Depois, que voltem para a escola para aprender a escrever. Por fim, que tenham uma morte dolorosa. Todos.
Agora, vamos ao que interessa.
A batida entre Hamilton e Rosberg, mais do que a vitória de Verstappinho, concentrou as discussões de botequim sobre a prova de ontem. Mantenho minha opinião. Lewis foi inábil, burro etc.
“Ah, mas o Rosberg entrou em modo de economia, a luz acendeu, ele viu a chance!”, gritarão. OK. Na hora eu não reparei. Depois, assistindo ao vídeo abaixo, isso ficou claro.
A análise é de Anthony Davidson, que sabe das coisas. A telemetria mostrou que Rosberguinho, naquele momento, estava 17 km/h mais lento que Hamilton. O problema é que o motor entrou em “modo de economia”, por algum set up errado que ele fez no grid. Rapidamente o alemão tratou de resolver a parada mudando o acerto num botão e apertando o “botão de ultrapassagem” que recupera energia e dá um gás extra na potência — aquilo que antes era feito com o KERS e, hoje, é feito com os motores elétricos auxiliares.
Nisso, a luz acendeu. Hamilton sabia do que se tratava e que o rival perderia potência. Então, julgou que dava para mergulhar e passar. Só que Nico solucionou o problema e, ao mesmo tempo, mudou a trajetória para evitar a ultrapassagem. Lewis tinha uma opção muito clara: tirar o pé para não bater. Ou, sem tirar o pé, ir para a grama. Foi o que fez, e o desastre foi total. Os dois na brita, tchau.
“Ah, mas por que você chama Hamilton de burro se admite que Rosberg estava no modo errado e perdeu potência?”, perguntarão. Porque mesmo perdendo potência, Nico não estava parado. Estava mais lento. Mas na frente. Com direito de proteger sua posição. Foi o que fez. Nessas horas, quem está atrás que recolha. Se não o fizer, ou bate no adversário, ou perde o controle do carro.
E fazer isso na primeira volta, sinceramente… Acho que foi burrice. Lewis não se conformou de ter sido ultrapassado na largada. Tentou recuperar o que perdeu imediatamente. A isso se chama afobação. Desnecessária. “Ah, mas a FIA disse que foi um incidente de corrida!”, berrarão ainda. Sim, nunca disse que não foi. Foi, claro. Sempre que ocorre um incidente de corrida, ele é causado por alguma coisa, ou alguém. O que não quer dizer que o cara deve ir para a cruz ou ser expulso da categoria. Nunca disse isso. Apenas acho que ele causou o acidente e foi burro. Acontece. Quem não pode ser culpado de levar uma traulitada pela traseira é Rosberg, que estava na frente cuidando de não ser ultrapassado.
Aparentemente, os dois pilotos compreenderam o que aconteceu e não se culparam mutuamente. Hamilton até elogiou a fase de Rosberg. O líder do Mundial, por sua vez, também evitou soltar seus cães sobre o parceiro. Admitiu que estava na configuração errada do motor, mas disse que solucionou o problema imediatamente e ficou “surpreso” que Hamilton ainda assim tentou passar pela direita.
Resumindo, Rosberg sabe que perdeu potência. E Hamilton sabe que sua tentativa envolvia um risco grande. Talvez Nico fizesse o mesmo se estivesse atrás. Talvez Lewis fizesse o mesmo se estivesse à frente. Nesse caso, o burro seria Rosberguinho. Ponto final. Se alguém quiser mais análise, o Renan do Couto fez a sua no GRANDE PREMIUM.
Agora, aos pitaquinhos…
– A Mercedes encerrou uma sequência de 62 corridas nos pontos. A última zerada foi o GP dos EUA de 2012 — falei ontem, Rosberg foi 13º e Schumacher, 16º. O recorde de provas seguidas nos pontos pertence à Ferrari: 81 entre os GPs da Alemanha de 2010 e de Cingapura de 2014.
– O time prateado quase iguala o recorde de 11 vitórias seguidas de uma equipe, a McLaren em 1988. Foram dez.
– Depois de 30 GPs seguidos com hino da Alemanha no pódio, ontem não teve. De Monza/2014 a Rússia/2016, só Rosberg, Vettel e Hamilton ganharam corridas. Como a Mercedes é alemã, nas vitórias de Lewis o hino tocou também. Ontem a dobradinha foi Holanda-Áustria.
– Coisa engraçada: os últimos dez GPs da Espanha tiveram dez vencedores diferentes.
– Alonso foi o primeiro a abraçar Verstappen no Parque Fechado. Legal, isso.
– Vettel anda chorando demais. Ficou meio ridícula sua reclamação pelo rádio contra a tentativa de Ricciardo ultrapassá-lo no fim da corrida. O australiano tirou uma dele no Twitter.
– Prêmio de consolação para o desolado Kvyat: ele fez a melhor volta da corrida. Foi a primeira no cartel da Toro Rosso. O soviético disse que, se estivesse ainda na Red Bull, também poderia ganhar a prova em Barcelona. Pode até ser. Mas o destino, às vezes, é cruel.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.