RIO (estilo é tudo) – O abraço carinhoso de Hamilton em seu pai, depois do GP de Portugal, está eternizado. Mas tem também uma outra foto carregada de ternura que gostaria de destacar neste “day after” da corrida em que o inglês bateu o recorde de vitórias na F-1, status que ficou nas mãos de […]
Publicado em 26/10/2020 às 20:36
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RIO (estilo é tudo) – O abraço carinhoso de Hamilton em seu pai, depois do GP de Portugal, está eternizado. Mas tem também uma outra foto carregada de ternura que gostaria de destacar neste “day after” da corrida em que o inglês bateu o recorde de vitórias na F-1, status que ficou nas mãos de Michael Schumacher de 2001 até ontem. O número mágico de 91 vitórias foi alcançado pelo alemão na China em 2006. Mas ele se manteve como recordista desde a 52ª, na Bélgica, em 2001 — quando superou o então recordista Alain Prost.
A foto acima foi tirada de tardezinha, depois do tradicional registro com todos os integrantes que as equipes fazem após vitórias em GPs. Para aparecer junto de sua turma em Portimão, Lewis fez questão de buscar Roscoe, seu cãozinho, com quem tem dividido dias e noites no motorhome que vem usando nos autódromos. Quem não gosta de cachorro nem gente é!
O GP de Portugal de 2020 já está na história por ter sido o do recorde. Mas fica a pergunta: até onde irão os números de Hamilton? Eu acho que ele bate nas 100 poles nesta temporada, ainda. As 100 vitórias, no ano que vem. Tenho dó dos que tentarem superar essas marcas, no futuro. Não será nada fácil, não.
Dupla imbatível: Hamilton e Mercedes, fábrica de recordes
Bem, este rescaldão é dedicado aos temas que acabaram passando batidos no fim de semana, então vamos atualizar logo de cara algumas coisas.
Vocês viram que o pai de Vitaly Petrov foi assassinado? História mais doida, sô! Petrov voltou ao noticiário por ter sido escalado como comissário esportivo do GP de Portugal. A escolha foi muito criticada por Hamilton, porque o piloto russo andou falando umas merdas aí sobre racismo e preconceito.
O crime aconteceu no sábado. Petrov, obviamente, não ficou no Algarve para a corrida.
Esqueci de falar ontem que Hamilton reclamou de cãibras durante a prova. Disse que teve de tirar o pé no fim da reta algumas vezes, para combater a dor.
Na hora, anotei no meu bloquinho: “É no maxilar, de tanto dar risada do Bottas”. Pura maldade.
Hülkenberg estava no Algarve para trabalhar na TV. Quem o viu garante que tinha levado um capacete. Just in case. Acabou não precisando.
A AlphaTauri completou nove corridas seguidas nos pontos. Gasly já somou, em 12 etapas, 63. O mesmo que fez pela Red Bull no ano passado, também em 12 etapas.
A Red Bull abusou nos pit stops. Fez dois abaixo de 2s, um no carro de Albon (1s86) e um no de Verstappen (1s96). O segundo de Albon também foi bom (2s1). Ou seja: em 5s92, foram trocados 12 pneus.
A FRASE DE PORTIMÃO
Mattia Binotto: punhalada em Vettel
Espero que Sebastian possa se classificar melhor em Imola e mostrar do que é capaz na corrida. Charles é muito bom. Mas esperávamos um pouco mais do segundo piloto.
O “segundo piloto” é Vettel, como todos podem imaginar. A alfinetada do chefe da Ferrari, Mattia Binotto, doeu no alemão. E veio em resposta às entrevistas que ele deu depois da corrida. Sebastian terminou em décimo. Charlinho, em quarto. “É óbvio que o outro carro é mais rápido que o meu nos trechos onde perco tempo. Qualquer idiota consegue ver isso na telemetria, e eu não sou um idiota. Do outro lado tudo parece mais fácil”, disse o alemão assim que terminou a prova. Então veio a espetada.
O clima não é bom. Vettel não vê a hora de terminar este campeonato.
Voltemos a Hamilton, o recordista. Na pena do nosso Marcelo Masili, o cara que foi aplaudido por todos seus antecessores domingo. Todos aqueles que superou e que, ao mesmo tempo, admira e respeita.
Seu pai, Anthony, acabou sendo um dos personagens do fim de semana, e o abraço no filho ao final da corrida foi dos momentos mais comoventes do ano. Depois, foi corujar o filho descendo o dedo na câmera de seu tablet. Abaixo, algumas das imagens que também ficarão para a posteridade. Um pai e seu filho. Nada mais.
Ah, pode ser mais uma pequena galeria com abraços e festa? Pode, né? O cara merece.
Tem abraço com o engenheiro, o famoso Bono — ex de Schumacher na Mercedes, com Lewis desde o início no time –, abraço com Bottas, banho de champanhe de Verstappen e o carinho no carro, que muitas vezes a gente negligencia nessas horas. Que automóvel esse W11, putz.
Ah, vale a menção: Bottas chegou 25s592 atrás de Hamilton. Sim, é um grande automóvel, o W11. Mas nas mãos de Lewis, é mais.
O NÚMERO DE PORTUGAL
…vitórias. Não dava para ser outro, né? Noventa e duas vitórias, a primeira delas no Canadá em 2007, seu ano de estreia, pela McLaren. Foram 21 pela equipe inglesa, sempre com motores Mercedes. As outras 71, defendendo o time alemão, onde está desde 2013. Hamilton ganhou corridas em todas as temporadas que disputou. A pior foi justamente a da estreia pela Mercedes, em 2013, com apenas um triunfo — no GP da Hungria.
Acho que não faltou mais nada sobre a corrida. Mas vale, de novo, celebrar a volta de Portugal ao calendário e reforçar a torcida para que essa etapa permaneça no calendário. Dizem que a Liberty quer 30 milhões de euros dos promotores. Não sei se vai ser fácil arrumar essa grana num país pequeno, de mercado restrito — que vai bem economicamente, mas não rasga dinheiro.
Para fechar, falta apenas o nosso tradicional termômetro de cada GP.
GOSTAMOS
Kimi: fenomenal
…da fenomenal largada de <<< Kimi Raikkonen, que só pelo que fez na primeira volta no Algarve já merece ser confirmado pela Alfa Romeo no ano que vem. Se você não viu, está aqui. Veja, reveja, veja de novo e fique admirando, o tempo que for preciso, a pilotagem de um veterano extra-classe.
NÃO GOSTAMOS
Stroll: excesso de bobagens
…das barbeiragens de Lance Stroll >>>, que nos treinos se enroscou em Verstappen e, na corrida, tentou passar Norris pelo lado errado e estragou a corrida de ambos. Esse moço, de vez em quando, surta.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.