A IMAGEM DA CORRIDA

MACARAÚ (mais dois dias só…) – Para uma corrida sem nenhuma graça, uma imagem idem. Esse frame da TV aí no alto é do momento que decidiu o GP da Espanha ontem. Na 13ª volta, Lance Stroll, que se arrastava nas últimas posições, teve um problema nos freios. Foi à pequena área de escape para tentar um cavalo-de-pau e voltar à pista. Disse que o carro perdeu potência no processo todo e não conseguiu. Abandonou a corrida.
Naquele momento, a procissão madrilenha tinha Lando Norris em primeiro, seguido por Kimi Antonelli, Max Verstappen e Charles Leclerc. George Russell era o quinto.
Com o carro de Stroll empacado na área de escape, a direção de prova acionou o safety-car virtual. Norris tinha acabado de passar pela entrada dos boxes. Antonelli e Verstappen entraram correndo. Leclerc passou direto. Russell também entrou.
O regime de safety-car virtual – posso chamar só de VSC para economizar meu teclado? – dura até a hora em que o diretor de prova resolve suspendê-lo. Os boxes ficam abertos. Muita gente acha isso um erro. Eu acho que tudo bem, às vezes a sorte sorri para alguns e manda uma banana para outros. Como na vida.

Ontem, a banana foi para Norris, que não teve tempo de entrar para fazer sua troca “de graça”. Foi fazê-lo ao final da volta seguinte, e aí a sorte lhe mandou outra banana: quando apontou na entrada, o diretor de prova levantou o regime de VSC, avisado pelos fiscais de que o carro de Stroll já tinha sido removido e encontrava-se em segurança no estacionamento do pavilhão 12 do Anhembi de Madri. Aí Lando não teve o que fazer. Já estava a caminho do pit stop, não havia como voltar atrás. E trocou seus pneus já sob bandeira verde, com o ritmo normal de prova retomado. Calculou que, nisso aí, perdeu uns 20s.
Leclerc assumiu a ponta. Não tinha nem ensaiado parar na volta seguinte, como fez Norris, porque, mais atrás, ainda estava longe da entrada dos boxes quando o VSC terminou. Seria um erro parar com bandeira verde. Ficaria torcendo para alguém se estabacar em algum momento da corrida para ganhar um pit stop de graça, também. Mas não aconteceu mais nada.
O abandono de Stroll, portanto, determinou o resultado do GP da Espanha. Norris venceria, se não fosse o VSC que, para ele, começou e terminou na hora errada e no lugar errado. E sabe quem disse isso?
A FRASE DE MADRI

“Nós, provavelmente, não merecemos ganhar. Lando estava no controle da corrida.”
Kimi Antonelli, da Mercedes
Norris concordou. Disse que foi “terrivelmente frustrante” perder uma corrida “quando você faz tudo perfeito, do começo ao fim”. “Fui o único piloto que não parou no VSC”, emendou.
Claro que não levou em conta os nove que deixaram para fazer suas paradas depois do VSC, esticando seus stints até onde desse, na torcida por outra intervenção do carro de segurança, fosse ele real ou virtual. Leclerc, por exemplo, foi até a volta 48 com a mesma borracha da largada. Gabriel Bortoleto parou na 47ª. Liam Lawson ficou com o mesmo jogo de pneus por 44 voltas e Oscar Piastri levou os seus por 42. Mas ninguém foi tão longe quando Pierre Gasly: 55. Parou na penúltima volta porque era obrigado. E saiu dos pontos, onde esteve por boa parte da corrida.

Antonelli abriu 81 pontos sobre Russell. O campeonato está decidido. Com oito vitórias no ano, o italiano igualou a temporada mais vitoriosa de Ayrton Senna, 1988. O brasileiro precisou de 15 GPs para chegar ao oitavo triunfo. Aquele campeonato teve 16 etapas. Kimi, ontem, disputou a 14ª do ano. O italiano ainda tem, teoricamente, nove provas pela frente – teoricamente porque Catar e Abu Dhabi seguem em dúvida por conta dos conflitos no Oriente Médio. Mesmo se vencer todas, não bate o recorde de 19 vitórias de Verstappen em 2023 – aproveitamento recorde de 86,36%. O holandês também tem a segunda melhor campanha de todas, com 15 vitórias em 2022. Essas duas temporadas tiveram 22 etapas.
Na história da F-1, seis Mundiais tiveram pilotos vencendo oito corridas. Em quatro deles quem chegou à marca acabou campeão: Senna em 1988, Micahel Schumacher em 1994, Damon Hill em 1996 e Mika Hakkinen em 1998. Dois perderam: Lewis Hamilton em 2021 e Max Verstappen em 2025.
No Mundial de Construtores, destaque para a presença da Audi na zona de pontuação pela quinta vez nas últimas seis corridas, agora com o décimo lugar de Nico Hülkenberg. O time alemão tem 17 pontos, contra 21 da Haas na disputa pelo sétimo lugar. Detalhe: a Haas não fez nenhum ponto nos últimos oito GPs. Nesse período, a Audi anotou 15. Vai acabar passando, ainda que catando milho.

O NÚMERO DA ESPANHA

…vitórias alcançou a Mercedes como fabricante de motores. A marca deixa os alemães empatados com a Ferrari. Com a de ontem, são 141 vitórias da equipe alemã e 110 de outros times que usam ou usaram seus motores ao longo da história (McLaren com 101, Brawn com oito e Racing Point com uma). No caso dos motores da Ferrari, são 250 triunfos do time de Maranello e um único de cliente – da Toro Rosso, em 2008 com Sebastian Vettel em Monza.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… do sétimo lugar de Franco Colapinto, que largou em nono e disse ter feito seu melhor fim de semana na F-1 no quesito “execução” de corrida. Não foi, porém, seu melhor resultado. Tem um sexto no Canadá neste ano. A Alpine marcou seis pontos em Madri contra dois da Racing Bulls (cansei). Na luta pelo quinto lugar do Mundial, segue o time de Faenza na frente, 77 x 68. Mas, nos últimos três GPs, os franceses marcaram 16 contra sete da filial da Red Bull. Vai ter briga até o fim, pelo jeito.

NÃO GOSTAMOS… da Williams, que segue fazendo um campeonato abaixo da crítica. Alexander Albon terminou em 15º e Carlos Sainz, piloto da casa, bateu em Yuki Tsunoda e em Fernando Alonso, foi punido e acabou abandonando. Uma tristeza. Albon disse que, pelo menos, a equipe andou na frente da Cadillac. Algo que, convenhamos, até eu faço com meu Gol bolinha da LF. Podia ter ficado quieto. A Williams completou sua oitava corrida seguida sem marcar pontos.