POÇOS DE CALDAS (no gás) – Fim de férias, um monte de aluno de castigo. A volta da F-1 em Spa foi marcada, hoje, por punições a seis pilotos que terão componentes de motor e câmbio trocados, entre eles Verstappen e Leclerc — líder e vice-líder do Mundial. Os outros são Ocon, Bottas, Norris e […]
Publicado em 26/08/2022 às 15:03
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Ferrari em Spa: punição a Leclerc
POÇOS DE CALDAS (no gás) – Fim de férias, um monte de aluno de castigo. A volta da F-1 em Spa foi marcada, hoje, por punições a seis pilotos que terão componentes de motor e câmbio trocados, entre eles Verstappen e Leclerc — líder e vice-líder do Mundial. Os outros são Ocon, Bottas, Norris e Schumacher.
Mas falaremos das atividades de pista adiante, porque é de bom tom começar com as notícias mais importantes do dia. E elas vieram com quatro argolas a tiracolo.
A sexta-feira do GP da Bélgica teve, finalmente, o anúncio oficial da entrada do Grupo Volkswagen na F-1. Foi com menos pompa e circunstância do que merecia. Alguns executivos da Audi, Stefano Domenicali, um carro fake pintado meio que de qualquer jeito e a informação: a marca estará na categoria a partir de 2026. Logo depois a Alfa Romeo informou que o contrato de locação com a Sauber, que termina no fim do ano que vem, não será renovado.
Ninguém precisa ser muito inteligente para concluir que a Audi vai comprar a Sauber e terá equipe própria, como queria — sem ter de montar nada do zero. A ideia é adquirir aos poucos 75% das ações do time suíço que, hoje, pertence a um fundo de investimento sueco. Peter Sauber está fora da jogada faz tempo. A Sauber é uma equipe de aluguel, por assim dizer. Os italianos da Alfa Romeo são seus inquilinos desde 2018. Dizem que os objetivos comerciais, esportivos e de marketing foram alcançados e no fim da próxima temporada vão procurar outro lugar para operar. Mas o mais provável é que deixem a F-1 de vez.
Não se sabe o que será da Sauber em 2024 e 2025. Será que já anda com o nome Audi? Os alemães falam de 2026 porque, como se sabe, é quando entra em vigor o novo regulamento de motores. Markus Duesmann, CEO da Audi e ex-BMW dos tempos de Sauber, claro, ainda não explicou o que vai acontecer.
A Porsche, outra marca da VW, também chega em 2026 mas com uma parceria diferente: comprando metade da Red Bull. O anúncio deve ser feito em breve.
Bélgica, agora.
Verstappen: muito mais rápido que todo mundo
Verstappen enfiou uma luneta de 0s862 no segundo colocado hoje nos treinos livres, que aconteceram com temperaturas belgicanas (17°C na segunda sessão) e tempo instável, como sempre. A chuva, sempre presente em Spa, veio em alguns momentos, mas não chegou a ensopar o asfalto. O circuito passou por reformas desde o ano passado na casa de 80 milhões de euros. Novas áreas de escape — a maior parte com brita — e arquibancadas foram construídas. A pista continua bela como sempre.
Por conta das punições já anunciadas, Christian Horner, chefe da Red Bull, disse que veremos duas corridas distintas domingo: daqueles que largarem na frente e de pelo menos dois pilotos que terão de partir do fundão buscando a recuperação. Os dois são, claro, Max e Charlinho.
Chance para Pérez e Sainz ganharem a corrida? Talvez. A dupla da Mercedes. Pode ser também, mas desde que melhorem bastante em relação ao que fizeram hoje. O ritmo de Hamilton e Russell foi muito ruim, como se vê na tabela de tempos abaixo.
Os tempos de hoje: Max disparado na frente e Mercedes mal
Caixinhas, agora?
FRANÇA FORA? – Domenicali andou metendo os pés pelas mãos e deixou escapar que a França estará fora do calendário da F-1 em 2023. Os organizadores da corrida de Paul Ricard negaram e disseram que ainda estão negociando. Mas, pelo jeito, a prova subiu no telhado.
SABÁTICO – Daniel Ricciardo recebeu ofertas da McLaren para correr na Indy ou na Fórmula E, onde a equipe mantém operações. Declinou. Falou que seu lugar é a F-1, e que se não encontrar um carro para o ano que vem, considera ficar uma temporada parado. Mas seu destino parece ser a Alpine, mesmo.
ÚLTIMO A SABER – Fernando Alonso não se bica mesmo com Otmar Szafnauer. Ao comentar as declarações do chefe da Alpine — que disse ter tomado conhecimento de sua saída pela imprensa –, falou que havia comunicado sua decisão a todo mundo na equipe. “Menos para ele”, acrescentou, debochado.
SEM CHANCES – O Conselho de Reconhecimento de Contratos da FIA vai decidir, nos próximos dias, quem tem razão no embate entre Alpine e Oscar Piastri — que também assinou com a McLaren. Seja qual for o resultado, o jovem australiano não terá clima para ficar no time francês — que o tem sob contrato desde a F-2 mas, pelo jeito, bobeou ao não cumprir alguma cláusula sobre seu futuro na F-1. Szafnauer, o chefe, disse que esperava mais “integridade” do piloto. “Espero que ele se lembre do que assinou conosco em novembro”, falou. Enquanto a pendenga jurídica não for resolvida, a McLaren não vai anunciar Piastri para 2023.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.