A paixão de Max Verstappen pelo automobilismo supera as exigências do apertado calendário da Fórmula 1. Neste fim de semana, o neerlandês disputa a etapa de Portimão do GTWC Europa e consolida uma maratona de sete semanas consecutivas em ação nas pistas, dividindo as atenções entre os monopostos e o desenvolvimento no esporte a motor de longa duração.

Nos últimos anos, a F1 promoveu uma expansão agressiva de seu campeonato, o que gerou debates constantes sobre a exaustão física e mental no paddock. Após passar boa parte dos primeiros 15 anos do século com um calendário abaixo de 20 etapas — a exceção foi 2012, quando teve exatamente duas dezenas de corridas —, a categoria começou o processo de realizar mais eventos a partir de 2016.

Em 2024, o campeonato chegou a 24 etapas, um aumento de mais de 26% em oito anos, número que se manteve em 2025. Neste ano, o número caiu para 23 — e ainda pode descer ainda para 22 se as etapas do Oriente Médio forem canceladas e substituídas por Ímola —, mas volta a ganhar mais um evento em 2027, ocupando quase metade das semanas do ano com atividades oficiais ao redor do mundo.

Para conseguir acomodar esse volume de eventos, o Mundial tem de recorrer frequentemente às rodadas triplas. Em 2026, são três blocos de etapas seguidas no calendário, que elevam o desgaste com viagens longas, mudanças drásticas de fuso horário e pressão contínua.

É exatamente em contraste a esse cenário de fadiga generalizada que a escolha de Verstappen chama a atenção. Enquanto a maior parte do grid valoriza as raras janelas de folga para recuperação, o piloto da Red Bull decidiu preencher a pausa da F1 com um compromisso nos carros de GT, criando uma jornada ininterrupta de sete semanas de competições.

A sequência começou no fim de setembro. Verstappen emendou três corridas seguidas na F1: os GPs do Azerbaijão, do Bahrein na Malásia e de Singapura. Dessas, a etapa em Sepang foi a única que não teve sprint. Após a prova do GTWC Europa em Portugal, embarca para a perna americana do Mundial, onde tem de encarar uma nova rodada tripla com GPs dos Estados Unidos, da Cidade do México e de São Paulo.

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Verstappen chega ao GTWC depois de três etapas seguidas na F1 – com 2 vitórias (Foto: Red Bull Content Pool)

A alta carga de trabalho na categoria principal do automobilismo, porém, não impede a busca por quilometragem extra. Antes de alinhar no grid do GTWC Europa, Verstappen já havia participado de outras quatro provas de endurance neste ano.

Em preparação para as 24 Horas de Nürburgring, Max disputou três etapas da Nürburgring Langstrecken-Serie (NLS). Na primeira delas, em março, cruzou a linha de chegada na primeira posição, mas o carro acabou desclassificado pelo uso de jogos de pneus acima do limite permitido. Em abril, participou das duas qualificatórias da prova de 24 horas, em dias seguidos. A primeira foi interrompida ainda na primeira meia-hora pela morte do piloto Juha Miettinen. Na segunda, liderou a primeira parte da prova, ao lado do companheiro Lucas Auer, mas perdeu quase 30 minutos nos boxes para um reparo técnico e ficou no 39º lugar.

O desfecho mais duro no traçado alemão veio na principal competição da temporada. Nas 24 Horas de Nürburgring, em maio, Max dividiu o Mercedes #3 com Auer, Dani Juncadella e Jules Gounon. O quarteto liderou boa parte da disputa, mas foi forçado a abandonar a corrida a cerca de quatro horas para a bandeirada devido a um problema no eixo de transmissão.

Essa dedicação aos projetos paralelos, com constantes idas e vindas aos carros de GT3, reflete a relação íntima do competidor com o esporte. Em 2025, durante o processo de obtenção da licença obrigatória para correr na mítica pista alemã, Verstappen explicou que o cansaço fica em segundo plano quando a oportunidade é sentar ao volante.

“Correr não é apenas minha profissão, mas meu hobby“, afirmou o neerlandês na ocasião.

O projeto da Verstappen Racing

Max Verstappen vai disputar a etapa de Portimão do GTWC Europa com um carro da própria equipe. O neerlandês alinha no grid com o Mercedes-AMG GT3 EVO #3 da Verstappen Racing.

Verstappen tem a própria equipe de GT, a Verstappen Racing (Foto: Red Bull Content Pool)

O projeto foi fundado em abril de 2022 com o objetivo de expandir a presença do piloto além da F1. Uma das principais características da iniciativa é criar uma ponte direta entre o automobilismo virtual e as competições reais, oferecendo oportunidades nos autódromos para talentos formados nos simuladores.

Para a temporada 2026, a equipe firmou uma parceria plurianual com a Mercedes-AMG, unificando as operações na Sprint Cup e na Endurance Cup. O modelo GT3 exige uma pilotagem diferente dos monopostos, contando com carroceria fechada, maior peso, motor V8 e sistemas eletrônicos como controle de tração e freios ABS, além de estar sujeito ao Balanço de Performance (BoP).

A formação original da equipe na Endurance Cup conta com Daniel Juncadella e Jules Gounon. No entanto, como os dois pilotos têm de cumprir compromissos no Mundial de Endurance (WEC) no mesmo fim de semana, Verstappen e Ben Barnicoat foram convocados.

O GRANDE PRÊMIO já contou com detalhes como funciona a Verstappen Racing.

Os companheiros de equipe de Verstappen

Na corrida de três horas em Portugal, Verstappen vai dividir a condução com os britânicos Chris Lulham e Ben Barnicoat. O trio forma a tripulação da Verstappen Racing inscrita na classe Pro, a principal divisão do campeonato.

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Lulham defende a Verstappen Racing no GTWC (Foto: GTWC Europa)

Lulham representa exatamente a filosofia da equipe de integrar o mundo virtual às pistas. Após competir no kart na infância e adolescência, o jovem britânico construiu uma carreira de sucesso nos simuladores pela Team Redline, vencendo edições virtuais das 24 Horas de Le Mans, Daytona e Nürburgring antes de retomar a trajetória no automobilismo real, em 2024.

Barnicoat, por outro lado, adiciona a experiência de um especialista em provas de longa duração. Piloto de fábrica da Lexus e campeão da classe GTD Pro no IMSA SportsCar, o britânico acumula vitórias em clássicas como as 12 Horas de Sebring e pódios importantes nas 24 Horas de Le Mans e nas 12 Horas de Bathurst.

O GRANDE PRÊMIO já detalhou mais da trajetória de Lulham e de Ben Barnicoat, os companheiros de Verstappen na etapa de Portimão.

Grid estrelado e presença brasileira

A etapa decisiva da Endurance Cup coloca Verstappen na mesma pista que Valentino Rossi. O eneacampeão mundial de MotoGP consolidou uma nova carreira nos carros de GT e disputa o campeonato a bordo do BMW M4 GT3 #46 da WRT, equipe que lidera a tabela de classificação.

Valentino Rossi fez carreira no GT após fechar capítulo na MotoGP (Foto: Charly López / DPPI)

O grid em Portugal reúne outros nomes de peso do automobilismo internacional. A lista de inscritos inclui ex-pilotos da Fórmula 1 e Fórmula E, como Nikita Mazepin e Jake Dennis, além de especialistas com passagens por programas de fábrica, a exemplo de Kelvin van der Linde, Maro Engel e Mirko Bortolotti.

O evento também conta com forte representação do Brasil em diferentes categorias. Christian Hahn acelera na classe Silver, enquanto Marcelo Tomasoni corre na Bronze, mesma divisão do principal destaque nacional: o trio 100% brasileiro formado por Marcos Gomes, Alan Hellmeister e Sebastião Malucelli a bordo do Porsche #41.

Onde assistir ao GTWC Europa?

O GRANDE PRÊMIO transmite ao vivo e com imagens o fim de semana do GTWC Europa em Portimão pela GPTV e pelo YouTube.

A classificação acontece na sexta-feira (16), enquanto a corrida está marcada para sábado (17), às 13h de Brasília, com abertura da transmissão às 12h30.

Veja a programação completa do GTWC Europa em Portimão e onde acompanhar Verstappen ao vivo.