Uma nova estrela brasileira do endurance nasceu em 2025. Depois de competir na Stock Car junto do pai ao longo de duas temporadas e obter uma série de resultados respeitáveis, Dudu Barrichello migrou para o mundo das corridas de resistência e estreou logo como titular no Mundial de Endurance (WEC) nesta temporada. No final, a mudança se provou certeira, e um dos sobrenomes mais reconhecíveis do automobilismo mundial ganhou um novo protagonista.
Na Stock Car, inclusive, o filho de Rubens Barrichello chegou a brigar pelo título na temporada 2024 e conquistou duas vitórias, terminando com 868 pontos e na terceira colocação no campeonato. O potencial já era evidente.
Nesta temporada, Barrichello competiu pela humilde Racing Spirit of Léman na classe LMGT3 do WEC. A equipe, que operou um Vantage GT3 em 2025, dispensa holofotes e vive na sombra da Heart of Racing, principal esquadra vinculada à marca Aston Martin no endurance — tanto que é a responsável pelo Valkyrie na classe Hipercarro.
Portanto, Barrichello não chegava no WEC para brigar por título em 2025 ou sequer vitórias constantemente. O brasileiro chegou para a temporada disposto a mostrar serviço e provar que é uma peça valiosa para qualquer equipe que queira contar com seus serviços. E, de fato, Dudu cumpriu esse objetivo.

No geral, a temporada de Barrichello foi marcada por excelentes classificações, incluindo duas pole-positions, e stints fortes no meio e nos finais das provas, com o pódio conquistado na penúltima volta das 6 Horas de São Paulo sendo a maior evidência da força do brasileiro nos minutos derradeiros. O resultado disso foram 32 pontos somados em oito etapas disputadas.
Nas 24 Horas de Le Mans, a atuação do trio de Dudu foi discreta. Ainda nas primeiras horas de prova, no sábado, o Aston Martin #10, com Valentin Hasse-Clot ao volante, chegou a liderar a classe LMGT3 depois de passar o BMW #46. Porém, um pit-stop lento provocado por uma quebra jogou o carro da Racing Spirit of Léman para o fundo do pelotão.
Ao final das 24 horas, Barrichello e a tripulação do Aston Martin #10 cruzaram a linha de chegada em 13º. Porém, Le Mans não foi um ponto fora da curva para a Racing Spirit of Léman.
Dudu sofreu com as limitações de estar em uma equipe abaixo da média na LMGT3. Enquanto o Aston Martin Vantage GT3 operado pela Heart of Racing estava na disputa pelo título da classe até a última rodada no Bahrein, o carro #10 sofria para manter a consistência — e o principal responsável por isso foi o piloto bronze.

Ao longo da maior parte do ano, um fraco Derek DeBoer ocupou este posto e raramente entregava. No WEC, o bronze é obrigado a fazer a primeira parte da classificação, mas DeBoer dificilmente avançava para entregar o carro a Dudu — o piloto prata — na fase final da sessão.
A solução encontrada pela Racing Spirit of Léman foi colocar Anthony McIntosh no lugar de DeBoer. Na primeira ocasião, o americano conseguiu classificar o #10 para a parte final da definição do grid de largada, e Barrichello cravou a pole em Interlagos. Depois, em Fuji, repetiu o feito e deu a Dudu mais uma chance de brigar pela ponta, e, mais uma vez, ele correspondeu.
O problema é que McIntosh ainda estava abaixo nas corridas, e a Racing Spirit of Léman seguia decepcionando como equipe. No final, a esquadra não voltará ao grid da LMGT3 para 2026, mas isso não é problema para Dudu, que assinou com a Heart of Racing para o ano que vem, ainda que no IMSA SportsCar.
No entanto, o próprio brasileiro enxerga a mudança como um passo adiante na carreira. Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, Dudu explicou como o IMSA SportsCar é uma categoria mais profissional, justamente por não exigir a presença de um piloto bronze, e reforçou que sonha em correr nos Hipercarros do WEC no futuro.

E, de fato, Barrichello parece estar evoluindo no endurance, já que foi nomeado a Revelação do Ano do WEC e terminou a temporada subindo para a Heart of Racing. O fato de correr no IMSA SportsCar não diminui o potencial que o brasileiro mostrou ter em pista, apenas afasta-o dos holofotes brasileiros.
Farfus sofre com trio novo e vive ano apagado e atípico no WEC
Depois de uma temporada 2024 de sucesso e com brigas pelas primeiras posições no WEC, Augusto Farfus sofreu em 2025. Com um trio novo, composto por Timur Bogulsavskiy e Yasser Shahin, o brasileiro não conseguiu engatar uma sequência decente depois de conquistar um pódio na primeira rodada com o BMW #31.
Ao que tudo indicou, a formação nova construída pela WRT frustrou o brasileiro, que viu Shahin e Boguslavskiy com muitas dificuldades para entender o BMW M4 GT3. No final, o trio viveu uma seca de quatro etapas sem pontuar, incluindo Le Mans e São Paulo, e só subiu no pódio mais uma vez, com um terceiro lugar nas 6 Horas de Fuji.
No final, terminou apenas em décimo, um resultado aquém para alguém com o repertório de Farfus. Mas os sinais são positivos para 2026, já que a WRT anunciou o retorno do trio de 2024, com Darren Leung e Sean Gelael.
No geral, foi um ano para se esquecer no WEC, mas que promoveu trocas positivas para o brasileiro, que segue sendo o homem de confiança da WRT na LMGT3.
Agora, o WEC está de férias. A primeira etapa da temporada 2026 está marcada para os dias 26, 27 e 28 de março, no Catar. Uma semana antes, também em Lusail, acontece o Prólogo do WEC.
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