Com o formato sprint do fim de semana, o segundo dia de atividades da Fórmula 1 no GP da China foi para lá de movimentado — e histórico também. Isso porque Andrea Kimi Antonelli se tornou o pole-position mais jovem de todos os tempos ao tirar proveito da força da Mercedes no Circuito de Xangai, neste sábado (14). Uma situação bem diferente da de George Russell, que teve problemas no momento decisivo da classificação e nem pôde extrair o máximo do W17.
A Ferrari segue à espreita, trabalhando duro para tentar reduzir a vantagem das Flechas de Prata semana após semana. É verdade que tanto Lewis Hamilton quanto Charles Leclerc dificultaram a vida dos prateados durante a corrida sprint, mas ficou claro que ainda há uma diferença importante entre os dois carros quando o desgaste do pneus passa a se tornar um fator após as primeiras voltas.
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E por falar na prova curta, os pilotos ficaram divididos na hora de criticar novamente a artificialidade das disputas. Ainda que a pista chinesa não possua características tão peculiares quanto às de Melbourne, muitos não gostaram dessa excessiva dependência energética na hora de atacar e se defender — o que deixa evidente que conversas sobre mudanças no regulamento devem acontecer a partir de agora.
E, por fim, se a Red Bull não está afim de integrar o top-4 da F1, há uma equipe que está esfregando as mãos para chegar lá. Claro, existe um Everest a ser escalado antes que a Alpine sequer comece a sonhar em igualar Mercedes, Ferrari e McLaren, mas Pierre Gasly tratou de dar uma injeção de ânimo nos companheiros que viram o francês terminar entre os sete primeiros colocados mais uma vez.
O GRANDE PRÊMIO listou as lições que a classificação sprint do GP da China trouxe. Confira!
A sprint dividiu opiniões
Se na Austrália houve reclamações por parte do público e de pilotos de que as ultrapassagens foram um tanto artificiais, a mesma história se repetiu na China — ainda que em menor nível. Por ser uma pista um tanto peculiar para esse novo regulamento, Melbourne se tornou um desafio complexo para os piltos, que tiveram de adotar estratégias distintas de recuperação de energia. Ou seja, enquanto um optava pelo famoso lift and coast em determinada curva, outro que vinha de trás já havia recarregado a bateria o suficiente no setor anterior e, por isso, efetuava o ataque sem maiores dificuldades. Desta forma, poucos duelos chegaram de fato ao limite.
No Circuito de Xangai, contudo, era esperada uma situação um tanto diferente. Com um número maior de curvas de média velocidade e também pontos de frenagem, os métodos de gerenciamento de energia são praticamente os mesmos, ainda que existam algumas variações. Como resultado, a tendência era de que as batalhas dependessem — na medida do possível — mais do ritmo puro, e não da escassez de bateria de um carro em comparação com o outro. Consequentemente, outros fatores, como desgaste dos pneus, aderência e equilíbrio em curvas, por exemplo, voltariam aos holofotes, assim como costumava ser até 2025.
Vencedor da sprint, Russell foi um dos que aprovaram a experiência, dizendo que “as primeiras voltas foram bem divertidas”, principalmente quando se envolveu em duelos acirrados com Hamilton e Leclerc. Mais atrás no pelotão, Esteban Ocon foi um dos mais vocais acerca do assunto, afirmando que “é difícil chamar isso de disputas realmente justas, especialmente entre fabricantes, pois algumas têm mais liberação de energia do que outras”. Liam Lawson engrossou o coro, deixando claro que “não se trata tanto de ultrapassagens, mas de quem tem mais energia — ou de quem ficou sem energia”.

A importância da largada (de novo)
É indiscutível que a Ferrari não tem sido capaz de acompanhar o ritmo da Mercedes em classificação, mas os italianos provaram que podem, sim, ser uma pedra no sapato de Russell e Antonelli em ritmo de corrida. A SF-26 é um carro bem nascido, com boa aerodinâmica e ótimo desempenho em curvas. No entanto, a velocidade de reta do W17 tem sido um fator crucial até aqui na temporada 2026, permitindo que os prateados abram uma vantagem considerável quando se encontram de cara para o vento no decorrer da prova.
Mas se Hamilton e Leclerc não são capazes de brigar pelas vagas na primeira fila do grid, a sprint da China mostrou que a dupla só precisa marcar presença dentro do top-5 para ter chances reais de vencer. Isso porque, assim como aconteceu na Austrália, os vermelhos deram um salto impressionante logo na largada, com o heptacampeão saindo da quarta para a segunda posição no trajeto entre as Curvas 1 e 2, o que lhe permitiu atacar George e assumir a liderança momentos depois. A questão é que a Ferrari não cuida tão bem dos pneus quanto à rival e, por isso, acaba perdendo ritmo a partir da metade do stint.
De qualquer maneira, a presença do #44 e do #16 na terceira e quarta colocações no grid do GP da China abre novamente a possibilidade de mais uma disputa das mais interessantes quando as luzes se apagarem. E a ameaça dos carros de Maranello é tão real que Russell já começou a fazer lobby com a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para mudar o procedimento de largada, alegando falta de segurança. O britânico não foi o único a reclamar e também não está totalmente errado, já que vimos alguns pilotos tendo dificuldades para dar a partida na sprint e criando um cenário perigoso para os demais, porém, está claro que o interesse do atual líder do Mundial é puramente competitivo.

Antonelli desencantou e fez história
Antonelli está apenas no início da segunda temporada da carreira na F1, mas já eternizou o nome nos livros de história. Isso porque, aos 19 anos, seis meses e oito dias, tornou-se o piloto mais jovem a conquistar a pole-position. O talento do italiano é inegável, mas é verdade também que o feito só foi possível por causa dos infortúnios sofridos por Russell, que viu o carro parar na pista logo no início do Q3 e só conseguiu completar uma volta rápido nos minutos finais — e ainda terminou em segundo.
O detentor do recorde era Sebastian Vettel, que colocou a então Toro Rosso na posição de honra do GP da Itália de 2008 quando tinha 21 anos, dois meses e 15 dias. Em outras palavras: com uma diferença de idade considerável, era apenas uma questão de tempo para que Kimi ocupasse o topo dessa lista, até porque o dono do #12 tem totais condições de derrotar o companheiro de equipe em outras classificações ao longo do ano, embora na China, especificamente, esteja alguns passos atrás do britânico em condições normais.
Mas a sorte só sorri para aqueles que trabalham duro, e Antonelli estava preparado para agarrar essa oportunidade. Agora cabe ao italiano não repetir a largada pífia da sprint na corrida deste domingo, porque aí nem mesmo os astros poderão ajudá-lo a segurar Russell e a dupla da Ferrari.

Ão, ão, ão, segunda divisão?
Em termos futebolísticos, é seguro dizer que a Red Bull estaria na chamada ‘zona da degola’ se o fim de semana do GP da China fosse um Brasileirão da vida ou algo do tipo. Era importante esperar pelo menos pelo sábado, depois da sprint, quando as equipes teriam novamente a oportunidade de mexer nas configurações dos respectivos carros, para constatar que o time de Milton Keynes realmente não está nem perto de acompanhar Mercedes, Ferrari e McLaren na poderosa ‘F1 A’. Não neste fim de semana.
“Mudamos muita coisa no carro, mas não fez diferença nenhuma. Está completamente impossível de pilotar”, resumiu o revoltado Max Verstappen, que teve mesmo de se contentar com o oitavo lugar no grid de largada. O tetracampeão mundial andou reclamando bastante da falta de aderência, do equilíbrio e de tudo mais que tinha direito. E com razão. O RB22 que está em Xangai nem parece o mesmo que competiu na Austrália, onde Isack Hadjar alcançou um incrível terceiro lugar no grid.
Ninguém sabe realmente onde está o problema. Acreditava-se que fossem os ajustes, como o próprio Pierre Waché, diretor-técnico dos taurinos, apontou na sexta-feira, mas nada mudou mesmo após revirarem o carro de cabeça para baixos. A falta de potência poderia ser a raiz de todos os males, ou talvez as baixas temperaturas da pista, ou, quem sabe, tudo isso combinado, já que uma coisa só dificilmente justificaria tamanha pataquada da Red Bull neste fim de semana, que tem se preocupado mais com a Alpine e a Haas do que com as rivais da parte de cima.

Alpine é a 4ª força na China
Pelo menos nas mãos de Gasly, sim, a Alpine é a quarta força na China. Se a Red Bull está próxima da zona de rebaixamento, como explicado anteriormente, a escuderia liderada por Flavio Briatore pode ser colocada na zona de acesso à elite — ainda que, obviamente, esteja bem, bem, bem distante do top-3 em Xangai.
É verdade que o desempenho na sprint não foi dos mais atraentes, com o piloto francês despencando da sétima posição no grid para o 11º lugar na linha de chegada após sofrer com falta de potência nas retas e com o graining — fenômeno de desgaste dos pneus que cria uma superfície irregular na borracha, diminuindo drasticamente a aderência do carro —, mas o fato de ter conseguido se colocar no top-7 novamente na classificação deste sábado, com mais de 0s1 de vantagem para Verstappen, diz muita coisa sobre o potencial da equipe, agora movida pela unidade de potência da Mercedes.
Mesmo que com um déficit em relação ao companheiro de time, Franco Colapinto foi bem ao terminar em 12º. Agora resta ver quais lições da sprint a Alpine soube aproveitar para tentar escapar dos problemas ao longo das 58 voltas na pista chinesa.

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