Andrea Kimi Antonelli colocou as garras de fora mais uma vez e conquistou a pole-position do GP do Japão com autoridade. Na classificação deste sábado (28), no Circuito de Suzuka, o italiano mostrou a George Russell que pretende, sim, dar muito trabalho na briga pelo título da temporada 2026 da Fórmula 1, que tem realmente se concentrado entre os pilotos da Mercedes até este momento.

Um pouco mais atrás, o duelo entre McLaren e Ferrari esquentou de vez, com os papaias provando que o ritmo apresentado durante os treinos não era apenas fogo de palha. Agora é esperar para ver se Oscar Piastri e Lando Norris conseguirão largar neste domingo, já que a equipe não passou ilesa de novos problemas de confiabilidade, principalmente com o atual campeão mundial.

No pelotão intermediário, Max Verstappen levou a pior ao ser superado pelo companheiro de equipe pela segunda vez em 2026 — algo que não acontecia há algum tempo na Red Bull. Mas teve Gabriel Bortoleto brilhando novamente com a Audi no top-10, assim como Pierre Gasly, que voltou a ser uma pedra no sapato com a Alpine, agora movida pela poderosa unidade de potência da Mercedes.

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Antonelli estufa o peito na briga pelo título da F1

E quem diria que a vitória no GP da China daria confiança a Andrea Kimi Antonelli na briga pelo título da F1, hein? Claro, ainda é apenas a terceira etapa da temporada, mas muitos já estavam descartando o italiano logo após a derrota para George Russell na Austrália. A pole-position no Japão não é nenhuma garantia de vitória, obviamente, porém serviu de combustível para continuar inflamando as esperanças do pupilo da Mercedes.

Tudo que um piloto que está dando os primeiros passos na principal categoria precisa é de confiança. Com apenas 19 anos, vai cometer muitos erros ainda, talvez até alguns que o prejudiquem já nessa busca pelo troféu em 2026. Mas o fato é que Antonelli é um diamente preciosíssimo nas mãos de Toto Wolff, que definitivamente não vai abrir mão do garoto de jeito nenhum — nem mesmo se Verstappen se oferecer, pois aí é mais provável que quem tenha de abrir caminho seja o britânico da garagem ao lado.

Kimi não cravou qualquer pole, foram quase 0s3 de vantagem em relação ao companheiro de equipe, que teve alguns problemas no W17 durante a classificação, é verdade. O foco agora é na largada. Em Xangai, perdeu a liderança para Lewis Hamilton logo na primeira curva, mas manteve a calma e a recuperou logo na sequência. É possível que o mesmo aconteça amanhã, com Charles Leclerc saindo ali da quarta posição, já que os vermelhos realmente tem uma vantagem absurda quando as luzes se apagam. Se de fato acontecer, sendo o monegasco ou qualquer outro, a resposta precisa ser a mesma.

Andrea Kimi Antonelli ficou com a pole-position no Japão (Foto: Reprodução/F1)

McLaren dos treinos não era fogo de palha

Para uma equipe que sequer largou no GP da China há 15 dias, a McLaren provou mais uma vez que sabe ser bem resiliente. E o mais impressionante é que a reviravolta aconteceu mesmo com um piloto fora de combate durante a maior parte dos treinos, já que Lando Norris particularmente sofreu bastante com novas questões de confiabilidade: primeiro, um vazamento hidráulico no TL2; segundo, falha no Sistema de Recuperação de Energia (ERS) no TL3. O atual campeão mundial, inclusive, está pendurado e corre sério risco de receber uma punição muito em breve.

Do outro lado, o cenário estava mais tranquilo. Oscar Piastri ficou livre de problemas e apresentou boa performance desde as primeiras atividades em Suzuka, levando o forte impulso para a classificação. É verdade que terminar a 0s354 do tempo da pole-position não é a melhor das situações, mas o australiano reconheceu que os passos precisam ser dados um de cada vez. Isso é importante.

Até mesmo Andrea Stella se mostrou animado, explicando que o progresso feito se deve principalmente ao melhor entendimento que a equipe agora possui da unidade de potência da Mercedes, o que provou ser um desafio nas primeiras etapas da temporada 2026. Além disso, os papaias também estão extraindo mais do chassi e do acerto do MCL40, criando uma perspectiva positiva de futuro.

A McLaren apresentou bons sinais de progresso até aqui no Japão (Foto: McLaren)

Verstappen segue em águas turbulentas

Que fase vive Max Verstappen. O tetracampeão mundial tem sofrido bastante com o “imprevísivel” RB22 neste fim de semana, deixando claro que o carro está “impossível de pilotar”. A Red Bull até levou um pacote de atualizações para o Japão, com um novo sidepod, tampa de motor, mudanças no assoalho e tudo mais — porém nada realmente adiantou. Assistir à câmera onboard do neerlandês é simplesmente presenciar uma luta constante entre o homem e a máquina: uma hora é o eixo traseiro que escapa, em outra é o dianteiro, e por aí vai.

O pior de tudo é que nem mesmo a Red Bull parece entender muito bem o que fazer. Assim como foi na China, os taurinos estão na disputa do pelotão intermediário em Suzuka, apanhando para superar Alpine, Audi, Haas e, veja bem, até mesmo a irmã Racing Bulls. Isack Hadjar mandou muito bem ao se infiltrar no Q3 — e alcançou um feito inédito por isso: derrotou o companheiro de equipe em duas oportunidades em 2026, algo que não acontecia há algum tempo em Milton Keynes.

E nem ritmo de corrida decente a Red Bull apresentou. Tudo indica que serão 53 voltas sofríveis para Verstappen, que mais uma vez voltou a falar sobre uma aposentadoria precoce na F1

Max Verstappen já não aguenta mais a temporada 2026 da Fórmula 1 (Foto: Red Bull Content Pool)

Belíssima reviravolta de Bortoleto

Gabriel Bortoleto estava tão confiante e confortável com o carro da Audi que nem parecia que tinha perdido um tempo de pista valioso na sexta-feira. Vale lembrar que o brasileiro participou apenas dos dez minutos finais do TL2, porque a equipe precisou trocar a caixa de câmbio “por precaução”, como explicou James Key, diretor-técnico, na ocasião. Ele perdeu exatamente a atividade mais representativa, aquela que acontece exatamente no mesmo horário e em condições similares às da classificação.

Mas nada disso realmente atrapalhou o #5 na hora que mais importava: avançou com segurança pelas duas primeiras fases e, no Q3, cravou o nono melhor tempo. E como Mattia Binotto, que está provisioriamente na função de chefe de equipe, avisou após o fim da atividade, o importante é focar em executar uma boa largada, considerando que o estreito Circuito de Suzuka dificulta as ultrapassagens.

A Alpine e a Red Bull, que saem logo à frente com Pierre Gasly e Isack Hadjar, respectivamente, apresentaram um ritmo de corrida melhor que o da Audi durante os treinos. Em uma corrida em que a estratégia mais óbvia deve ser a de uma parada, será importante para Bortoleto sair bem quando as luzes se apagarem se quiser ser capaz de avançar pelo pelotão.

Gabriel Bortoleto levou a Audi ao Q3 pela segunda vez na temporada 2026 (Foto: Audi)

O tranquilo Leclerc explodiu de vez

“Uma puta de uma piada!”: foi assim que Charles Leclerc resumiu o que achou da classificação do GP do Japão. Claro que, neste caso, o monegasco não está falando especificamente do desempenho da Ferrari, mas, sim, da maneira como tem sido necessário mudar completamente o próprio estilo de pilotagem para completar voltas decentes com os novos carros da F1. É lift and coast para cá, super clipping para lá — e mesmo quando os pilotos fazem tudo certo, a bateria resolve acabar no meio da reta.

Embora algumas mudanças serão estudadas para as corridas ao longo do mês de abril, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) já deixou claro que o foco maior será a atividade que define o grid de largada. A entidade que rege o esporte a motor até tentou reduzir o limite máximo de recuperação de energia permitido na pista japonesa, mas não adiantou muita coisa. E não foi só o titular do time de Maranello que reclamou de “não pode ir ao limite”, pois nomes como Carlos Sainz, Oliver Bearman, George Russell, Max Verstappen e até Lewis Hamilton já deram pitaco em algum momento.

Em relação ao desempenho da Ferrari, porém, Leclerc se mostrou mais conformado — assim como o heptacampeão. Nenhum dos dois extraiu tudo o que podia da SF-26 no Q3, com Lewis perdendo tempo devido a uma mudança indesejada na estratégia de uso de energia, como consequência de uma escapada, e Charles sofrendo com o comportamento mais arisco do carro. As esperanças agora estão depositadas na largada e também no ritmo de corrida.

Charles Leclerc perdeu a paciência com o estilo de pilotagem exigido na classificação (Foto: Ferrari)

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