O GP da Hungria entregou alternativas e uma batalha tática que fez Lando Norris voltar a vencer na F1 2025 e abrir completamente a disputa pelo título mais uma vez. Não só isso: a corrida deste domingo (3) também permitiu ao inglês derrotar Oscar Piastri de forma muito parecida com a que foi batido pelo companheiro semana passada, na Bélgica.

Desta vez, foi Norris quem teve de se virar com pneus mais gastos e controlar o ímpeto do companheiro de McLaren. E, assim como foi com Lando em Spa, Piastri não teve sucesso na caça nas voltas finais. O pódio ainda teve George Russell, aplacando um pouco o momento conturbado que vive a Mercedes, também por Kimi Antonelli, finalmente, ter voltado ao top-10.

Por falar em momento conturbado, que tal a Ferrari? Por mais que a performance pareça querer melhorar, os italianos simplesmente não vão. O que acontece por lá é crise real, daqueles dramas sem fim que pegam quem vem pela frente. Charles Leclerc foi quarto em estratégia atrapalhada e com problemas no carro, enquanto Lewis Hamilton nem aos pontos foi.

Fernando Alonso e Gabriel Bortoleto foram os melhores da ‘F1 B’, em quinto e sexto, numa batalha de gerações. Lance Stroll, Liam Lawson, um perdido Max Verstappen e Antonelli fecharam o grupo dos dez primeiros na Hungria.

Lando Norris voltou a vencer na Hungria (Foto: AFP)

E o GRANDE PRÊMIO separou cinco coisas que aprendemos no GP da Hungria, 14ª etapa da F1 2025.

Norris responde Piastri e vence na Hungria: campeonato completamente em aberto

Parecia repetição da Bélgica, mas com os papéis invertidos: as duas McLaren brigando pela vitória em estratégias diferentes, com o líder em desvantagem clara dos pneus. Nas duas situações, o líder manteve a ponta e confirmou o triunfo, mesmo sem qualquer ordem partindo do pit-wall do time. No fim das contas, a McLaren segue liberando as disputas, o que é ótimo para o fã da F1, mas Piastri e Norris parecem travar nesses momentos. Desta vez, quem não conseguiu atacar e fazer valer a vantagem da borracha foi Oscar, que passou mais perto de bater no companheiro do que de superá-lo. Bom para Lando não apenas por ter executado bem a prova, cuidado dos pneus e vencido, mas por ver o rival cometendo os mesmos erros que ele. Não é uma disputa incrivelmente bonita, mas é equilibrada, isso não há como negar.

Chassi, pneu, tática, rádio: Ferrari ganha problemas de sobra para resolver nas férias

O problema de se fazer uma pole é ter a certeza de que você vai jogá-la fora em algum momento no dia seguinte. No fim das contas, foi exatamente isso que aconteceu com a Ferrari. A corrida na Hungria, afinal, teve muito de “quando a Ferrari vai estragar a corrida do Leclerc?”. E isso veio em doses homeopáticas, quer dizer, para deixar a coisa ainda mais cruel. Primeiro, uma tática de paradas sem sentido, depois problemas com chassi, com pneus, tudo isso culminando em rádios absolutamente desesperados do monegasco. Leclerc parecia pronto para chegar destruindo a garagem italiana, de tão bravo que estava. No fim, pediu desculpas e, ao menos publicamente, seguiu a vida, mas é mais uma fissura importante do rapaz com a equipe. Foi tudo tão atrapalhado por ali que nem deu para falar de Hamilton aqui, mas, beleza, o heptacampeão realmente não fez nada digno de nota além de novas declarações pedindo socorro a si mesmo.

Charles Leclerc sofreu com todo tipo de problema (Foto: AFP)

Russell vai ao pódio e acalma ânimos na Mercedes. E Antonelli, enfim, pontua

Antonelli ter pontuado deu uma aliviada no clima pesado que rondava o novato, mas é bom deixar claro que décimo lugar não pode ser tratado como aceitável na Mercedes, certo? A realidade dos prateados tem de ser outra sempre, muito mais próxima com a de Russell na Hungria: em dia inspirado, o inglês aproveitou todas as brechas que teve e foi bem desde a largada. O pódio é merecidíssimo e chancela George como um dos melhores da primeira parte da F1 2025. A ver depois da pausa se a equipe volta ao normal, mas foi um resultado para estancar a sangria.

Verstappen fecha fim de semana de passageiro da agonia na pior Red Bull em anos

Verstappen confirmou que fica na Red Bull em 2026 e foi presenteado com um dos piores carros da carreira na Hungria. Em uma pista completamente hostil ao estilo de carro que os taurinos têm hoje, a Red Bull foi engolida pelo pelotão intermediário. E a imagem do fim de semana é a de Max preso por voltas e mais voltas atrás justamente de Liam Lawson, da equipe B dos energéticos e ex-piloto do time principal, rifado depois de dois finais de semana em prol de Yuki Tsunoda. Tsunoda que, enfim, é um bom retrato do ano tenebroso que a Red Bull vive na F1 2025.

Alonso e Bortoleto brilham e reforçam como ‘F1 B’ pode ser democrática

Em um fim de semana terrível da Red Bull e abaixo da crítica de Hamilton e Antonelli, a ‘F1 B’ ganhou terreno e colocou quatro carros no top-8. E os maiores destaques foram justamente mestre e pupilo: Alonso e Bortoleto. Para bem além dos merecidos elogios mútuos, foi mais uma demonstração de como a F1 ainda é uma categoria democrática: tem espaço pro novato brilhar com o melhor resultado brasileiro no Mundial em quase uma década, mas também para o veteraníssimo. Alonso, inclusive, teve de lidar com dores no começo do fim de semana, quer dizer, foi até meio heroico. Legal de ver.

A Fórmula 1 agora pausa e entra no tão aguardado recesso de meio de temporada. Será quase um mês sem corridas, com período de repouso para pilotos e membros das equipes, até o retorno, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort, entre os dias 29 e 31 de agosto.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2