Fernando Alonso reforçou a frustração com a experiência de pilotar os carros da Fórmula 1 em 2026 e voltou a criticar as limitações impostas pelo atual regulamento técnico. O espanhol afirmou que a categoria “não é mais divertida” do ponto de vista do piloto e destacou a necessidade de adaptar o estilo de condução para lidar com as características dos carros atuais.

Em entrevista acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO em Baku, Alonso destacou que a F1 atravessa um momento positivo fora das pistas, principalmente pela expansão da popularidade entre o público mais jovem. Para o piloto da Aston Martin, porém, a percepção é diferente quando a análise parte de quem está dentro do cockpit.

“Tenho que concordar em relação ao esporte como um todo. Estamos no melhor momento de todos os tempos. A Fórmula 1 está crescendo muito, novos fãs estão chegando, as corridas às vezes são divertidas de assistir, todas essas coisas, e acho que os eventos são ótimos. Se eu olhar para o GP de Miami, é incrível. Sempre levo minha família para Miami, porque adoraria ir a Miami como VIP, como espectador. É um grande evento”, afirmou.

“Contudo, talvez do ponto de vista do cockpit, atrás do volante, especialmente se você corre em várias categorias, ou se conheceu uma F1 diferente, provavelmente exista um pouco de frustração que expressamos ao falar sobre o esporte. Talvez eu seja mais direto e claro nos meus comentários, e o Max também, enquanto alguns outros pilotos são um pouco mais reservados, mas acho que todos nós sentimos o mesmo”, acrescentou.

O espanhol também explicou que a atual geração de carros exige uma adaptação diferente daquela encontrada nas categorias de base. Alonso avalia que o piloto precisa compreender previamente uma série de limitações para conseguir extrair desempenho, em vez de simplesmente confiar no instinto.

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Alonso voltou a tecer críticas duras sobre o atual regulamento técnico da F1 (Foto: Gabriel López/Grande Prêmio)

“É um aprendizado: a cada volta, você vai ficando mais rápido, porque conhece melhor o carro e entende cada vez melhor os limites. É puro instinto de pilotagem. Com o regulamento atual, não é bem assim que acontece. Você precisa pensar muito antes de pilotar, porque tudo é programado e definido pelo regulamento, pela engenharia e pelas simulações. Por isso, é muito menos divertido pilotar esses carros. Esse foi o comentário que fiz na Austrália, e continuo pensando da mesma forma”, explicou.

“Corri por muito tempo aqui, e acho que todos nós viemos das categorias de base, do kart, da Fórmula 3, da F2, guiando com aquele instinto de piloto de buscar velocidade, atacando as curvas e assumindo alguns riscos. Aí você chega à F1 atual e precisa rever um pouco o que aprendeu nos últimos 20 anos de carreira, precisando um estilo de pilotagem diferente. Isso só acontece na F1”, disse.

“Não existe nenhuma outra categoria no automobilismo em que você precise pilotar devagar para ser rápido. Este ano tivemos corridas boas e ruins, e acho que precisamos aprender com elas. Silverstone, um circuito incrível, já não é mais divertido. Depois da largada [na Bélgica], foi constrangedor passar pela Eau Rouge”, completou.

Fernando Alonso não condiciona permanência na Fórmula 1 com promessas feitas por Mohammed Ben Sulayem (Foto: FIA)

Apesar das críticas ao regulamento, Alonso descartou que o nível de competitividade da Aston Martin seja o fator determinante para decidir se continuará ou não na F1. O espanhol também citou as mudanças previstas para o próximo ano como uma possível oportunidade de evolução.

“Somos menos competitivos do que o restante do grid, sim, mas não acho que esse seja o ponto decisivo para eu tomar uma decisão. No ano que vem, já haverá uma mudança com a proporção 60-40, e acho que isso vai melhorar as coisas. Mas talvez haja outros aspectos a considerar para continuarmos evoluindo. É assim que vejo a situação”, concluiu.

A F1 volta à ação neste fim de semana, de 24 a 26 de setembro, com o GP do Azerbaijão. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da corrida em Baku AO VIVO E EM TEMPO REALalém de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV. Além da cobertura completa, o GRANDE PRÊMIO está in loco com o repórter Leonid Kliuev.

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