A manhã desta segunda-feira (14) foi marcada pelo lançamento do AT03, carro da AlphaTauri para a disputa da temporada 2022 da Fórmula 1. E com um monoposto cheio de novidades — afinal, a categoria estreia um novo regulamento técnico este ano —, a equipe trouxe o diretor-técnico Jody Egginton para abordar um pouco mais sobre o processo de desenvolvimento do bólido que será pilotado por Pierre Gasly e Yuki Tsunoda ao longo do ano.
Questionado se estaria confiante para o desempenho da AlphaTauri logo após garantir seu melhor resultado na história em 2021, Eggintou revelou que é bastante questionado sobre o tema. De acordo com o engenheiro, é difícil ter uma noção exata da competitividade até que os carros estejam de fato na pista.
“Estamos desenvolvendo o processo de como trabalhamos nos últimos dois ou três anos e também aplicamos isso a este carro”, disse. “Estatisticamente e pelos resultados que tivemos no último período, tivemos um sucesso razoável, então eu diria que estamos na trajetória certa em termos de como estamos operando. No entanto, não é tão simples assim, pois é uma folha de papel em branco para 2022 que oferece recompensas potenciais, mas também traz riscos”, explicou.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
“A taxa na qual o carro está sendo desenvolvido é uma métrica chave, mas uma questão importante é: até que ponto estamos no caminho do “desenvolvimento” em relação à concorrência?”, questionou. “Você realmente não sabe disso até a primeira corrida da temporada, quando as luvas são tiradas”, completou Egginton.
Com uma mudança drástica na categoria que não era vista desde 2009, se tornaram comuns questões relembrando a Brawn GP, que naquele ano conseguiu vencer tanto o título de Piloto quanto o de Construtores se aproveitando de uma brecha no regulamento. Egginton não descarta a possibilidade da história se repetir este ano, mas adiantou que as regras também permitem às equipes irem pela direção errada.
“Com a mudança nos regulamentos aerodinâmicos sendo extensa, há claramente muito espaço para experimentar novas ideias e novos conceitos aerodinâmicos, mas ao mesmo tempo os novos regulamentos também aumentam o risco de seguir o caminho errado de desenvolvimento”, salientou. “Tenho certeza de que há muito espaço para as equipes apresentarem soluções aerodinâmicas inovadoras, mas, ao mesmo tempo, espero que os detalhes ocultos do desenvolvimento aerodinâmico contribuam significativamente para o que as equipes podem alcançar”, explicou.

“Estou bastante confiante de que as pessoas vão aparecer no primeiro teste com uma gama interessante de interpretações dos regulamentos”, previu. “E isso provocará discussão e investigação de possíveis direções de desenvolvimento para os planos de desenvolvimento de todas as equipes na temporada”, destacou.
Por fim, a definição das novas regras alterou completamente a aerodinâmica dos carros, o que naturalmente causou outras mudanças estruturais. Egginton destacou principalmente o nível de segurança dos carros, que em sua visão está ainda maior em 2022 com o novo chassi.
“Os novos regulamentos incluem mudanças significativas nos requisitos de testes de colisão, incluindo mudanças dimensionais resultando em uma estrutura de chassi maior”, disse. “As mudanças nos testes de homologação do chassi são obviamente bem-vindas, pois melhoram ainda mais a segurança, mas exigiram muito esforço para passar primeiro nos vários testes e também otimizar a estrutura, minimizando o aumento de massa e o comprometimento do desenvolvimento aerodinâmico. No entanto, é justo dizer que o processo de design do chassi de 2022 foi praticamente planejado, assim como a homologação”, finalizou.