Disputado entre 30 de outubro e 1º de novembro no Autódromo Hermanos Rodríguez, o GP da Cidade do México é, de longe, o ponto mais alto do calendário: cerca de 2.240 m acima do nível do mar, bem acima dos 800 m do segundo colocado, o Autódromo de Interlagos. E a altitude mexicana altera a forma como o carro respira, esfria e gera aderência, justamente por oferecer um fluxo de ar bem diferente.

Em 2026, essas variáveis chegam a uma geração de carros que nunca correu por lá, o que só levanta mais pontos de interrogação sobre o impacto nos equipamentos. Abaixo, o GRANDE PRÊMIO explica tudo sobre a altitude na etapa do México e os desafios encarados pelas equipes de Fórmula 1 por conta dela.

Qual é a altitude do Autódromo Hermanos Rodríguez?

Situado na Cidade do México, capital do país, o Hermanos Rodríguez está 2.240 m acima do nível do mar, de longe a maior altitude do calendário da Fórmula 1.

A pista tem 4,304 km e 17 curvas, e a corrida é decidida em 71 voltas. Segundo a Mercedes, a pressão ambiente no circuito é de cerca de 780 hPa, contra aproximadamente 1.000 hPa ao nível do mar.

O nível de altitude leva a uma densidade do ar naturalmente menor, o que significa menos moléculas de ar para o carro empurrar e para que a unidade de potência respire. A estimativa é que o ar seja 25% menos denso que o de um circuito no nível do mar, o que evidencia a diferença entre os cenários.

Etapa mexicana traz maior nível de altitude do calendário da F1. Brasil fica em segundo (Foto: Red Bull Content Pool)

Como a altitude afeta a aerodinâmica?

A primeira consequência é a perda de força vertical. Com a densidade diferente do ar, as mesmas asas e o mesmo assoalho geram cerca de um quarto a menos de downforce na Cidade do México. O arrasto também cai na mesma proporção, o que aumenta a velocidade final do carro com a mesma potência.

Em termos práticos, as equipes usam as asas mais carregadas do ano, algumas no nível de Mônaco, e ainda assim têm menos aderência em curvas de alta que em um circuito de baixa altitude.

Segundo análise feita pela Williams, mesmo com esse pacote, o carro gera menos downforce do que quando usa asas leves em Monza. O recorde de velocidade máxima é de Valtteri Bottas, que atingiu 372,5 km/h com um carro do time britânico em 2016 — e a Audi destaca no material de apresentação da etapa que a marca é a mais rápida já registrada em uma prova.

Até o ano passado, a F1 ainda lidava com o fato de que o DRS rendia menos na altitude, também pela queda de arrasto. No entanto, a tecnologia não é mais usada em 2026, que traz carros com asas dianteira e traseira móveis: Modo Curva e Modo Reta.

Assim, os dados relacionados ao novo chassi de 2026 ainda não são oficialmente conhecidos, e as projeções das equipes basicamente se limitam aos trabalhos feitos nas simulações. O primeiro contato real dos novos carros com o traçado será feito apenas no fim de semana.

México oferece um desafio bastante específico aos carros da Fórmula 1 (Foto: Red Bull Content Pool)

Arrasto menor resolve problemas de arrefecimento?

Não, porque o ar fino também esfria menos. A altitude elevada faz com que menos ar passe por radiadores, entradas e dutos, o que automaticamente eleva a temperatura de itens como pneus, freios e a própria unidade de potência. Com isso, o resfriamento também se torna um desafio no México.

Para resolver a questão, as equipes têm respondido com uma abertura a mais na carenagem, feita especialmente para casos do tipo, o que acrescenta arrasto. O custo torna-se aceitável, porém, já que o próprio arrasto do carro já cai na altitude.

Por outro lado, os freios sofrem em dobro. Com menos força vertical, o carro chega às curvas mais rápido, mas não pode frear com a mesma intensidade — e os discos ficam mais tempo sob carga, com menos ar para dissipar o calor.

E esse será novamente um ponto de atenção para as equipes, já que freios superaquecidos se desgastam mais rápido e podem gerar um processo conhecido como vitrificação: a perda de atrito nos discos.

Locais como a curva 4, de uma reta longa para menos de 100 km/h, e a curva 13, dentro do Foro Sol, onde se atinge a menor velocidade do circuito, serão os principais pontos de atenção neste quesito.

Trecho do Foro Sol traz um dos pontos de frenagem mais técnicos do circuito mexicano (Foto: McLaren)

O que muda para a unidade de potência na altitude?

Um motor aspirado perderia potência de forma direta. Ainda na análise da Williams, a estimativa é de cerca de 1% de perda a cada 100 m de ganho de altitude, o que significa aproximadamente 22% a menos em 2.240 m.

No entanto, os motores turbo da F1 compensam parte dessa perda: o turbo gira mais rápido para restabelecer a pressão de admissão. Com isso, a perda final é obviamente menor que em um carro de rua.

Há limites, porém. Cada turbina tem um máximo homologado de rotações , o “ponto de ruptura”, que não pode ser ultrapassado; além disso, turbos maiores têm limites menores, e a peça trabalha constantemente em um nível de calor mais exigente. Assim, o esforço sobre turbina e compressor também sobe.

O que ainda não se sabe sobre os carros de 2026?

A unidade de potência de 2026 mantém o V6 turbo de 1,6 litro, mas não tem mais o MGU-H, e o MGU-K passa a entregar 350 kW, contra 120 kW antes. O objetivo da F1 era que a parcela elétrica chegasse a algo próximo de 50% da potência, algo que será alterado para o ano que vem.

Dois pontos merecem atenção:

F1 2026, ESTADOS UNIDOS, AUSTIN, CORRIDA, FERRARI, LEWIS HAMILTON
Novos carros de 2026 enfrentarão altitude do México pela primeira vez este ano (Foto: Ferrari)

Resumo: o que a altitude muda em cada sistema

SistemaEfeito da altitudeResposta
AerodinâmicaCerca de 25% menos força vertical e arrastoAsas de máxima carga aerodinâmica
ArrefecimentoMenos ar por radiadores, dutos e freiosCapôs e dutos mais abertos, ao custo de arrasto
FreiosMenos downforce e mais calorDutos maiores e frenagem mais prolongada
Unidade de potênciaMenos oxigênio, turbo mais exigidoTurbo gira mais rápido, com limite de ruptura

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP da Cidade do México, 19ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Horários do GP da Cidade do México da F1 2026

O GP da Cidade do México acontece de 30 de outubro a 1º de novembro, no Autódromo Hermanos Rodríguez, com treinos livres, classificação e corrida.

DiaSessãoBrasilPortugalAngolaCabo VerdeMoçambique
Sexta, 30/10TL115h3018h3019h3017h3020h30
Sexta, 30/10TL219h22h23h21h0h
Sábado, 31/10TL314h3017h3018h3016h3019h30
Sábado, 31/10Classificação18h21h22h20h23h
Domingo, 1º/11Corrida17h20h21h19h22h

Horário de Brasília para o Brasil e de Portugal continental e Madeira para Portugal.