A Mercedes já não desfruta de uma vantagem incontestável sobre a Ferrari, a Red Bull e a McLaren há algum tempo em 2026, mas Andrea Kimi Antonelli continua a ser uma referência importantíssima entre as Flechas de Prata. A vitória sublime no GP dos EUA não só mostrou maturidade, como também comprovou de uma vez por todas algo que se rabisca faz tempo: já há um campeão ali. Ainda que Kimi tenha de esperar mais uma semana para enfim assegurar o título mundial, agora não há muita dúvida sobre sua capacidade na Fórmula 1. A maneira como dominou os adversários em Austin selou o campeonato.

É que a etapa americana não se desenhava em um passeio da Mercedes. Ao contrário, a equipe alemã iniciou o fim de semana ainda buscando entender os pormenores do pacote de atualizações e precisou mudar completamente a configuração do carro ao longo dos treinos livres. A performance nas curvas lentas se mostraram um desafio, especialmente no terceiro setor do Circuito das Américas. Os pneus também representaram uma dor de cabeça, mas, de alguma forma, Antonelli soube como lidar melhor as deficiências do W17, para cravar uma pole espetacular no sábado, surpreendendo os oponentes, sobretudo Max Verstappen e a Ferrari, que pareciam bem mais competitivos.

A posição de honra por si só não é garantia de vitória, mas foi uma demonstração de força em um momento de fragilidade do time prata, o que só eleva a atuação do italiano. Isso porque houve um período na temporada de 2026 em que a Mercedes parecia capaz de decidir o resultado de uma corrida praticamente com base em seu próprio desempenho. O W17 se estabeleceu como a referência, e essa vantagem permitia que a equipe ditasse o ritmo mesmo em dias nem tão perfeitos. Mas a situação mudou nesta segunda fase do campeonato.

A McLaren ensaiou uma reviravolta após a pausa das férias, a Ferrari exibiu lampejos de competitividade aqui e ali, até que a Red Bull passou a ocupar os holofotes mais recentemente, com dois triunfos sólidos de Verstappen. Enquanto isso, a esquadra de Toto Wolff tentava retomar o favoritismo. É bem verdade que venceu em Monza, Madri e Baku, mas desde a Malásia o cenário é outro. O robusto conjunto de novidades levados a Sepang alterou a hierarquia. Principalmente porque os novos elementos não entregam o desempenho esperado logo de cara. Mesmo assim, Antonelli permaneceu na linha de frente.

Só que Austin acabou por oferecer uma oportunidade não só de recuperação técnica para a Mercedes, como uma espécie de teste final para o italiano — que não se intimidou e ainda apresentou uma de suas melhores performances no ano.

O superaquecimentos dos pneus e o desequilíbrio do carro em trechos críticos do traçado texano tornaram as coisas bem mais difíceis para a Mercedes. Isso se traduziu muito nas dificuldades encontradas por George Russell, que não passou do sexto lugar no grid. Como de costume, Kimi foi capaz de driblar essas oscilações e cresceu ao longo da classificação. No Q3, acertou uma volta perfeita e neutralizou a concorrência. Ninguém mais conseguiu baixar o tempo. Nem mesmo o próprio Antonelli.

Mas o aspecto mais impressionante do fim de semana de Kimi não foi simplesmente a surpresa e o brilhantismo da pole. Foi a performance de domingo, meio a ameaças sérias dos rivais, que mudou o cenário.

Verstappen dividiu a primeira fila, tendo nas mãos uma Red Bull bastante competitiva em termos de ritmo de corrida. As Ferrari estavam logo atrás. A liderança da escuderia italiana nos treinos livres mostrou não só velocidade, mas principalmente desempenho em condições de prova. E aí ainda houve uma questão sensível: a escolha dos pneus. Porque, sim, o GP dos Estados Unidos também foi decidido pela estratégia.

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Kimi Antonelli e Max Verstappen dividiram a primeira fila (Foto: F1/Reprodução)

Antonelli largou com pneus médios, enquanto Verstappen e a Ferrari optaram pelos macios. Em um circuito onde a tração na largada pode determinar todo o primeiro stint, a escolha da Mercedes criou um risco óbvio. Mas o italiano saltou melhor que Max, manteve a liderança na curva 1 e imediatamente começou a abrir vantagem. Foi uma ótima sacada, porque, mesmo sem a melhor aderência, Kimi anulou todo e qualquer ataque que poderia surgir da concorrência.

Enquanto a Red Bull e a Ferrari optaram por paradas nos boxes mais cedo, a Mercedes resistiu à tentação de reagir. Antonelli continuou guiando em um ritmo competitivo, administrando os pneus médios na tentativa de completar a corrida com apenas um pit-stop. A troca dos compostos aconteceu na volta 25 e foi impecável. Depois disso, o piloto #12 precisou apenas levar o carro até fim, ao passo que os adversários foram obrigados a parar mais de uma vez.

O resultado foi uma corrida em que a Mercedes não precisou superar todos os outros pilotos em todas as voltas. A vantagem veio ao tomar as decisões corretas e executá-las de forma consistente. Mas é necessário dizer: Kimi fez a diferença ao gerenciar muito bem os pneus e manter a frieza nos momentos críticos da prova, sem extrapolar os limites de pista. Não cometeu um único erro na 56 voltas da etapa texana da F1. Não correu com o regulamento embaixo do braço e saiu com o triunfo, que agora o coloca a 2 pontos da taça, aos 20 anos de idade.

2026 já viu conquistas dominantes de Antonelli, assim como vitórias que contaram com uma dose de sorte. Mas, em Austin, Kimi mostrou uma outra face, a de campeão. Revelou que, embora ainda longe de um desenvolvimento completo, sabe lidar com a pressão e como usá-la a seu favor. Foi perfeito quando tinha de ser. Assumiu o risco de uma tática diferente e pilotou como veterano, da excelente largada à maestria em controlar os rivais em um dia em que não era favorito. E isso é para poucos.

Antonelli está pronto para o título, porque também aprendeu que nem sempre basta ter o melhor carro.

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Horários do GP da Cidade do México da F1 2026

O GP da Cidade do México acontece de 30 de outubro a 1º de novembro, no Autódromo Hermanos Rodríguez, com treinos livres, classificação e corrida.

DiaSessãoBrasilPortugalAngolaCabo VerdeMoçambique
Sexta, 30/10TL115h3018h3019h3017h3020h30
Sexta, 30/10TL219h22h23h21h0h
Sábado, 31/10TL314h3017h3018h3016h3019h30
Sábado, 31/10Classificação18h21h22h20h23h
Domingo, 1º/11Corrida17h20h21h19h22h

Horário de Brasília para o Brasil e de Portugal continental e Madeira para Portugal.