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Antonelli campeão de 2026? Por que histórico aponta para chance real de título na F1
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Antonelli campeão de 2026? Por que histórico aponta para chance real de título na F1

É verdade que a temporada 2026 é longa e muita coisa ainda vai acontecer até dezembro, mas se depender do histórico da Fórmula 1 nos últimos 76 anos, a edição 2026 possui um claro favorito na briga pelo título: Andrea Kimi Antonelli

Vicente Soella

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Com apenas 19 anos de idade, Andrea Kimi Antonelli aos poucos tem alcançado números que se comparam a grandes campeões da história da Fórmula 1, como Ayrton Senna, Michael Schumacher, Lewis Hamilton, Sebastian Vettel, Max Verstappen, Nigel Mansell e outros. Embora ainda restem 17 corridas pela frente — talvez 18 ou 19, uma vez que as etapas no Bahrein e Arábia Saudita não foram canceladas oficialmente —, o italiano tem a matemática jogando a favor, visto que todos os pilotos que venceram quatro das cinco primeiras provas acabaram erguendo o troféu ao fim da temporada.

A vitória de George Russell no GP da Austrália, abertura do certame, parecia ser o início de uma tendência esperada já há algum tempo: desde 2025, com os rumores que apontavam a Mercedes saindo à frente das rivais com o início de um novo regulamento, a lógica dizia que o mais experiente da dupla prateada teria plenas condições de abrir uma margem na liderança nos primeiros meses. Mas o dono do #12 mostrou que o esporte a motor nem sempre é tão óbvio como muitos imaginam.

A partir do GP da China, Antonelli começou a colocar as manguinhas de fora e mostrou ao britânico que, mesmo se sair como perdedor desse duelo, com certeza vai cair atirando. Depois de fazer a pole-position e ficar com a vitória em Xangai, repetiu o feito nos GPs do Japão e de Miamitornando-se o primeiro a converter as três primeiras poles da carreira em vitórias em 76 anos de categoria. No Circuito Gilles Villeneuve, pista onde o colega de time possui um bom retrospecto, jogou duro do início ao fim e contou com o abandono do rival para subir no degrau mais alto do pódio no GP do Canadá, realizado no último domingo (24).

Como resultado, bateu a marca dos 131 pontos na classificação do Mundial de Pilotos, ampliando a vantagem na liderança para incríveis 43 tentos. E é exatamente aí que os números do italiano passam a receber contornos interessantes. Desde que a F1 adotou o atual sistema de pontuação, em 2010, nenhum piloto concluiu as cinco primeiras corridas com uma margem tão grande na tabela. O que chegou mais perto disso foi Sebastian Vettel, em 2011, quando deixou o GP da Espanha com 41 pontos de frente em relação a Hamilton (118 a 77).

Claro que isso só foi possível devido ao modelo de distribuição atual, que fornece 25 tentos ao primeiro colocado, mais do que o dobro do que acontecia entre 2003 e 2009, por exemplo, em que o vencedor faturava dez. Essa é uma observação importante a ser feita, até porque outros nomes do passado também emplacaram sequências tão surpreendentes quanto a de Kimi, mas mesmo assim não construíram uma vantagem tão grande quanto a que existe agora entre o natural de Bolonha e Russell.

Para se ter uma ideia, em 1991, Senna subiu no degrau mais alto do pódio nos Estados Unidos, Brasil, San Marino e Mônaco, antes de abandonar no Canadá por causa de uma falha no alternador. Embora tenha vencido quatro das primeiras cinco corridas, a diferença em relação a Nelson Piquet, segundo colocado do campeonato naquele momento, era de 24 pontos (40 a 16). Caso o sistema de pontuação daquela época fosse similar ao atual, o ex-McLaren teria uma vantagem de 50 tentos — mas não é isso que os números oficiais mostram.

Início de Andrea Kimi Antonelli em 2026 é dos mais incríveis da história (Foto: Mercedes)

E a história está repleta de outros exemplos que, assim como Antonelli e Senna, triunfaram em quatro oportunidades logo de cara: Jim Clark em 1963 e 1965; Jackie Stewart em 1969; Schumacher em 1994; Damon Hill em 1996; Schumacher novamente, em 2002, já com a Ferrari, e em 2004; Vettel em 2011; Hamilton em 2014; Nico Rosberg em 2016; e Verstappen em 2024. Sabe o que todos possuem em comum? Terminaram a temporada como campeões mundiais.

Importante destacar que em grande parte dos anos citados, o calendário era muito mais enxuto do que o atual. Na década de 1990, a média de etapas disputadas era de 16 — ou seja, oito a menos do que a programação original de 2026, e que ainda pode se concretizar. Estatisticamente, tudo entra na conta para mostrar que o titular da Mercedes precisa trilhar um caminho consideravelmente mais longo do que boa parte desse seleto grupo se quiser entrar para a história.

No entanto, Kimi está em condições de chegar ainda mais longe. Isso porque, se vencer o GP de Mônaco no dia 7 de junho, vai bater a marca de cinco vitórias em seis provas disputadas, um recorde alcançado somente por dois pilotos: Mansell e Schumacher, em 1992 e 2004, respectivamente. Só que há um fator curioso aqui, uma vez que tanto o britânico quanto o alemão, que triunfaram nas primeiras cinco corridas, viram as respectivas sequências tendo um fim exatamente nas ruas de Monte Carlo.

Será que o destino vai aprontar o mesmo com Antonelli? Bem, só o tempo dirá. De qualquer maneira, o italiano pode se apegar ao fato de que todos que protagonizaram um domínio tão acentuado assim em um começo de temporada, independentemente se tenham sido quatro ou cinco vitórias, terminaram como campeões. Se depender do histórico da F1, a edição de 2026 tem um favorito claro.

A Fórmula 1 retorna entre os dias 5 e 7 de junho, com a realização do GP de Mônaco, sexta etapa da temporada 2026.

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