O título de Andrea Kimi Antonelli, confirmado no GP da Cidade do México de domingo (1º), foi histórico de múltiplas formas. Além de virar o campeão mais jovem da história, com apenas 20 anos e 68 dias, e encerrar um jejum de 73 anos da Itália na Fórmula 1, o prodígio da Mercedes colocou seu nome em uma das listas mais restritas e prestigiadas do esporte: a de pilotos que conquistaram o título mundial logo em sua segunda temporada completa.

Antes de Antonelli, apenas três pilotos haviam conseguido um impacto tão fulminante nos anos iniciais de suas trajetórias na F1: Juan Manuel Fangio, Jacques Villeneuve e Lewis Hamilton. É uma estatística que atesta não apenas o talento bruto, mas a capacidade de rápida adaptação e amadurecimento sob a pressão de lutar pelas vitórias.

Vale sempre o registro histórico e a menção honrosa a Giuseppe Farina. O italiano é o único piloto até hoje a ser campeão no ano de estreia, mas o feito carrega o asterisco natural de ter ocorrido em 1950, a edição inaugural do campeonato, onde todo o grid era, naturalmente, estreante.

A lista dos campeões segundanistas começa com Fangio. O lendário argentino chegou à F1 já como um veterano experiente das corridas. No ano anterior, teve uma disputa ferrenha até a última prova, em Monza, mas um abandono por quebra de câmbio lhe custou a conquista, que ficou com o companheiro de Alfa Romeo.

A consagração, porém, não tardou. Em 1951, após uma batalha épica contra a Ferrari de Alberto Ascari, Fangio venceu a decisão no GP da Espanha, em Pedralbes, e garantiu o primeiro de seus cinco títulos mundiais.

Levou 46 anos até que alguém repetisse o feito. E, assim como o argentino, o piloto também atravessou o Atlântico para ganhar o mundo. Dono de um estilo arrojado, Villeneuve desembarcou na F1 trazendo na bagagem o título da Indy e uma vitória nas 500 Milhas de Indianápolis. A bordo da dominante Williams FW18 em 1996, o canadense estreou fazendo pole e liderando quase toda a corrida na Austrália, mas teve de se contentar com o segundo lugar após um vazamento de óleo permitir que Damon Hill o alcançasse e tomasse a ponta. O britânico, então, emendou uma sequência de quatro vitórias nas primeiras cinco provas que o deixou no comando do campeonato. O título do britânico foi selado na etapa final, no Japão.

Villeneuve derrotou Schumacher para ficar com o título em 1997 (Foto: F1)

No ano seguinte, já sem Hill como companheiro e no papel natural de líder da esquadra de Grove, Villeneuve travou uma batalha psicológica e bélica contra Michael Schumacher. O ápice ocorreu na final, em Jerez de la Frontera, quando o alemão da Ferrari bateu de propósito no rival e acabou abandonando, permitindo ao canadense celebrar a coroa mundial. O infame incidente ainda causou a desclassificação do então bicampeão.

Dez anos depois, em 2007, a F1 presenciou outro furacão em Hamilton. Prodígio da McLaren desde o kart, o britânico estreou batendo de frente e desbancando o bicampeão e companheiro de equipe Fernando Alonso. Em um ano marcado por polêmicas internas e o escândalo de espionagem Spygate, liderou boa parte do campeonato, mas perdeu o título de forma dramática por 1 ponto para Kimi Räikkönen, da Ferrari, após sucessivos azares nas provas finais na China, onde abandonou após um erro crasso na entrada do pit-lane, e no Brasil, onde teve problemas no câmbio e terminou em sétimo.

A redenção veio com requintes ainda mais cinematográficos em 2008. Após uma batalha cabeça a cabeça com Felipe Massa, a decisão ficou para a última corrida, no Brasil. Com sete pontos de vantagem, o britânico precisava apenas de um quinto lugar para selar a conquista. Em uma prova caótica, marcada por múltiplas mudanças climáticas, o brasileiro foi dominante e, quando recebeu a bandeira quadriculada da vitória, vinha sendo campeão, já que o rival ocupava o sexto lugar. Porém, Lewis superou Timo Glock na última curva para calar a torcida que lotava Interlagos e levar seu primeiro título mundial.

Com a conquista de domingo, Antonelli acrescentou seu nome à seleta lista, com direito um detalhe curioso em relação aos antecessores: foi o único a não ser vice-campeão no ano de estreia. Substituindo o próprio Hamilton na Mercedes em 2025, o italiano de Bolonha viveu um ano de intenso aprendizado e adaptação na categoria, fechando a temporada na sétima colocação, enquanto a esquadra de Brackley viu McLaren e Red Bull duelarem pelo título.

Hamilton calou Interlagos ao tirar título de Massa na última curva do GP do Brasil (Foto: AFP)

No entanto, o salto em 2026 foi colossal. Tendo em mãos um carro dominante no início do campeonato, Antonelli emendou cinco vitórias consecutivas entre China e Mônaco, após chegar em segundo na Austrália. Mesmo no segundo semestre, quando a Mercedes passou a encarar os desafios impostos pelos crescimentos de Ferrari, McLaren e Red Bull, o italiano conseguiu ditar o andamento da disputa. Com nove vitórias até o momento, além de outros sete pódios, garantiu o feito histórico na Cidade do México, com quatro provas de antecedência.

A Fórmula 1 volta de 6 a 8 de novembro em Interlagos, palco do GP de São Paulo. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 20ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1 AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Além disso, o GP estará in loco com os repórteres Evelyn Guimarães, Luana Marino, Vicente Soella e Daniel Balsa.

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DIAATIVIDADEBRASIL*PORTUGALCABO VERDEANGOLAMOÇAMBIQUE
6/11Treino livre 112:3015:3014:3016:3017:30
6/11Treino livre 216:0019:0018:0020:0021:00
7/11Treino livre 311:3012:3013:3015:3016:30
7/11Classificação15:0018:0017:0019:0020:00
8/11Corrida14:0017:0016:0018:0019:00

*Horários de Brasília