O fim de semana do GP da Cidade do México ficou marcado na história recente do automobilismo japonês, e o impacto da estreia de Ryō Hirakawa na Fórmula 1 reverberou até o topo da hierarquia da Toyota. Akio Toyoda, presidente da montadora, publicou uma carta aberta e emocionada nas redes sociais oficiais da marca para celebrar a participação do piloto de 32 anos na corrida de domingo (1º). Para o executivo, o momento representou a cicatrização de uma ferida aberta há 17 anos.

A Toyota marcou presença no grid da F1 com a própria equipe entre 2002 e 2009, quando decidiu deixar a categoria por causa da crise econômica global, que afetou severamente as finanças da empresa. Durante esse período, apoiou a formação de jovens pilotos japoneses, como Kazuki Nakajima e Kamui Kobayashi.

Enquanto Nakajima disputou duas temporadas pela Williams, em 2008 e 2009 — período em que a esquadra utilizou motores japoneses —, Kobayashi disputou as duas corridas finais de 2009 substituindo o lesionado Timo Glock na Toyota. Ele só virou titular, porém, no ano seguinte, pela BMW Sauber — já sem a marca nipônica no grid.

Desde então, a Toyota nunca mais teve um piloto na F1, até Hirakawa largar no GP da Cidade do México. O caminho para o retorno ao paddock da categoria máxima foi pavimentado pela aliança técnica com a Haas. Foi esse acordo que permitiu a Ryō atuar como piloto reserva e, consequentemente, estar a postos para ocupar o espaço deixado pelo afastamento de Esteban Ocon.

“Parabéns pela estreia na F1, Hirakawa. E, de verdade, muito obrigado. Desde 2009, quando a Toyota se retirou da categoria, sempre houve um sentimento em meu coração que nunca consegui esquecer. Todo piloto sonha, pelo menos uma vez, em guiar o carro mais rápido do mundo. Eu queria, de alguma forma, tornar esse sonho realidade. Queria colocar os pilotos da Toyota novamente em uma corrida de F1. Esse era também um sonho que carregava há muito tempo”, desabafou Toyoda.

“Com o início da parceria com a Haas, criamos, aos poucos, oportunidades para desafiar a F1, como testes e TL1. E assim, 17 anos depois, finalmente, chegou o dia em que um piloto da Toyota correria em uma prova de F1. Estou realmente feliz que esse piloto seja Ryō Hirakawa”, destacou o dirigente.

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Hirakawa disputou GP da Cidade do México no lugar de Ocon (Foto: Haas F1 Team)

A escalada do atual bicampeão do WEC rumo à F1, contudo, não foi livre de angústias. Ciente da tendência da categoria em buscar talentos cada vez mais jovens — como evidenciado pelo título de Andrea Kimi Antonelli aos 20 anos na mesma corrida —, Toyoda admitiu que temia estar prolongando o sofrimento do compatriota. Apesar das incertezas e da falta de garantias de que um dia alinharia no grid, Hirakawa manteve o foco absoluto na preparação física e técnica, algo que encheu o presidente da montadora de orgulho.

“Há pouco tempo, encontrei Hirakawa, logo após a disputa acirrada pelo assento titular do próximo ano. Naquele momento, ele me prometeu que nunca desistiria. O mundo dos pilotos de F1 está ficando cada vez mais jovem. Nesse contexto, me sentia culpado por ter causado tantos sofrimentos a Hirakawa até aqui. Por isso, disse a ele: ‘Se estiver em dúvida, escolha o caminho que achar divertido, o que realmente quiser fazer’”, revelou.

“Mesmo assim, ele continuou se preparando sem desistir, mesmo sem garantia de recompensa. É exatamente por isso que estou tão feliz com essa estreia ”, celebrou Akio.

“Na manhã seguinte ao término do TL1, de repente, foi decidido que ele também participaria do TL3 e da classificação no sábado, além da corrida no domingo. Em um tempo de preparação limitado, ele demonstrou velocidade suficiente para mirar a passagem pelo Q1 na classificação e correu com ousadia até o final na corrida”, analisou Toyoda.

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Estreia de Hirakawa pôs fim a jejum de 17 anos da Toyota sem pilotos na F1 (Foto: Haas F1 Team)

O japonês largou da 19ª colocação e sobreviveu a uma prova caótica e de altíssimo atrito no Autódromo Hermanos Rodríguez para cruzar a linha de chegada em 13º, que acabou se transformando em um décimo lugar e 1 ponto com as punições de Oscar Piastri, Pierre Gasly e Franco Colapinto. Para o mandatário da Toyota, porém, o resultado foi um mero detalhe diante do peso simbólico da ocasião.

“Olhando apenas para o resultado, talvez não tenha sido algo satisfatório. Mas vê-lo correndo com ousadia no palco de maior prestígio do mundo foi, de verdade, motivo de grande orgulho. Ao vê-lo alinhado no grid da F1, senti como se um dos meus próprios sonhos tivesse sido realizado. Hirakawa, obrigado por realizar meu sonho também”, agradeceu o executivo.

“E a vocês, Gene, Komatsu, engenheiros, mecânicos e todos os membros da TGR Haas F1 Team. É graças a todos vocês, que acreditaram em Hirakawa, o apoiaram e prepararam esse palco, que chegamos até aqui. Para que um único piloto corra em uma prova de F1, é preciso o esforço de realmente muitos colegas. Agradeço do fundo do coração a cada um de vocês. Muito obrigado de verdade”, declarou.

Olhando para o horizonte, Akio desenhou objetivos ambiciosos. A meta agora não é apenas participar, mas consolidar a presença nipônica nas posições de honra da F1. Por fim, encerrou a longa carta com um agradecimento final ao homem que recolocou as cores da marca de volta ao grid.

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Com punições de Piastri, Gasly e Colapinto, Hirakawa deixou México com 1 ponto (Foto: Haas)

“Também gostaria de expressar minha sincera gratidão às famílias que apoiaram Hirakawa, aos fãs que continuaram torcendo sem desistir e a todos os envolvidos. A corrida entregou sonhos e aspirações a muitas crianças. Ele é um piloto que já alcançou o topo do mundo nas corridas de endurance. Na F1, o primeiro passo é pontuar. E depois, subir ao pódio. Queremos apoiar, junto com os fãs, cada um desses passos. E, algum dia, gostaria de ver um piloto japonês no lugar mais alto do pódio da F1”, projetou.

“Ninguém sabe quando virá a próxima chance. Mesmo assim, acredito que Hirakawa, que acumulou paciência, superação e continuou se preparando com fé nas oportunidades até agora, certamente nos fará sonhar novamente. Gene, Komatsu e todos da Haas, vamos continuar criando juntos espaços onde os pilotos possam desafiar seus sonhos. Nem a construção de carros, nem as corridas podem ser feitas sozinho. É a conexão entre pessoas, tornando-se colegas, perseguindo sonhos juntos. É com esses colegas que quero continuar correndo daqui para frente”, afirmou.

“Hirakawa, obrigado pela emoção. Obrigado de verdade por realizar meu sonho”, finalizou.

A Fórmula 1 volta de 6 a 8 de novembro em Interlagos, palco do GP de São Paulo. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 20ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1 AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Além disso, o GP estará in loco com os repórteres Evelyn Guimarães, Luana Marino, Vicente Soella e Daniel Balsa.

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DIAATIVIDADEBRASIL*PORTUGALCABO VERDEANGOLAMOÇAMBIQUE
6/11Treino livre 112:3015:3014:3016:3017:30
6/11Treino livre 216:0019:0018:0020:0021:00
7/11Treino livre 311:3012:3013:3015:3016:30
7/11Classificação15:0018:0017:0019:0020:00
8/11Corrida14:0017:0016:0018:0019:00

*Horários de Brasília