Embora tenha o direito de fazer ainda mais uma atualização na unidade de potência em 2026, a Audi confirmou que as próximas novidades só serão vistas no ano que vem. O chefe da equipe, Allan McNish, explicou que o foco com a evolução levada para o GP de Barcelona-Catalunha, etapa seguinte à divulgação do ranking de potência das montadoras, foi melhorar a dirigibilidade.

A atualização introduzida foi pensada para dar aos pilotos maior equilíbrio em curvas de baixa velocidade, o ponto fraco do R26 até então. A Audi foi uma das montadoras beneficiadas pelo chamado ADUO (sigla em inglês para Oportunidades Adicionas de Desenvolvimento e Atualização), que estabelece concessões para montadoras com comprovado déficit de potência.

No caso específico da marca das quatro argolas, a medição da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) constatou uma deficiência acima de 4% em relação ao motor Red Bull Ford, eleito o mais potente do grid. Ela, portanto, ganhou o direito de promover até duas atualizações este ano e outras duas na próxima temporada, mas decidiu guardar o benefício.

“A atualização nos ajudou muito, especialmente nas curvas de baixa velocidade, onde éramos um pouco mais fracos. Também fizemos alguns ajustes e conseguimos, diria, melhorar a dirigibilidade. Mais uma vez, tudo se resume a características relacionadas às curvas lentas, e é isso que importa nessas situações”, explicou Allan McNish durante a passagem da F1 pela Hungria, no último final de semana.

Ciente, todavia, de que a Audi ainda tem desvantagem em relação às demais rivais, o líder do projeto, Mattia Binotto, salientou que tal lacuna não será sanada antes de 2028, que é a meta do time para ter nas mãos um carro competitivo e já capaz de brigar por vitórias. O passo seguinte é a disputa do título, projetada para 2030.

É por isso que não haverá mais mudanças no motor em 2026. “Virá no ano que vem”, ratificou McNish, esclarecendo ainda que o trabalho também é norteado pelo teto orçamentário da F1.

Gabriel Bortoleto no teste da Pirelli na Hungria: brasileiro já marcou 10 pontos no Mundial (Foto: Pirelli)

“Todos precisam gerenciar o equilíbrio entre o momento de introduzir atualizações — seja no chassi ou na unidade de potência — e onde decidir investir o orçamento. Porque não dá para gastar tudo de uma vez. Caso contrário, ficamos sem recursos para competir mais adiante. Isso exige uma gestão cuidadosa das expectativas, não apenas para uma única temporada, mas ao longo de várias temporadas”, acrescentou McNish.

“Do nosso ponto de vista, com a Audi, já introduzimos algo em Barcelona — um pequeno ajuste que funcionou bem e nos ajudou no processo. Mas diria que os componentes principais chegarão em 2027. Portanto, não esperaria ver — ou melhor, não veremos — nada significativo em relação à unidade de potência até lá”, seguiu.

“Acredito que conseguimos evoluir nosso desempenho este ano, e isso certamente esteve ligado à unidade de potência, à medida que tentávamos maximizar alguns sistemas, mas o trabalho realizado no chassi e as atualizações foram igualmente importantes. Acho que lidamos muito bem com isso. Faremos o mesmo na segunda metade da temporada, enquanto, em relação à unidade de potência, o foco está em 2027. É, em grande parte, uma questão de hardware, e isso não é algo que se possa mudar rapidamente”, encerrou o chefe da Audi.

A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.

▶️ F1: confira o calendário completo de 2026
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GPTV