Sem economizar nas palavras, Allan McNish fez um resumo detalhado de tudo o que aconteceu com os pilotos da Audi no GP da Espanha deste domingo (13), 14ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1. Em entrevista acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO, o diretor de corridas foi questionado especificamente sobre a estratégia adotada com Gabriel Bortoleto e não poupou elogios ao brasileiro, que completou nada menos que 47 voltas com o mesmo jogo de pneus duros.
Como tem acontecido quase que todo fim de semana, a dupla perdeu posições no momento da largada e teve de lutar para se recuperar em Madri. Mas ambos aproveitaram o abandono de Lewis Hamilton logo no 5º giro para herdar uma posição, ao mesmo tempo em que a postura da equipe no momento em que o safety-car virtual foi acionado devido ao problema de Lance Stroll foi diferente com cada um deles.
Enquanto Nico Hülkenberg, que começou com os pneus macios, foi aos boxes para colocar os duros, Bortoleto se manteve na pista com os compostos faixa branca para prolongar o máximo possível o stint, tudo com o objetivo de levar a melhor sobre os rivais caso houvesse uma outra interferência do safety-car ou até mesmo uma bandeira vermelha — o que não aconteceu. No fim, o alemão era o décimo na bandeirada final e o brasileiro, 13º.
“Do nosso ponto de vista, como sabemos, foi difícil no início. Caímos para 12º e 15º, e depois Gabi recuperou uma posição, passou a Williams na raça e voltou para 14º, mas ainda assim não estávamos nas posições em que começamos. Depois, com o VSC causado pelo Stroll, surgiu uma oportunidade para Nico parar. Ele estava com os pneus macios, porque dividimos a estratégia. Estava claro que tínhamos a opção de adotar estratégias diferentes, e a equipe, dos dois lados, estava analisando quais oportunidades poderiam ou não aparecer. Nós não sabíamos”, começou.
“A equipe nos boxes fez um trabalho brilhante, porque conseguiu colocá-los à frente. Foi uma parada absolutamente fantástica. Na realidade, o ponto conquistado no fim da corrida se deveu ao pessoal dos boxes. Curiosamente, o tempo da parada foi o mesmo para Gabi mais tarde, então eles fizeram duas paradas consecutivas muito boas. Certamente, isso colocou Nico em uma posição em que, considerando as diferenças de tempo, ele estava virtualmente em décimo”, seguiu.
“Precisávamos levar em conta que [Pierre] Gasly estava na pista e era muito rápido. Ele, de fato, estava forte na corrida e chegou a abrir um pouco de vantagem sobre Gabi. Mas Gabi conseguiu prolongar bastante o stint com os pneus, cobrindo o que poderia acontecer, e fez um trabalho muito bom nesse aspecto. Então, quando paramos Gabi com nove voltas para o fim, claramente estávamos esperando para ver se haveria um safety-car ou alguma outra coisa no fim da corrida. Acho que Gasly também prolongou ainda mais o stint para ver se alguma coisa aconteceria. Mas isso não se concretizou, daí o resultado final, com décimo e 13º”, detalhou McNish.

“De modo geral, ficamos satisfeitos por termos tido dois carros brigando muito próximos durante todo o fim de semana, porque isso nos deu opções para analisar estratégias diferentes diante das variáveis que não conhecíamos aqui. Os dois pilotos executaram tudo muito bem. A equipe de boxes aproveitou a oportunidade que surgiu e fez o trabalho. E, no fim das contas, conquistamos mais 1 ponto”, celebrou.
“Nesse sentido, diria que foi um bom fim de semana, considerando que, nas últimas corridas, temos brigado com algumas equipes que estão trazendo atualizações, enquanto nós não necessariamente estamos fazendo o mesmo. Então, desse ponto de vista, ainda conseguir levar um ponto para casa em um circuito como este foi bom”, pontuou o diretor da Audi.
Além de Bortoleto, outros pilotos também adotaram a estratégia de permanecer na pista com os pneus duros durante o período de safety-car virtual, como foram os casos de Charles Leclerc, Liam Lawson, Oscar Piastri, Gasly e Yuki Tsunoda, por exemplo. Até porque o risco de acidentes era grande, visto que os muros estão sempre à espreita no travado Madring, então a expectativa era realizar o pit-stop sem perder muito tempo em relação ao restante do pelotão.
“A questão é que, se ele tivesse parado, teria terminado fora da zona de pontuação. Se houvesse um VSC naquele momento, como este é um dos maiores e mais longos pit-lanes e a perda de tempo durante uma volta em bandeira verde é grande, haveria, na verdade, um ganho maior com um VSC. Então, havia a possibilidade de alguma coisa acontecer, caso acontecesse”, explicou.

“Vimos Lewis Hamilton ter um problema logo no início da corrida. Vimos Stroll parar. Vimos o que aconteceu na F3 e na F2. E, para ser sincero, não dava para descartar nada aqui. Então, desse ponto de vista, estávamos apostando nessa possibilidade e esperando para ver o que aconteceria. Chegou um momento em que já não era mais vantajoso continuar, porque as perdas seriam grandes demais. Foi então que decidimos pará-lo e colocá-lo em uma estratégia mais segura para chegar ao fim da corrida”, completou McNish.
Agora, a Fórmula 1 faz uma pausa neste fim de semana e volta entre os dias 24 e 26 de setembro, com o GP do Azerbaijão, 15ª etapa da temporada.