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Baku cria dilema ao colocar Ferrari à frente e tenta tirar McLaren da zona de conforto
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Baku cria dilema ao colocar Ferrari à frente e tenta tirar McLaren da zona de conforto

Longe da obviedade das pistas de rua da F1 atual, o traçado de Baku cobra eficiência das equipes e exige compromisso. Quer dizer, ou há uma insistência em velocidade de reta, como a Ferrari parece fazer, ou há um olhar cuidadoso para as curvas de baixa e os trechos seletivos. Não há como ter ambos no Azerbaijão. E essa é graça, porque é o tipo de terreno com potencial para preocupar a dominante McLaren e encher de esperança as demais rivais

Evelyn Guimarães

Publicado em

A Fórmula 1 viveu uma das sextas-feiras mais confusas de toda a temporada 2025, e isso se deve ao excêntrico circuito às margens do Mar Cáspio. Longe do óbvio, o traçado que percorre as ruas de Baku, palco do GP do Azerbaijão deste fim de semana, exige um acerto delicado e uma boa dose de ousadia das equipes. Quer dizer, para vencer na capital azeri é preciso se comprometer: ou com a performance final da enorme reta principal de 2 km ou com uma eficiência maior nas curvas de baixa e média velocidade, que marcam o trecho que leva para a parte mais antiga da cidade. E ainda há um terceiro elemento: os pneus e seu peculiar comportamento. Por isso, ao fim do dia, a sensação é de que o grid está mais equilibrado do que aparenta. E o fato de a Ferrari figurar à frente torna tudo ainda mais imprevisível.

A verdade é que a escuderia vermelha trabalhou de maneira bastante interessante nesta sexta-feira (19), aproveitando a mistura de boa adaptação ao histórico dos mais curiosos em Baku — afinal, apenas Charles Leclerc sai na pole por lá desde 2019. O caso é que a SF-25 tem qualidades que casam muito bem com as demandas impostas pelo circuito azeri, em especial as curvas de baixa e a longa reta. Portanto, não foi uma surpresa perceber que os engenheiros de Frédéric Vasseur dividiram o acerto dos carros do monegasco e de Lewis Hamiltono mais rápido na segunda sessão.

“Falamos sobre isso em Monza. Em circuitos com alto downforce, você conhece a configuração perfeitamente. Agora quando você explora uma pista de baixa pressão aerodinâmica, temos de corrigir os dados e fizemos um teste cruzado para entender qual configuração é a melhor e então tomaremos uma decisão esta noite”, confirmou Vasseur, sobre os distintos caminhos dos dois pilotos.

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Até pelo desempenho costumeiro em volta única, Leclerc foi o escolhido para andar com um ajuste de menor carga aerodinâmica, tentando capitalizar nos trechos rápidos. Deu certo. O carro respondeu bem, e o piloto foi capaz também de lidar melhor com as curvas mais lentas, tendo ainda uma atenção minuciosa ao desgaste de pneus. Charles se dedicou também aos compostos macios — vale dizer aqui: tanto em ritmo de classificação quanto em condições de corrida. E um dos segredos parece realmente ser a janela de temperatura dos pneus.

Enquanto isso, o heptacampeão se concentrou na configuração dos freios, mas andou muito em cima dos pneus médios e tendo um asa com maior pressão aerodinâmica. A intenção, claro, foi reunir informações para definir um caminho a seguir a partir da definição do grid neste sábado. E neste aspecto, Lewis foi apenas 0s074 mais veloz que o companheiro de equipe. Mas ambos foram quase 0s5 melhores que George Russell, o terceiro colocado, com a Mercedes. Isso quer dizer que a Ferrari tem nas mãos uma chance importante de entrar na briga não só da pole-position, mas também da vitória no domingo. E o ritmo de corrida também se mostrou forte neste ajuste. A única questão mesmo é entender o comportamento dos pneus.

Sobre isso, é importante lembrar que a Pirelli levou para Baku a gama mais macia, incluindo os novos C6. “O composto mais macio se comportou como esperado, ou seja, capaz de oferecer um nível de aderência ligeiramente superior ao C5 (médio), mas dentro de uma janela mais estreita. Além disso, há uma sugestão de que o C5 provavelmente oferece maior estabilidade nas partes mais sinuosas da pista, de modo que pode ser o pneu preferido para a parte mais importante da classificação. Não por acaso, portanto, o C6 fez a maior parte do trabalho hoje”, disse Simone Berra, engenheiro da fabricante italiana.

“Fizemos algumas mudanças no TL2, e os freios finalmente começaram a funcionar perfeitamente. Aí consegui realmente fazer progressos rápidos, ganhar bastante confiança nas frenagens. Então estou muito feliz com a evolução, e isso mostra bem a direção em que estamos indo como equipe”, contou Hamilton. “O carro estava muito melhor, tudo começou a se encaixar e minha confiança aumentou volta após volta. Foi muito positivo ter uma segunda sessão tão forte, provavelmente meu melhor TL2 do ano até agora.”

Charles Leclerc andou com pouca asa e voou em Baku (Foto: Ferrari)

É certo dizer, inclusive, que foi a melhor sexta-feira da Ferrari no ano. Leclerc adotou também um tom mais cuidadoso, porque ainda vê a McLaren à frente. “No geral, parecemos fortes, então está bom. Mas, e há um grande porém, parece que a McLaren está em outro mundo. Acho que as pessoas ficarão muito surpresas amanhã, porque Lando (Norris) não terminou algumas voltas que foram muito, muito impressionantes”, reconheceu o monegasco, que realmente tem razão.

A McLaren não pode ser descartada do cenário, mas Baku também é caprichosa. E nesta sexta-feira, tentou tirar a esquadra da zona de conforto. O time laranja viveu uma sexta-feira atrapalhada. Lando Norris e Oscar Piastri bateram e comprometeram todo o trabalho dos papaias. No entanto, enquanto estiveram em pista, foi possível notar a preocupação entre buscar um acerto para os trechos sinuosos e compensar a falta da velocidade de reta. Basicamente, a esquadra de Andrea Stella está procurando otimizar aquele acerto também usado em Monza há algumas semanas. Isso porque o MCL39 se dá melhor em curvas do que retas. Mas há um coringa importante aqui: o carro lida de forma mais eficiente com os pneus.

“Um dia um pouco difícil hoje, com alguns altos e baixos. Existe ritmo, mas não está tão fácil tirar muito dele nesse momento, essa é a principal questão”, disse Piastri, que terminou o TL2 apenas em 12º. “É um pouco complicado. Tentamos algumas coisas no segundo treino e tenho certeza de que vamos avaliar o que podemos mudar para amanhã, mas acho que vai ser um pouco diferente, com a escolha de pneus e coisas assim”, completou.

Décimo colocado, Norris se mostrou mais preocupado e entende que a concorrência será mais dura desta vez. “Até aquele momento, as coisas não estavam ruins”, falou Lando se referindo ao toque no muro durante o segundo treino, o que abreviou seu trabalho. “Mas, nesta pista, prefiro forçar e encontrar o limite em vez de dar uma volta com uma vantagem. Nunca é divertido terminar uma sessão mais cedo, gostaria de ter feito algumas voltas com um bom tanque de combustível, mas não é um problema intransponível. Acho que a Ferrari será rápida, assim como a Red Bull. Sabemos que eles parecem distantes nas sextas-feiras, mas vão mostrar velocidade amanhã. Espero uma batalha a três na classificação”, emendou o inglês.

De fato, a tendência é que a Red Bull alcance as primeiras colocações, especialmente por conta da eficiência em reta. Como na Itália, a equipe austríaca tratou de trabalhar as deficiências, ou seja, o ataque às curvas, para então definir uma estratégia mais clara. Max Verstappen terminou o dia em sexto, a 0s6 de Hamilton, e esclareceu que ainda terá pela frente muito trabalho. Mesmo mais satisfeito com o carro, o neerlandês ressaltou que, em Baku, será necessário perfeição. “Tudo correu bem”, ratificou Verstappen aos jornalistas. “O carro está bom, o que é positivo. Encontramos um equilíbrio estável nesta pista bastante específica. É disso que precisamos.”

“Tudo tem de se encaixar para se conseguir uma boa volta. Ainda estamos um pouco aquém em volta rápida. Há mais a ganhar com o carro e comigo próprio. Espero que amanhã seja um pouco melhor. O ritmo de corrida foi bom. Aqui é sempre escorregadio e difícil para os pneus mais macios. Espero que algumas equipes estejam muito próximas umas das outras e, então, tudo se resumirá a fazer uma volta perfeita”, decretou o tetracampeão.

Neste cenário todo, a Mercedes também pode ser colocada como uma competitiva quarta força. Russell e Kimi Antonelli se posicionaram logo atrás das Ferrari. E ainda que não tenha acionado o melhor mapeamento de motor, como também fez a Red Bull e a McLaren, as Flechas de Prata exibiram uma velocidade razoável e um desempenho de prova bastante decente, muito próximo ao da Ferrari. E como uma pintada de tempero, será igualmente interessante acompanhar a jornada da Racing Bulls, que voou na grande reta e tem ingredientes para embaralhar o grupo da ponta.

Ao fim e ao cabo, o sábado vai responder aos compromissos da equipe e ditar os sucessos e os fracassos do domingo.

GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 17ª etapa da temporada AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

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SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 305:3007:3009:3010:30
Classificação09:0011:0013:0016:00
Corrida08:0010:0012:0013:00

*Horários de Brasília