Gabriel Bortoleto garantiu que a paciência tem sido a principal aliada em sua trajetória com a Audi na Fórmula 1. Ao ver Andrea Kimi Antonelli e Isack Hadjar, pilotos de sua geração e antigos rivais nas categorias de base, conquistarem pódios — e até vitórias, no caso do italiano —, o brasileiro admitiu que a adaptação a uma nova realidade de resultados é um desafio, mas lembrou o histórico de bons resultados na base e reforçou a confiança no projeto de longo prazo da equipe.

Bortoleto, Hadjar e Antonelli estrearam em 2025 e são parte da nova geração de pilotos que chegou à F1 nos últimos anos. Apesar de entrarem ao grid na mesma temporada, os três estão em estágios diferentes entre si na categoria.

Antonelli foi alçado diretamente à Mercedes e, com o salto de desempenho da equipe alemã com o novo regulamento que estreou em 2026, lidera o campeonato com 102 pontos de vantagem sobre George Russell e tem a chance de garantir seu primeiro título mundial já na próxima etapa, em Austin. Hadjar, por sua vez, estreou pela Racing Bulls e foi promovido à Red Bull neste ano. Em duas temporadas, soma três pódios até aqui — o primeiro, ainda pela equipe B da marca de energéticos.

Já Bortoleto foi a grande aposta da Audi para o projeto na F1. O brasileiro participou da transição de Sauber para a equipe alemã, que faz sua estreia oficial na categoria em 2026. Por isso, ainda não teve oportunidade de brigar por pódios ou vitórias, contentando-se em disputar pontos contra outras equipes do pelotão intermediário.

Acostumado a brigar por vitórias e títulos na base, Bortoleto reconheceu o choque de realidade ao assumir o volante de um equipamento com limitações. Ainda assim, pregou paciência e demonstrou entender que o seu caminho na F1 se desenhou de forma diferente em relação a Antonelli e Hadjar.

“Eles são os dois pilotos da minha geração que estão conseguindo pódios. Corri contra eles a vida toda. A verdade é que fui bem contra eles nas categorias de base e sei do que sou capaz. Mas tenho de ser paciente. Cada um tem seu próprio caminho. Vamos ver onde todos nós estaremos daqui a 20 anos“, declarou Bortoleto ao portal Motorsport.com.

Bortoleto, Hadjar e Antonelli, assim como Bearman, estrearam como titulares na F1 em 2025 (Foto: F2)

“Estou muito feliz por estar na F1. É o primeiro passo em direção a um sonho que sempre tive. Ao mesmo tempo, para ser sincero, também é difícil quando você vem das categorias de base, onde estava ganhando, e chega à F1 sabendo que não pode brigar na frente. Já faz quase dois anos. Hoje, o objetivo é marcar pontos, e isso não é fácil”, relatou.

“Neste momento, Hadjar e Kimi estão definitivamente mais perto do objetivo final, que é vencer um campeonato mundial. Mas tudo pode mudar em um ano. Nunca se sabe. Só tenho de continuar fazendo o meu melhor“, seguiu.

A confiança de Gabriel encontra respaldo no histórico contra os rivais na base. Em 2024, o brasileiro estreou na F2 após sagrar-se campeão da F3 e faturou o título logo na estreia, superando Hadjar em uma disputa direta pela taça. Antonelli, que também fazia o primeiro ano na categoria, ficou em sexto.

Apesar da mudança de realidade e da diferença de performance em relação aos carros de Mercedes e Red Bull, o brasileiro descartou enxergar a equipe atual como um mero trampolim no grid. Bortoleto aposta no desenvolvimento da marca das quatro argolas e rechaçou sentir o peso por ter sido escolhido para iniciar o projeto.

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Bortoleto aposta no futuro a longo prazo com a Audi na F1 (Foto: Audi)

“O que me motiva e me faz continuar é o projeto do qual faço parte. Não estou em uma equipe cuja ambição é ficar onde estamos hoje. Estou em uma equipe que está melhorando a cada ano e tem um plano claro a longo prazo. Espero que um dia olhe para trás e veja que tudo o que passamos nos ajudou a chegar ao topo”, argumentou.

“Sinto orgulho, sim. Pressão, não. Haverá momentos difíceis, em que não estaremos vencendo, e tenho de continuar trabalhando na minha mentalidade, em mim mesmo, e me desenvolvendo como piloto. Porque no dia em que a Audi me der a oportunidade de vencer, com um carro e um motor vencedores — e isso vai acontecer, não acho que vai demorar tanto —, terei de estar pronto para mostrar o que posso fazer”, concluiu.

A Fórmula 1 tira uma folga neste fim de semana e retorna entre os dias 23 e 25 de outubro, para a disputa do GP dos Estados Unidos. A etapa de Austin será a 18ª da temporada 2026.