A discussão sobre mudanças no teto de gastos da Fórmula 1 voltou a ficar em evidência após James Vowles, chefe da Williams, criticar o formato atual e apontar as diferenças entre as quatro grandes equipes — Mercedes, McLaren, Ferrari e Red Bull — e o restante do grid. Zak Brown, CEO do time papaia, elogiou o modelo e indicou que a temporada 2025 foi a mais disputada da história da categoria. Por outro lado, reconheceu a complexidade da situação e ressaltou que está aberto a debater mudanças.

O teto de gastos surgiu na categoria em 2021. Entre a introdução do limite e a temporada 2025, Mercedes, Red Bull, McLaren e Ferrari somaram 83,5% dos pontos em disputa. Em comparação, nos cinco anos anteriores, a dominância era de 79,8%. Em 2026, essas equipes conseguiram 87,7% dos tentos.

Com isso, a categoria estuda a possibilidade de adotar uma ideia levantada por Vowles, com um modelo escalonado do teto orçamentário a partir da próxima temporada. O intuito, claro, é aumentar a margem de gastos das equipes que se encontram na parte de trás do pelotão.

A McLaren é o maior exemplo de recuperação financeira e esportiva graças ao limite de gastos. A equipe chegou a correr o risco de falir em 2020, mas conseguiu se estabilizar nas temporadas seguintes. Como Mercedes, Red Bull e Ferrari já não podiam gastar tanto quanto antes, o time papaia faturou dois títulos consecutivos no Mundial de Construtores — 2024 e 2025 —, além de levar a melhor no Mundial de Pilotos com Lando Norris no ano passado. Brown acredita que o modelo atual é positivo, apesar da complexidade do esporte.

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Zak Brown elogiou formato atual do teto de gastos da F1 (Foto: Pirelli)

“Acho que, como esporte, fazemos um bom trabalho ao revisar os regulamentos financeiros, esportivos e técnicos, e creio que todos nós, coletivamente, trabalhamos bem juntos para sempre tentar avançar. O esporte é muito complexo. Acredito que a maior diferença entre as equipes está nas pessoas, na cultura”, iniciou o CEO da McLaren.

“Sei que não temos a maior infraestrutura da Fórmula 1 — não acho que tenhamos a segunda ou a terceira. Somos uma equipe cliente de motores — todas essas coisas que você ouve ao longo dos anos, de que não dá para ganhar um campeonato com elas — e nós ganhamos. Creio que isso se deve ao fato de termos pessoas com excelente desempenho em nosso time”, apontou.

O dirigente também aprovou a soma das despesas de capital (CapEx) ou despesas operacionais (OpEx) no teto orçamentário. Além disso, enfatizou que está disposto a discutir mudanças no formato, embora acredite que o grid nesta temporada e na anterior esteja bastante equilibrado.

“Realmente demos um passo à frente ao combinar o CapEx com o OpEx. Então, agora você tem de decidir onde investir, assim como tem de decidir quais pilotos quer contratar. É complicado, mas estou sempre aberto a novas ideias”, salientou.

“Se você analisar o ano passado, verá que foi o grid mais disputado da história da Fórmula 1. Quando eu era mais jovem e acompanhava as corridas, na maioria das vezes eram apenas uma ou duas equipes que venciam. Agora são quatro. A quinta colocada conquistou uma pole-position nesta temporada. O esporte já é extremamente competitivo, mas estou disponível para qualquer conversa”, finalizou.

Para que mudanças no teto de gastos aconteçam já na próxima temporada, a Williams precisa do apoio da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), da Formula One Management (FOM) e de mais cinco das 11 equipes do grid. Audi, Aston Martin, Alpine e Cadillac se colocaram favoráveis à proposta.

A Fórmula 1 tira uma folga neste fim de semana e retorna entre os dias 23 e 25 de outubro, para a disputa do GP dos Estados Unidos. A etapa de Austin será a 18ª da temporada 2026.