A temporada 2026 da Fórmula 1 da Cadillac tem sido sofrida, como esperado. Entrar na categoria como a 11ª equipe e começando do zero com pouco tempo de preparação para encarar um regulamento revolucionário nunca foi uma missão fácil. No entanto, os problemas da marca norte-americana têm transformado a campanha inaugural do time em uma confusão generalizada que culmina em um carro nada competitivo e até perigoso em pista.
Antes mesmo de estrear, a Cadillac tomou decisões questionáveis nos bastidores. Primeiramente, os experientes Sergio Pérez e Valtteri Bottas, que estavam sem vaga no grid, voltaram à F1 como titulares e evidenciaram a falta de um projeto a longo prazo da marca. A ânsia de se estabelecer rapidamente no campeonato afastou a equipe da ideia de assinar com algum talento jovem que possa guiar a marca por muitos anos na categoria.
A escolha de Colton Herta para o posto de piloto reserva também gerou controvérsia, já que o norte-americano não parece se encaixar nesse padrão desejado de talento jovem e promissor e segue sofrendo na F2, com resultados bem aquém e um discreto 16º lugar na tabela de pontos.
Dentro do possível, Pérez até rende bem com a Cadillac e está com a autoestima revigorada depois da turbulenta passagem pela Red Bull, mas Bottas deixa muito a desejar e já foi alvo de rumores sobre uma possível demissão. Ainda assim, tem contrato para a próxima temporada, apesar da equipe talvez já ter se arrependido da escolha por dois pilotos veteranos e com prazos de validade bem rigorosos.
Outra escolha que se provou equivocada foi a de Graeme Lowdon como chefe de equipe. Depois de apenas 11 etapas, o britânico deixou o cargo e deu lugar a Marcin Budkowski em uma mudança tomada por Dan Towriss, CEO da marca na F1.
Budkowski carrega com si muita experiência ao longo de 23 anos de carreira com passagens por equipes consolidadas e até pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA). O polonês iniciou a carreira na F1 em 2001, como aerodinamicista da Prost. Posteriormente, ingressou na Ferrari, onde permaneceu entre 2002 e 2007 e fez parte da equipe durante o período laureado que rendeu títulos no Mundial de Pilotos e Construtores. O dirigente ainda passou pela McLaren entre 2007 e 2014 e encerrou a primeira passagem pela categoria na Alpine, no início de 2022.

Todo esse repertório pode animar a Cadillac por uma reação na F1. Porém, os problemas em pista parecem ser tão complexos quanto as questões enfrentadas nos bastidores.
Até o momento, a Cadillac é a única equipe ainda zerada depois de 11 etapas. A esquadra também sofre diversos problemas em aspectos básicos e, além das constantes falhas nos freios, episódios como quebras na suspensão e a queda de espelhos retrovisores em alta velocidade não eram raros. O resultado disso tudo são nove abandonos em 22 largadas somadas de Pérez e Bottas.
Uma equipe que chega à linha de chegada em apenas 59,1% das largadas e tem ‘DNF’ como o resultado mais recorrente não pode sonhar com pontos no curto prazo. A situação, inclusive, é tão preocupante que a Cadillac virou até um perigo para os demais competidores.
No TL2 do GP de Mônaco, o carro de Pérez sofreu um incêndio no freio dianteiro, forçando o mexicano a pular do carro em chamas e soltando muita fumaça. Na Áustria, foi Bottas quem denunciou fogo no carro logo no início da prova, na volta 2. Com problemas nos freios, Pérez também abandonou no Red Bull Ring e perdeu a chance de testar a fundo as atualizações trazidas pelo time para aquele fim de semana.

Na Hungria, Bottas mais uma vez viu os freios soltarem fumaça depois de superaquecerem e também teve de deixar o carro às pressas. Esses diversos exemplos, além de preocupantes e recorrentes, também desencadeiam um ciclo vicioso que impede qualquer evolução da Cadillac na F1.
A melhor forma da Cadillac escapar do buraco atual é acumulando quilometragem. No entanto, a única maneira de fazer isso é saindo desse estado atual e chegando até o final das corridas constantemente, algo que ainda parece ser uma realidade distante. Mesmo assim, resta apenas apostar na bagagem de Budkowski, na experiência de Bottas e Pérez e na falta de pressão por resultados neste momento para conseguir mostrar algum sinal de esperança antes das novas mexidas no regulamento em 2027.
A Fórmula 1 volta neste final de semana, de 21 a 23 de agosto, no GP dos Países Baixos, 12º da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades em Zandvoort AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações e corridas em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV. Além da cobertura completa, o GRANDE PRÊMIO estará in loco com o repórter Leonid Kliuev.
GP dos Países Baixos de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
Horários no Brasil*
- Treino livre 1: 07:30
- Classificação sprint: 11:30
- Corrida sprint: 07:00
- Classificação: 11:00
- Corrida: 10:00
Horários em Cabo Verde
- Treino livre 1: 09:30
- Classificação sprint: 13:30
- Corrida sprint: 09:00
- Classificação: 13:00
- Corrida: 12:00
Horários em Portugal e Angola
- Treino livre 1: 11:30
- Classificação sprint: 15:30
- Corrida sprint: 11:00
- Classificação: 15:00
- Corrida: 14:00
Horários em Moçambique
- Treino livre 1: 12:30
- Classificação sprint: 16:30
- Corrida sprint: 12:00
- Classificação: 16:00
- Corrida: 15:00