Atual chefe da Audi, Allan McNish tinha apenas 19 anos quando recebeu a oportunidade de testar um carro de Fórmula 1 da McLaren pela primeira vez, ao lado de Ayrton Senna. O escocês recordou a experiência e disse que, além de se impressionar com a velocidade, a vivência com o brasileiro ensinou que o automobilismo vai além do trabalho nas pistas.

Recém-saído do vice-campeonato da F3 Britânica de 1989, o escocês foi ao circuito de Estoril para andar com um dos carros da equipe campeã e teve Senna como companheiro de testes. Apesar da dimensão do momento, McNish contou que não parou para pensar muito no peso da experiência naquele momento. O impacto veio quando saiu do carro.

“Na verdade, isso foi pouco antes de ir para o GP de Macau. Nunca pensei muito sobre isso na época, porque estava apenas cumprindo obrigações. Senna era campeão mundial, McLaren era campeã mundial naquele momento, mas você simplesmente ia lá e fazia o que tinha de ser feito. O que lembro é que saí do carro pensando: ‘Nossa, isso é rápido!’“, contou à edição britânica do portal Motorsport.

A experiência, no entanto, foi além da velocidade. McNish destacou que Senna conversava sobre aspectos técnicos do carro e acabou se tornando uma referência para o jovem piloto entender o nível de exigência necessário para chegar ao topo do automobilismo.

“Ayrton estava falando sobre atrito do motor e várias outras coisas, e aquilo foi um parâmetro. Percebi muito rapidamente que, se você quer ter sucesso nesse esporte, precisa elevar o nível a cada etapa. O talento leva você até certo ponto. Existe uma ética de trabalho e uma atenção aos detalhes que você precisa colocar em prática”, explicou.

Isso foi uma educação para mim. E ainda tenho o antigo relatório de dados daquele primeiro teste em Estoril”, revelou.

Atual chefe da Audi, Allan McNish foi piloto de testes da McLaren no fim dos anos 1980 (Foto: Reprodução)

O material, porém, também serve como retrato de quanto a tecnologia da F1 mudou nas últimas décadas. McNish explicou que a comparação de dados era extremamente rudimentar em 1989. Em vez das ferramentas digitais utilizadas atualmente, os pilotos precisavam juntar duas folhas de papel e observá-las contra a luz para comparar as informações.

“Eram duas folhas de papel que você colocava juntas e segurava contra a luz, porque não existiam comparações de dados como hoje. Ainda tinha um pedal de embreagem e apenas dois botões no volante. Eles são dinossauros em comparação com os carros de hoje“, concluiu.

A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.