Rubens Barrichello e Michael Schumacher viveram uma relação de altos e baixos durante os seis anos que dividiram a Ferrari. Jenson Button, que foi companheiro de equipe do brasileiro na Honda e na Brawn, revelou que passou a entender o motivo de o heptacampeão querer o paulista por perto: ele era o melhor não só em acertar, mas também desenvolver o carro.

Entre 2000 e 2005, a Ferrari conquistou cinco títulos consecutivos tanto no Mundial de Construtores quanto no Mundial de Pilotos, todos com Schumacher. A parceria entre Michael e Barrichello foi uma das mais vitoriosas da história da Fórmula 1, mas também foi marcada por controvérsias igualmente históricas, como o GP da Áustria de 2002 — a equipe italiana instruiu o brasileiro a ceder a vitória para o alemão, que já tinha ampla vantagem no campeonato.

Button, que também trabalhou ao lado de Rubens entre 2006 e 2009, enalteceu o antigo companheiro de equipe e o classificou como o melhor em acertar e desenvolver o carro. O britânico também admitiu que ficou surpreso com a capacidade do brasileiro em passar para a equipe o feedback exato do que sentia atrás do volante.

“Já me fizeram essa pergunta muitas vezes: quem você acha que foi o melhor piloto para acertar o carro? E, de longe, foi o Rubens. No que diz respeito a trabalhar com uma equipe, desenvolver um carro, entender o que o modelo está fazendo na pista e repassar essas informações, mas também simplesmente saber o que fazer, em vez de deixar que o engenheiro cuide de tudo sozinho”, declarou o campeão mundial de 2009 ao podcast Beyond The Grid.

Jenson Button não poupou elogios a Rubens Barrichello (Foto: Reprodução)

“Era nisso que ele era realmente impressionante. Entendo por que Michael o quis como companheiro de equipe por tantos anos. Tive a sorte de vivenciar isso quando começamos a correr juntos, e pude realmente perceber as habilidades que ele possuía e que eu nem sabia que existiam”, admitiu.

Jenson também relembrou o ambiente da Honda entre 2006 e 2008. Apesar da infraestrutura considerável da montadora japonesa, passaram a entrar em declínio a partir da temporada 2007 e ficaram longe de brigar por títulos e vitórias.

“Todos nós queríamos ganhar. Estávamos fazendo o máximo que podíamos para vencer. Não eram equipes amadoras competindo contra a Ferrari. Eram centenas de pessoas com muita experiência no esporte”, recordou.

“Então, a mentalidade de vencer sempre esteve presente. Só que não tínhamos exatamente o pacote necessário para isso. Mas acho que receber o feedback de dois pilotos experientes foi realmente importante. E, obviamente, eles davam bastante atenção a Rubens, porque ele veio da Ferrari e trabalhou ao lado de Michael”, finalizou.

A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.