Toto Wolff resolveu deixar de lado os problemas de segurança que o GP do Japão evidenciou acerca do regulamento de 2026 e disse que a Fórmula 1 atual é “corrida pura”. Para o chefe da Mercedes, ver um piloto recarregando a bateria enquanto o outro utiliza a potência elétrica para ultrapassar “é emocionante”.
A fala controversa vai na contramão do que praticamente todos os demais rivais falaram sobre a corrida em Suzuka, realizada no último domingo (29). Vencida por Kimi Antonelli, o GP do Japão foi marcado pelo violento acidente de Oliver Bearman, que jogou o carro na grama em alta velocidade para não encher a traseira de Franco Colapinto, muito mais lento por perda de potência, perdeu o controle e bateu forte contra a barreira de proteção.
Bearman chegou a descer do carro sem conseguir colocar o pé direito no chão, sendo amparado pelos fiscais de pista. A Haas confirmou que o jovem de 20 anos recebeu um impacto de 50G de força após bater a 308 km/h. No momento do acidente, a diferença de velocidade entre ele e Colapinto era de 45 km/h.
Rapidamente, pilotos como Carlos Sainz, Lando Norris, Oscar Piastri e Max Verstappen voltaram a bradar contra o regulamento e cobraram uma solução da FIA. Ayao Komatsu, chefe da Haas, ainda frisou que o acidente “poderia ter sido muito pior”. Wolff, em contrapartida, focou no que considera a melhor parte das atuais mudanças.
“A Fórmula 1 está mudando e se tornando corrida pura. Ver um piloto recarregando a energia enquanto outro a utiliza é emocionante”, disse o líder da Mercedes aos jornalista em Suzuka.

“Vamos falar sobre a ciência das corridas que está se desenvolvendo e está nas mãos dos pilotos. Mas talvez Max e os outros preferissem as regras do ano passado, quando quase não vimos ultrapassagens aqui em Suzuka”, acrescentou.
Em seguida, Wolff resolveu indagar os profissionais de imprensa: “Ninguém pode reclamar da falta de beleza das corridas. Vocês concordam ou não?” O que se ouviu, contudo, foi o silêncio. Sem se dar por vencido, Toto continuou: “Apenas os conservadores, os tradicionalistas e aqueles que vivem no passado podem não gostar”.
Líder do Mundial de Construtores com um aproveitamento de 100%, a Mercedes tem motivos de sobra para estar satisfeita com o atual regulamento da F1, que tem no aumento da parte elétrica dos motores a principal mudança. Mas Wolff também admitiu que há pontos nas regras que precisam ser melhorados.
“Para mim, a corrida não é o problema, temos de trabalhar na classificação, e faremos isso em Londres, no dia 9 de abril”, encerrou.
A Fórmula 1 agora entra em hiato após a suspensão dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita e retorna de 1º a 3 de maio com o GP de Miami.
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