Toto Wolff buscou inspiração em Alain Prost para definir a melhor forma de lidar com os pilotos na Mercedes. O austríaco revelou que conversou rapidamente com o tetracampeão em 2013, logo que assumiu o comando da equipe alemã, e quis entender o que havia dado errado na relação com Ayrton Senna e ouviu que a chefia da McLaren colocou um contra o outro.
A parceria entre Prost e Senna viveu momentos tensos entre 1988 e 1989, culminando na ida do francês para a Ferrari. Wolff disse que decidiu aprender com aquele exemplo para não repetir erros quando enfrentou rivalidades internas, como a briga entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg pelo título entre 2014 e 2016.
“O que tento transmitir para a equipe é transparência. Quando comecei na Mercedes, encontrei Alain Prost, que não conhecia na época. Foi uma conversa de cinco minutos no grid e perguntei: ‘O que deu errado com você e Senna?’. Ele respondeu: ‘Nada deu errado entre nós dois. O que deu errado foi que a direção da equipe nos colocou um contra o outro. Nunca sabíamos onde estávamos. Um fim de semana você era o preferido, no seguinte não sabia nem se tinha assento. E nunca tínhamos informação clara’”, revelou Wolff.
“Isso aumenta a tensão, deixa os pilotos paranoicos e fechados. Eventualmente, leva à implosão do relacionamento entre todos. Nunca quis cair no mesmo erro”, emendou.

Além da conversa com Prost, o chefe da Mercedes também citou a influência de Niki Lauda, que defendia uma gestão simples e honesta. “Niki dizia: ‘Não estamos aqui para enrolar, somos diretos. As coisas são como são’”, lembrou.
Essa postura, garantiu Wolff, foi aplicada em todas as fases da Mercedes, seja com Hamilton, Rosberg, Valtteri Bottas ou agora George Russell. O dirigente citou até o momento recente em que precisou avisar Russell sobre as conversas da equipe com Max Verstappen para 2026.
“George foi o primeiro que liguei para dizer: ‘Preciso considerar essa conversa, é meu dever como chefe de equipe, só para você não ser pego de surpresa’. Sempre fui transparente. Às vezes pode parecer ingenuidade, porque vejo pilotos como membros da família, aliados, parte da tribo. Por isso, sou brutalmente honesto. Nem todos conseguem lidar com isso, mas George consegue. Lewis também conseguia”, explicou.
Sobre Hamilton, Wolff ainda relembrou a tensão vivida no final de 2026, quando Rosberg conquistou o título e anunciou a aposentadoria dias depois. Naquele período, o britânico havia desobedecido ordens no GP de Abu Dhabi ao reduzir o ritmo para colocar o rival sob pressão dos carros que vinham atrás. O austríaco afirmou que uma conversa franca foi fundamental para evitar uma ruptura definitiva.

“Foi um período muito difícil com Lewis. Tivemos momentos complicados na época da premiação da FIA, quando Nico anunciou a aposentadoria, e também nas semanas seguintes. Então disse: ‘Precisamos sentar, porque se não falarmos um com o outro, para onde vamos?’. Queria que ficasse na equipe por muito tempo. Disse ser o melhor piloto e, se achasse sermos a melhor equipe, precisávamos colocar todos os pontos na mesa”, recordou.
“Aprendemos juntos que é preciso se comunicar. Em muitas coisas temos os mesmos objetivos, mas em outras não. O importante é saber disso. Foi uma ótima conversa e entendi que se fechar não é o caminho. É preciso conversar, mesmo que seja difícil e tenho feito isso desde então”, finalizou.
A Fórmula 1 retorna de 19 a 21 de setembro com o GP do Azerbaijão, 17ª etapa da temporada 2025.
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