O caprichoso aguaceiro que tomou conta do circuito Gilles Villeneuve neste sábado (17) reforçou muito da sensação de que Max Verstappen é invencível nesse momento da carreira, ajudado por uma Red Bull atenta e um carro estupendo. Não é exatamente uma surpresa vê-lo na pole, mas é impressionante a forma como a conquistou. Portanto, o bicampeão é favorito à vitória no domingo. E isso também implica em outra situação: a briga, de novo, deve se resumir ao melhor do resto. Desta vez, entre Aston Martin e Mercedes.
Antes de entender os elementos dessa disputa, é relevante falar sobre como Verstappen cravou a posição de honra do grid. Habitualmente, Max é muito bom no molhado, mas o que se viu em Montreal vai um pouco além, pois exigiu também uma interpretação exata do que acontecia na pista. Porque ora a chuva se mostrava mais pesada, ora mais leve. Tanto que, em determinado momento da sessão, foi possível até mesmo lançar mão dos pneus slicks. Quer dizer, tudo foi uma questão de aproveitar o asfalto no momento correto.
Deste ponto de vista, Verstappen acertou precisamente todas as vezes que saiu para suas voltas lançadas, incluindo a escolha de pneus. O giro da pole, aliás, veio de uma decisão perfeita. Max foi o primeiro a sair no Q3, tirou proveito de um único instante de pista menos encharcada e foi premiado com um tempo inalcançável de 1min25s858 — 1s2 melhor que o segundo colocado, naquele momento Nico Hülkenberg, que depois sofreu uma punição e perdeu a primeira fila.
“Ontem, não foi um dia muito bom, mas fizemos alguns ajustes para que o carro estivesse um pouco melhor para pilotar hoje. Mesmo com chuva, é preciso estar em cima de tudo o que está acontecendo. Nós tomamos as decisões certas e na hora certa, e estou muito feliz com a pole”, confirmou Verstappen.
Também por isso, é difícil imaginar outro piloto no degrau mais alto do pódio no Canadá. Muito embora a sexta-feira tenha sido mais complicada, é fato que o ritmo de corrida dos taurinos segue muito forte. Portanto, mesmo em pista seca, o líder do campeonato deve se impor.
E se o rubro-taurino ocupa esse lugar de ponta, a disputa que surge é realmente para entender quem vai ocupar o posto de ‘melhor do resto’ — algo que tem sido corriqueiro em um ano de supremacia de Verstappen e a Red Bull. No Canadá, essa briga tende a ser entre Aston Martin e Mercedes, que devem também tentar um salto maior. Com a punição dada a Hülk, Fernando Alonso é quem aparece na primeira fila — curiosamente, em 2022, ele também surpreendeu ao partir ao lado de Verstappen em Montreal. Agora, parece ter uma máquina melhor ajustada para ir além.
De fato, o carro verdinho tem algumas cartas na manga. A equipe britânica promoveu uma robusta atualização no AMR23, incluindo mudanças no assoalho, asas e sidepods. Tudo para se aproximar da Red Bull e retomar o posto de segunda força do grid. Para a corrida, o desempenho é forte. Importante dizer que Alonso foi o melhor nas simulações de prova no longo TL2 da sexta-feira, e isso pode fazer a diferença para a Mercedes.

“Acredito que amanhã teremos a chance de colocar pressão [na Red Bull]”, falou o bicampeão espanhol, que havia conquistado o terceiro melhor tempo — importante dizer que o piloto do carro #14 quase acertou o melhor momento da pista no Q3. “Acho que eles tiveram vitórias muito fáceis até agora e, amanhã, espero que eles se esforcem mais”, completou.
Enquanto Fernando pensa nos taurinos, a Mercedes tem como foco o próprio asturiano. Também com uma versão totalmente atualizada de seu carro, a equipe alemã busca dar o passo seguinte e, ao menos, repetir o feito da Espanha. Ou seja, colocar sua dupla de pilotos no pódio. Apesar da diferença significativa na tabela de tempos, as posições de largada de Lewis Hamilton e George Russell são melhores do que em Barcelona e, se o ritmo realmente for o mesmo, o embate com Alonso será dos mais interessantes.
Os dois ingleses ocupam a segunda fila, com o heptacampeão à frente. Por ora, no entanto, é difícil entender o desempenho real das Flechas Pretas. Isso porque a sexta-feira atípica provocou uma mudança na estratégia do time, que conduziu a simulação de corrida em um momento de pista mais suja. Então, esse ritmo guarda um mistério para a corrida de domingo — talvez uma das grandes apostas da Aston Martin.
De toda a forma, a octacampeã confia em um pulo de qualidade em prova, como historicamente acontece, mas outro fator. “Nosso ritmo de corrida costuma ser melhor, e estou esperando que seja também amanhã. É difícil de avaliar realmente, porque fizemos nossa simulação de corrida no início da sessão de sexta-feira, quando a pista estava muito mais lenta”, falou o piloto do carro #44.
“Max provavelmente estará longe, mas se eu puder encostar em Alonso e fazer da vida dele um inferno, é isso que farei”, prometeu Hamilton. Só por isso já vale acompanhar a prova, hein?

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E quem corre por fora? Por conta da punição que tomou por violar as regras da bandeira vermelha, a surpresa da classificação, Hülkenberg, perdeu a primeira fila e vai largar em quinto — ainda assim um resultado importante para a Haas. Porém, há incertezas quanto ao ritmo de corrida da equipe americana, enquanto Esteban Ocon, com a Alpine, é uma ameaça mais contundente.
Assim como a Haas, a McLaren também é uma incógnita, mesmo com Lando Norris em sétimo e Oscar Piastri em oitavo. Então, há ab. A classificação representou um duro golpe para os italianos. Depois de uma sexta-feira em que a performance em condições de corrida se mostrou promissora, os erros de ambos os pilotos — e com direito a punição — significaram um revés doloroso para Maranello, que terá de torcer por uma corrida com zero problemas.
Por fim, a previsão é de pista seca neste domingo para a corrida em Montreal, com Verstappen partindo da pole. Portanto, em termos de estratégia, a Pirelli — fornecedora única dos pneus da F1 — sugere como tática mais rápida a de dois pit-stops, fazendo uso de pneus médios no primeiro trecho e macios para os estágios finais. Ou ainda tentar uma prova com uma única parada, usando os compostos duros e médios. Essa última sugestão pode ser utilizada por quem larga no meio do pelotão, até para se ter alguma flexibilidade em eventuais momentos com safety-car.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do fim de semana da Fórmula 1 no Canadá AO VIVO e EM TEMPO REAL. A corrida, neste domingo, está prevista para ter largada às 15h (em Brasília). No sábado e no domingo, há também a segunda tela, em parceria com a Voz do Esporte.