Um dos visuais mais memoráveis da Fórmula 1 no fim dos anos 2010 foi o rosa da Force India, depois Racing Point, que abrilhantou o grid por quatro anos. Mas o que pouca gente sabe é que Toto Wolff, chefe da Mercedes, teve papel fundamental na mudança da equipe indiana, que teve de abandonar o esquema de cores com o qual nasceu na categoria.

MCLAREN AMEAÇA MERCEDES MAIS QUE FERRARI NA F1? E HÜLKENBERG NA AUDI ATÉ 2030? | WGP

Quem contou foi Otmar Szafnauer, que foi chefe da Force India durante anos e o responsável pela mudança. Mas tudo começou com a procura da BWT, empresa austríaca de tratamento de água, pela Mercedes para patrocínio tão importante que teria de colocar a cor dela nos carros. A negativa de lá criou outra situação.

“A cúpula da Mercedes respondeu que eram as Flechas Prateadas, não as Flechas Rosas. Quando começou a conversa sobre deixar os carros rosas, a Mercedes disse que não”, recordou em entrevista ao podcast High Performance Racing.

“Toto disse a eles que em vez de desistirem da F1, ‘por que não conversam com Otmar? Tenho certeza de que ele toparia'”, contou.

Foi exatamente o que a BWT fez pensando na temporada em 2017, por meio do CEO Andreas Weissenbacher, que também foi o responsável por fazer do rosa a cor da marca. Isso, porque, em dado momento, percebeu que quase todas as companhias do ramo de tratamento de água tinham identidade baseada no azul. A conversa rapidamente deu frutos.

Otmar Szafnauer contou o caso da ajuda oferecida por Toto Wolff para a Force India (Foto: Alpine)

“Após duas semanas de conversas com Andreas, tive de decidir. Não tínhamos assinado o contrato ainda, nenhum pagamento havia sido feito, mas tive de decidir se pintava os carros para Melbourne [GP da Austrália que abria o campeonato] ou não”, disse.

Havia um importante porém. Desde que a Force India fora fundada, em 2008, tinha o carro pintado nas cores da bandeira nacional da Índia. Era uma premissa básica para o time.

“Então, lancei a sorte e apostei, porque pensei comigo que se chegássemos na Austrália com os carros pintados de rosa e eles não pagarem, Vijay Mallya [então dono da equipe] não ficará muito contente. Imagina ficar sem as cores da bandeira da Índia e sem grana”, lembrou. “Mas Andreas manteve a palavra, pagou e foi assim que os carros passaram a ter a cor rosa”, finalizou.

O esquema de cores sobreviveu à venda da Force India para o consórcio liderado por Lawrence Stroll e mudança de nome para Racing Point. O rosa deixou a entidade somente em 2021, quando o time foi rebatizado como Aston Martin e adotou o tradicional British Racing Green. Atualmente, a BWT patrocina a Alpine, mas deixará a F1 no fim da temporada 2026. Já Szafnauer, por sua vez, deixou o time apenas no fim de 2021.

A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.

▶️ F1: confira o calendário completo de 2026
▶️ Inscreva-se nos canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GPTV