Lando Norris, Max Verstappen e Oscar Piastri entram para o GP de Abu Dhabi, que acontece neste domingo (7) como candidatos ao título mundial de Fórmula 1. É a primeira vez desde 2010 — e também na era Liberty Media — que o campeonato chega na rodada final com três postulantes diferentes mirando o troféu.
A briga é resultado de uma temporada muito equilibrada, que mesmo sem necessariamente contar com corridas épicas, teve diversas reviravoltas ao longo das 23 etapas disputadas. Piastri foi quem mais liderou o certame, mas sentiu o peso da disputa e abriu chance para o companheiro de equipe Norris, que cresceu na hora certa e tem a vantagem antes da decisão em Yas Marina.
Além dos pilotos da McLaren, surge também o tetracampeão mundial Max Verstappen, que tenta igualar o recorde histórico de títulos consecutivos por meio de uma recuperação histórica, já que o piloto da Red Bull chegou a estar mais de 100 pontos distante da liderança. Agora, são apenas 12.
Como aquecimento para a decisão, o GRANDE PRÊMIO recorda todas as ocasiões nos 75 anos do Mundial em que três pilotos ou mais chegaram na etapa final com chances matemáticas de conquistar o título.

1950: Farina x Fangio x Fagioli
Para contar a história das disputas triplas pelo título da Fórmula 1, também é necessário voltar ao primeiro ano da história do Mundial. Após as seis primeiras corridas da temporada de 1950, o cenário apresentava o argentino Juan Manuel Fangio, de Alfa Romeo, na liderança contra os companheiros de equipe Luigi Fagioli e Nino Farina.
O argentino chegou para a decisão, na Itália, com 26 pontos. Eram 2 de distância para Fagioli e 4 para Farina.
Fangio largou na pole, mas sofreu duas quebras. Além de perder o próprio carro, acabou vendo a Alfa Romeo que tomou das mãos de Piero Taruffi também abandonar. O caminho ficou aberto para Farina, que após largar de terceiro, liderou praticamente toda a prova para se tornar o primeiro campeão mundial de Fórmula 1.
1951: Fangio x Ascari x González

A segunda temporada do Mundial também ficou marcada pelo início de uma das grandes rivalidades dos primórdios da F1: o italiano Alberto Ascari, da Ferrari, contra o argentino Juan Manuel Fangio, da Alfa Romeo. Em tempos de calendário reduzido e pontuações menores, eles receberam a companhia de um terceiro elemento: José Froilán González, compatriota de Fangio, mas companheiro de equipe de Alberto.
Antes da decisão em Pedralbes, na Espanha, Juan Manuel tinha a vantagem com 27 pontos, apenas 2 de distância para Ascari, enquanto González surgia no terceiro lugar com 21.
Em uma longa prova marcada por problemas em relação aos pneus, Fangio teve a vantagem ao escolher rodas traseiras de 18”. O argentino venceu com tranquilidade, com González em segundo e Ascari no quarto lugar, levantando o primeiro de seus cinco canecos na Fórmula 1.
1959: Brabham x Moss x Brooks

Com a aposentadoria de Juan Manuel Fangio e a abrupta morte de Mike Hawthorn, o ano de 1959 apresentou um grid sem campeões mundiais e um cenário muito aberto para a taça. A liderança do certame esteve nas mãos do australiano Jack Brabham, da Cooper, durante basicamente todo o campeonato, mas ele não conseguiu impedir as chegadas do companheiro de equipe Stirling Moss e de Tony Brooks, da Ferrari.
Brabham chegou para a decisão, em Sebring, com 31 pontos, contra 25,5 de Moss e 23 de Brooks. Para o título, bastava apenas que Stirling não vencesse ou terminasse em segundo na sua frente.
Moss até fez sua parte ao largar da pole-position e liderar as voltas iniciais, mas uma quebra de câmbio o fez amargar um abandono e encerrar, mais uma vez, o sonho do título mundial. Brabham assumiu a liderança e conduzia a vitória de forma tranquila, até sofrer uma quebra com poucos metros para a chegada. O australiano desceu do carro e empurrou até a linha de chegada, terminando na quarta posição, o suficiente para levar o primeiro título da carreira, com Brooks vice.
1964: Surtees x Hill x Clark

1964 é lembrado até hoje como um dos anos mais dominados pelos pilotos britânicos na história da Fórmula 1, especialmente pelos grandes nomes da época: Graham Hill, da BRM, e Jim Clark, da Lotus. Porém, na reta final, contaram com a arrancada de John Surtees, multicampeão no Mundial de Motovelocidade, com a Ferrari.
Para a decisão no México, Hill tinha 39 pontos contra 34 de Surtees, enquanto Clark tinha 30, amargando reveses recentes. Para confirmar a taça, Hill precisava apenas de um segundo lugar.
Graham batalhava pelo pódio contra Lorenzo Bandini, companheiro de equipe de Surtees, quando foi tocado e rodou. Com danos no escapamento, o piloto da BRM andou com pouca potência pelo restante da corrida. Logo, o cenário começou a se desenhar em prol de Jim Clark, que largou da pole e liderou toda a prova, e levaria o título nos critérios de desempate contra Hill.
Porém, na última volta, o motor da Lotus começou a falhar e Clark entregou a vitória a Dan Gurney, da Brabham. Sabendo da probabilidade de título de Surtees, a Ferrari sinalizou para que Bandini cedesse o segundo lugar a John, que conquistou a taça por apenas 1 ponto sobre Hill.
1968: Hill x Stewart x Hulme

1968 é um dos anos mais marcantes dos primórdios da Fórmula 1. Uma sequência de acidentes fatais — inclusive do bicampeão mundial Jim Clark — mudou a mentalidade em termos de segurança, além da inovação tecnológica das asas, trazida pela Lotus de Colin Chapman, que tinha Graham Hill como líder do campeonato, em disputa contra Jackie Stewart, da Matra, e Denny Hulme, da McLaren.
Hill esteve na liderança na maior parte do campeonato e chegou para a decisão, no México, com 39 pontos, apenas 3 à frente de Stewart e 6 sobre Hulme. Para o título, precisava apenas de um pódio sem que Jackie vencesse a prova.
Hulme, que era o atual campeão do mundo, sofreu uma quebra de suspensão e um acidente ainda nas voltas iniciais, abandonando a disputa. Stewart, com problemas de motor, se arrastou para terminar apenas em sétimo. Hill venceu a corrida, adicionando um segundo título mundial ao currículo.
1974: Fittipaldi x Regazzoni x Scheckter

Com a aposentadoria do tricampeão mundial Jackie Stewart, a temporada de 1974 foi vista como a oportunidade de muitos para agarrar um título sem o principal piloto da atualidade. E apesar dos esforços de Niki Lauda, a briga se resumiu a dois nomes: o brasileiro Emerson Fittipaldi, de McLaren, e o suíço Clay Regazzoni, de Ferrari. Mas o cenário de equilíbrio permitiu um terceiro elemento: o sul-africano Jody Scheckter, de Tyrrell.
Com a vitória no GP do Canadá, Fittipaldi e Regazzoni chegaram empatados para a decisão em Watkins Glen, ambos com 52 pontos. Jody abandonou na ocasião, mas com 45 tinha a chance de superar os rivais caso vencesse nos Estados Unidos com a dupla fora dos pontos.
A prova, que ficou marcada pelo acidente fatal de Helmut Koinigg, teve Regazzoni sofrendo desde o início com problemas no amortecedor da Ferrari. Lento, o piloto suíço foi apenas 11º, 4 voltas atrás do vencedor Carlos Reutemann. Com o quarto lugar, Fittipaldi levou o segundo título da carreira e o primeiro da McLaren.
1981: Piquet x Reutemann x Laffite

1981 foi um ano marcado pela polêmica batalha entre FISA e FOCA fora das pistas, que eventualmente resultou na assinatura do primeiro Pacto da Concórdia. Fora dela, uma briga muito apertada pelo título tinha o argentino Carlos Reutemann, da Williams, como líder contra o brasileiro Nelson Piquet, da Brabham, e o francês Jacques Laffite, da Ligier.
Reutemann teve um grande início de campeonato e liderou a temporada quase inteira, mas teve de aguentar uma incrível recuperação de Piquet. O argentino tinha 49 pontos contra 48 do brasileiro. Já Laffite, que venceu o GP do Canadá, chegou para a decisão com 43 e chances matemáticas de taça.
Na decisão, no GP do Caesars Palace, em Las Vegas, Reutemann até fez a pole-position, mas conviveu com problemas de câmbio desde o início da corrida e recebeu a bandeirada apenas no oitavo lugar, sem pontuar. Batalhando contra a exaustão do desafio físico da quente Nevada, Nelson remou até um quinto lugar que rendeu o primeiro título mundial por apenas 1 ponto.
1983: Piquet x Prost x Arnoux

1983 foi uma das temporadas mais marcantes da “era turbo” da Fórmula 1, especialmente com a rivalidade entre Brabham e Renault. Alain Prost era o representante do time francês e comandou a maior parte do campeonato em uma disputa contra o brasileiro Nelson Piquet, campeão mundial de 1981 e que conduzia o carro da equipe inglesa. Ainda deu tempo de René Arnoux, de Ferrari, se meter na briga com duas vitórias na reta final.
Piquet saiu com a vitória no GP da Europa, disputado em Brands-Hatch, e deixou a vantagem de Prost em apenas 2 pontos. Era 57 a 55. Arnoux, que passou em branco na corrida, surgiu atrás com 49. Bastava apenas chegar à frente do brasileiro para que Alain levasse seu primeiro título mundial.
Porém, o cenário na África do Sul não foi favorável a Prost em momento algum. Piquet assumiu a liderança na largada, enquanto o francês oscilou entre a terceira e a quarta posição até a volta 35, quando recolheu aos boxes e abandonou com problemas de motor. Arnoux abandonou a prova logo no início, e Nelson saiu com o bicampeonato mundial.
1986: Prost x Mansell x Piquet

1986 até hoje é lembrada como uma das temporadas mais equilibradas da história, ao ponto que até Ayrton Senna, de Lotus, tentou se meter na briga pelo título. Porém, depois de uma épica vitória no GP da Inglaterra, o britânico Nigel Mansell, de Williams, foi quem tomou a dianteira do campeonato, brigando com o atual campeão mundial Alain Prost, de McLaren, o brasileiro companheiro de equipe Nelson Piquet.
Após o GP do México, Mansell sustentava uma liderança de 70 pontos contra 64 de Prost, que tinha apenas 1 tento de vantagem em cima de Piquet. Logo, o ‘Leão’ precisava de um simples pódio para conquistar o primeiro título mundial de sua carreira.
A final, na Austrália, foi uma corrida absolutamente maluca e cheia de reviravoltas. Mansell largou na pole, mas não liderou a corrida em momento algum, buscando uma posição mais conservadora e que lhe garantiria o título de qualquer jeito. Porém, com menos de 20 voltas para o fim, o inglês viu um pneu estourar de forma espetacular, que o tirou da corrida e encerrou o sonho da taça. Alain Prost venceu a prova, levando seu segundo campeonato por apenas 2 pontos em cima de Nigel.
2007: Räikkönen x Hamilton x Alonso

O polêmico ano de 2007 trouxe uma das mais apertadas e icônicas batalhas pelo título da era moderna da Fórmula 1. No ano de estreia pelo Mundial, o inglês Lewis Hamilton se destacou pela maturidade com a McLaren, sendo um dos pilotos mais regulares do campeonato e liderando a maior parte do certame em cima do companheiro de equipe Fernando Alonso, que na época era o atual bicampeão mundial. No lado da Ferrari, o finlandês Kimi Räikkönen iniciou uma incrível arrancada na segunda metade da temporada, se colocando com chances matemáticas.
Hamilton, por sinal, teve um match point no GP da China, que acabou perdido quando o piloto errou a entrada dos boxes e parou na caixa de brita. Mesmo assim, ele tinha a vantagem de 107 pontos contra 103 de Fernando Alonso e 100 de Räikkönen. Um simples quinto lugar faria o inglês campeão mundial logo em seu ano de debute na Fórmula 1.
Na final em Interlagos, o sonho de Hamilton virou um pesadelo. Depois de um erro logo na primeira volta, Lewis viu o carro desligar sozinho poucos giros depois. Ele resetou a McLaren e retornou em 18º. Chegou a remar até o sétimo posto, mas foi insuficiente. Kimi viu a Ferrari dominar a corrida e colocá-lo à frente de Felipe Massa através da estratégia. Com Alonso em um distante terceiro lugar, o finlandês levou seu único título mundial por apenas 1 ponto.
2010: Vettel x Alonso x Webber x Hamilton

A ocasião mais recente em que mais de dois pilotos chegaram na decisão do campeonato com chances de título trouxe quatro nomes para a disputa em Abu Dhabi. O favoritismo estava nas mãos do bicampeão mundial Fernando Alonso, que em seu primeiro ano de Ferrari, reassumiu a liderança da temporada após uma incrível vitória no GP da Coreia do Sul, com o rival Mark Webber, da Red Bull, no muro.
O australiano, que foi o piloto que por mais corridas liderou na temporada, chegou para a decisão em Abu Dhabi com 238 pontos contra 246 de Alonso. O companheiro de equipe Sebastian Vettel era um patinho feio, com 231, mas embalado por recentes vitórias no Japão e no Brasil. Com 222, Lewis Hamilton, de McLaren, tinha chances matemáticas, mas que dependiam de diferentes combinações de resultado e da obrigação de vitória.
Vettel dominou o fim de semana e venceu com certa tranquilidade, e em uma zebra histórica, terminou com o título. O favorito Fernando Alonso largou de terceiro, mas viu a Ferrari vacilar na estratégia e prendê-lo atrás da Renault do russo Vitaly Petrov. O espanhol recebeu a bandeira quadriculada apenas em sétimo, com Webber em oitavo. No fim, Sebastian foi campeão por apenas 4 pontos.
A Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 5 a 7 de dezembro, com o GP de Abu Dhabi, 24ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Yas Marina para acompanhar todas as emoções da etapa com o repórter Leonid Kliuev.
GP de Abu Dhabi de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 06:30 | 08:30 | 10:30 | 11:30 |
| Treino livre 2 | 10:00 | 12:00 | 14:00 | 15:00 |
| Treino livre 3 | 07:30 | 09:30 | 11:30 | 12:30 |
| Classificação | 11:00 | 13:00 | 15:00 | 16:00 |
| Corrida | 10:00 | 12:00 | 14:30 | 15:00 |
*Horário de Brasília
▶️ F1: faltam quantas corridas? Veja o calendário da F1
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2