Ex-chefão da Fórmula 1, Bernie Ecclestone se declarou culpado, nesta quinta-feira (12), das acusações de fraude fiscal por não declarar mais de £ 400 milhões (R$ 2,47 bilhões, na cotação do dia) em ativos mantidos em Singapura.
Diante do caso, o inglês concordou ainda em pagar uma multa de mais de £ 650 milhões (cerca de R$ 4 bilhões) para cobrir 18 anos de irregularidades na declaração fiscal, entre 1994 e 2002. Também, o ex-mandatário da F1 acabou condenado a uma pena de 17 meses suspensa por 2 anos. O que significa que se cometer este crime novamente, nos próximos 24 meses, será forçado a sanção na prisão.
De início, Ecclestone, de 92 anos, declarou-se inocente dos crimes em agosto do ano passado. Contudo, em nova audiência realizada no tribunal de Londres, mudou o discurso, evitando, com isso, o julgamento que começaria em 16 de novembro.
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ Conheça o canal do GRANDE PRÊMIO na Twitch clicando aqui!

O Serviço de Procuradoria da Coroa Britânica (CPS, da sigla em inglês), autorizou a acusação após investigações conduzidas pelo fisco do Reino Unido, que abrangeu o período de 2013 a 2016. O promotor do caso, Richard Wright, declarou à Sky Sports que “o Sr. Ecclestone não foi totalmente claro sobre como a propriedade das contas em questão foi estruturada”.
“Ele não sabia, portanto, se era responsável por impostos, juros ou multas em relação aos valores que transitavam nas contas. O Sr. Ecclestone reconhece que foi errado responder às perguntas porque corria risco de o HMRC (sigla em inglês para o fisco britânico) não continuar a investigação sobre seus assuntos. Ele agora aceita que alguns impostos sejam em relação a esses assuntos”, completou.
O diretor do Serviço de Investigação de Fraudes do HMRC, Simon York, acrescentou também que a acusação contra Bernie “segue-se a uma investigação criminal complexa e mundial”.
“A acusação criminal refere-se a ativos offshore (nome dado a contas abertas em territórios onde há menor tributação) que foram ocultados do HMRC. O HMRC está do lado dos contribuintes honestos, e tomaremos medidas duras sempre que suspeitarmos de fraude fiscal. A nossa mensagem é clara: ninguém está fora do nosso alcance”, concluiu.
Ecclestone comandou a Fórmula 1 por mais de quatro décadas, até janeiro de 2017, quando o grupo norte-americano Liberty Media passou a gerir a categoria. Antes, o britânico chefiou a equipe Brabham de 1972 a 1987 e já acumulou uma fortuna estimada em mais de £ 2,5 bilhões (R$ 15,5 bilhões) ao longo da carreira.
*Matéria atualizada às 17h32.