A temporada 2010 da Fórmula 1 teve uma das decisões de campeonato mais marcantes da categoria. Foi a primeira e única vez que quatro pilotos — Sebastian Vettel, Mark Webber, Lewis Hamilton e Fernando Alonso — chegaram na última corrida disputando o título. O alemão da Red Bull levou a melhor, já que o espanhol ficou preso atrás de Vitaly Petrov. O bicampeão recordou a decisão com pesar e disse que queria voltar no tempo para fazer tudo diferente.
Alonso chegava em Abu Dhabi como líder do Mundial de Pilotos, 8 pontos à frente de Webber, 15 de diferença para Vettel e 22 de distância para Hamilton. Durante a corrida, o australiano parou primeiro, a Ferrari temeu um undercut e decidiu fazer o mesmo com o espanhol. Enquanto isso, Sebastian e Lewis continuaram na pista, marcando tempos de volta melhores que os rivais.
O bicampeão conseguiu se manter à frente de Webber, mas ficou preso atrás de Petrov — que havia parado na primeira volta por conta do safety-car — durante todo o resto da corrida. Caso conseguisse a ultrapassagem, conquistaria o tão sonhado tricampeonato, o que não aconteceu. Vettel venceu a corrida e o título, o primeiro dos quatro mundiais da carreira.
Questionado sobre qual momento da carreira foi o mais difícil da carreira, aquele que teve o maior desafio mental, Fernando respondeu que foi o GP de Abu Dhabi de 2010.

“Há uma linha muito tênue entre a grandeza e as grandes decepções. E esse foi o caso em 2010”, disse Alonso ao canal da Aston Martin no Youtube. Estávamos muito perto de ganhar o campeonato em Abu Dhabi. Não conseguimos”, seguiu.
“E essa foi uma ocasião muito, muito difícil. Um daqueles momentos em que você adoraria voltar 24 horas no tempo e fazer as coisas de outra maneira”, lamentou.
“É uma grande oportunidade ganhar um campeonato e depois perdê-lo, sabe, naquela hora e meia naquelas 57 voltas [55, na verdade] em Abu Dhabi. Você precisa sair desse momento sombrio”, ressaltou.
“Pode ser uma semana, podem ser duas horas, podem ser três dias. No meu caso, foram cerca de 16 horas. Acho que acordei na segunda-feira de manhã e tínhamos um teste da Pirelli na terça-feira, e usei esta sessão como ponto de recomeço. Foram 16 horas”, recordou.

“Tudo passa muito rápido, muito mais rápido do que você pensa naquele momento. Na hora, você pensa que está tudo acabado, que é o fim do mundo. Mas o sol e o dia chegam em 16 horas e é um novo dia. É difícil entender por que isso aconteceu agora e por que aconteceu comigo”, admitiu.
“Com o tempo, com os dias, com as semanas ou com os meses, você vai entender que isso tinha de acontecer para que eu estivesse agora nesta situação”, refletiu.
“Se eu mudasse alguma coisa, talvez não estivesse aqui e não seria quem sou agora. Por isso, é sempre complicado. Obviamente, se você tivesse uma bola de cristal e pudesse voltar no tempo e fazer as coisas de outra maneira na Fórmula 1, seria muito fácil escolher equipes diferentes”, apontou.
“Acho que as decisões que tomei, os erros e as coisas boas que fiz tinham de acontecer e estavam lá por uma razão”, finalizou o vice-campeão de 2010.
A Fórmula 1 retorna de 19 a 21 de setembro com o GP do Azerbaijão, 17ª etapa da temporada 2025
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